PSP e procurador expulsos à pedrada

Reconstituição de intervenção policial na Cova da Moura interrompida por desacatos.

Vinte e sete polícias e um procurador do Ministério Público foram expulsos à pedrada, ontem de manhã, do bairro da Cova da Moura, na Amadora. Foi assim interrompida a reconstituição dos factos ocorridos a 5 de fevereiro deste ano – invasão à esquadra de Alfragide e apedrejamento de uma viatura da PSP -, que originaram a abertura de processos dis ciplinaresa nove polícias, três dos quais estão suspensos. Tal como o CM noticiou na segunda-feira, a reconstituição foi pedida pela defesa dos três agentes suspensos pela Inspeção – Geral de Administração Interna (IGAI) desde julho e que pertencem à Equipa de Intervenção Rápida (EIR) da PSP da Amadora.

Segundo o inquérito realizado pela IGAI, estão a ser investigadas as circunstâncias em que ocorreu uma tentativa de invasão em grupo à esquadra da PSP de Alfragide, para libertar um detido. Pouco tempo depois de ter sido evitada a invasão, a PSP é chamada à Cova da Moura. Ali, uma viatura policial é apedrejada e um agente fica ferido. É nes temomento que um jovem do bairro afirma ter sido espancado por vários agentes das Equipa de Interven çãoRápida. Os polícias visados foram alvo de processos disciplinares. Para garantir a segurança da reconstituição, a IGAI pediu um reforço policial. Assim, estiveram presentes duas EIR (16 agentes), mais sete polícias do efetivo da Divisão da Amadora e quatro para regular o trânsito. Todo este ef etivo foi insuficiente quando começaram a chover pedras, no cruzamento da avenida da República com a rua Principal da Cova da Moura. Por ordem do procurador do Ministério Público presente a reconstituição foiinterrompida, desconhecendo-se, para já, se será repetida.

PORMENORES
90 dias foi a pena já cumprida pelos polícias suspensos. Têm mais 90 dias.

"ZONA TRANQUILA"
No inquérito da IGAI, a Cova da Moura é classificada como uma "zona tranquila".

Miguel Curado | Correio da Manhã | 21-11-2015