Há 616 crimes por mês nas escolas em Portugal

No ano letivo 2015/2016 houve 4102 crimes registados nas escolas portuguesas pela PSP, aos quais se juntaram 657 reportados pelo programa equivalente da GNR. A maior parte dos casos acontece no interior do espaço escolar, sobretudo no local onde se encontram em pausa das aulas, o recreio.

"Tens piolhos, és foleira, olha as tuas roupas”, estes são os muitos insultos que se repetiram durante meses, criando um clima de medo e revolta numa aluna do 7º ano de escolaridade da zona de Sacavém, Loures.

O caso desta adolescente com 14 anos chegou ao Gabinete de Apoio ao Aluno e à família (GAAF), do Instituto de Apoio à criança, na quarta-feira passada. É um dos 4757 atos de agressão, ameaças e injúrias registados em ambiente escolar.

De acordo com dados do Programa Escola Segura da PSP, a que o Diário de Notícias teve acesso, esta realidade tem aumentado cada vez mais nos últimos anos.

No ano letivo 2015/2016 houve 4102 crimes registados nas escolas portuguesas pela PSP, aos quais se juntaram 657 reportados pelo programa equivalente da GNR. A maior parte dos casos acontece no interior do espaço escolar, sobretudo no local onde se encontram em pausa das aulas, o recreio.

Um dos casos que vai agora entrar para a estatística é o do menor que foi agredido por vários rapazes adolescentes em Almada. O episódio de violência aconteceu em novembro mas só agora foi divulgado na imprensa.

Aos 167 dias úteis de aulas no último ano letivo – de 15 de setembro de 2015 a 9 de junho de 2016 – chegou-se a uma média de 616 crimes por mês nas escolas em Portugal e têm sido muitas as vítimas, mais de 200, que por ano, são encaminhadas ao hospital.

O coordenador do Programa Escola Segura da PSP acredita que a subida de casos nas estatísticas não significa uma maior quantidade de crimes, “há um aumento das denúncias dos miúdos em relação ao bullying devido às ações de sensibilização que temos feito nas escolas. As queixas que têm aumentado referem-se sobretudo a crimes ocorridos no interior do espaço escolar”, comentou Hugo Guinote.

SOL | 07-01-2017