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REVISTA DE 2015

Ministra vai aumentar ordenados aos polícias

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Uma nova tabela salarial que vai aumentar os agentes, no mínimo, em 50 euros por mês, o que vai ter um custo de cerca de dez milhões de euros ( os agentes ganham em média 800 euros mensais); as regras de pré- aposentação iguais às dos militares – aos 55 anos e 36 de serviço, de forma automática, como queriam os polícias, e a redução de tempo de permanência em cada posto, com progressões na carreira mais rápidas.

Exaustiva e intensa. Foi assim a reunião de ontem entre a ministra da Administração Interna e o maior sindicato da PSP, a qual ainda decorria à hora de fecho desta edição e durava há mais de sete horas. Ao que o DN apurou, estavam fechados apenas alguns pontos.

Positivos: uma nova tabela salarial que vai aumentar os agentes, no mínimo, em 50 euros por mês, o que vai ter um custo de cerca de dez milhões de euros ( os agentes ganham em média 800 euros mensais); as regras de pré- aposentação iguais às dos militares – aos 55 anos e 36 de serviço, de forma automática, como queriam os polícias, e a redução de tempo de permanência em cada posto, com progressões na carreira mais rápidas.

A nova grelha salarial vai permitir resolver um dos grandes problemas que subsistiam há vários anos, com quase três mil polícias em índices remuneratórios antigos e a perde- rem dinheiro e promoções. Os aumentos devem estender- se também à GNR.

Negativo: a ministra não cedeu a duas das principais reivindicações dos sindicatos, as 36 horas de horário de trabalho semanal para todos e a manutenção dos 25 dias de férias de que beneficiam atualmente. Anabela Rodrigues quer as 36 horas apenas para os operacionais ( 40 para os do apoio) e reduzir para 22 os dias de férias, embora admita compensações pelo trabalho em dias feriados. Estes dois pontos faziam parte do conjunto de reivindicações acordadas entre as 12 estruturas sindicais da PSP ( ver caixa).

A reunião, que começou às 16.00 e continuou pela madrugada dentro, foi quase sempre conduzida pelo chefe de gabinete de Anabela Rodrigues. Fernando Pinto Soares era quem respondia a Paulo Rodrigues, o presidente da Associação Sindical de Profissionais de Polícia ( ASPP), que começou o encontro a dizer que tudo o que ali fosse decidido teria de ficar escrito. E foi decidido fazer a ata da reunião. Isto porque na segunda ronda de negociações Anabela Rodrigues criou alguma confusão entre os sindicatos ao dar informações diferentes de reunião para reunião.

Ontem de manhã, numa tentativa derradeira de pressão, os sindicatos voltaram a reunir- se, exigindo um "discurso sério e objetivo para que nesta terceira ronda de negociações se procure melhorar verdadei- ramente as condições socioprofissionais daqueles que dão a própria vida, se preciso for, em prol da segurança nacional". Os sindicalistas deixaram claro que se "tal não acontecer a contestação será inevitável".

Não foi possível saber a avaliação final de Paulo Rodrigues sobre o encontro, uma vez que ainda participava na reunião. Resta saber se os aumentos garantidos vão conseguir esfriar a prometida contestação.

Valentina Marcelino | Diário de Notícias | 05-06-2015

Comentários (4)


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Parece que finalmente um Governo reconhece a importância da autoridade e da segurança, e daqueles que lhes guardam as costas, as dos filhos deles... e as de toda a gente!

«que começou o encontro a dizer que tudo o que ali fosse decidido teria de ficar escrito»

Ora alguém com sensatez!

Pontos negativos:

Os aumentos pecam por defeito para quem está nas ruas a defender os cidadãos correndo os riscos que corre.

Mantém-se a mentalidade de que a antiguidade é um posto. Pergunto-me se querem que aconteça com as forças de autoridade aquilo que acontecia antigamente nas escolas secundárias: um professor no fim da carreira ganhava mais do dobro de um em início. Diziam que era por "ter experiência". Na minha passagem pelo secundário nunca notei uma correlação entre a "experiência" e o saber e saber ensinar.
Pergunto-me se o que faz um agente de autoridade quando entra para a força de segurança é diferente de um que já lá anda há 10 anos (desde que faça rigorosamente o mesmo, está claro).

Vejam as tabelas salariais de países como a Alemanha. Em Portugal parece que não se recebe pelo que se faz, mas "pelo que se tem vindo a fazer". Percebo em parte isso, porque durante muito tempo a mentalidade (muito mais implantada na AP do que no privado, onde é mais fácil, de início, ganhar-se logo de acordo com o que se produz, o que não quer dizer que seja muito) foi: "entras, ganhas poucochinho, mas depois tens a 'progressão na carreira'". Daí que as pessoas sentissem que os aumentos posteriores eram, de certa forma, uma compensação por injustiças feitas nos primeiro anos de trabalho.

Tirando essas injustiças que estão por reparar, julgo que já era tempo de mudar de mentalidades e passar a dizer aos mais novos: entras, ganhas 1500 euros líquidos (isto é apenas um exemplo!, que pode pecar por defeito ou por excesso), mas até à reforma, e se fizeres sempre o mesmo, e se a inflação e o PIB não subirem, também não terás aumentos.

Ó Senhores! É quando a malta é jovem que precisa de dinheiro para construir a sua vida, constituir família, ter filhos! É quando a malta é jovem que é destacada para um sítio qualquer e sem que o Estado - coisa absolutamente terceiro-mundista!!! - se preocupe em arranjar alojamento para os funcionários públicos. Os sindicatos não têm conseguido alterar uma mentalidade que favorece a banca: um tipo entra, ganha pouco, e para fazer face à aquisição de uma casa tem que se endividar mais do que necessitaria se lhe fosse pago logo o que é justo pagar-se pelo trabalho feito. Mas não: a recompensa vem "com o passar dos anos". Para quem lá chega, claro. Ainda há poucos dias houve mais um suicídio nas forças de segurança. Mais um entre muitos nos últimos anos.

Devia ser porque ganhava como as chefias que há anos não põem um pé na street...

E escusam de achar que tenho alguma coisa contra os que mais ganham. Eu não posso é admitir que são justas certas diferenças, tendo em conta aquilo que se faz. Não são.

Já aqui uma vez me disseram que era pouca a diferença remuneratória entre um juiz de Direito com 20 anos e um no Supremo. (Após eu ter dito que os juízes em início de carreira deveriam ser aumentados. E continuo a dizê-lo, mesmo depois de ser objecto de uma decisão inenarrável por parte de uma sra. magistrada judicial. Mas acredito que a maior parte não produz sentenças daquelas, em que o depoimento de uma testemunha "isenta e credível" valeu para uma coisa mas não para outra, saindo no entanto tudo da boca da mesma testemunha e na mesma e única audiência...) Então mas ambos não julgam? Ou, implicitamente, está feito um juízo de censura ao magistrado que, após 20 anos, não "conseguiu" sair do sítio?

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10 milhões de euros. Fiz as contas e creio que só pode ser por ano.

LOL: nem chega a 6 milésimas de 1% do PIB (173 mil milhões ("billões americanos"), segundo PORDATA, 2014).
Se estiver enganado e for por mês, então também não é grande a diferença: nem chega a 8 centésimas de 1% do PIB, esta despesinha...

Esqueçam, por isso, a primeira frase deste meu comentário...

Gabriel Órfão Gonçalves , 05 Junho 2015 - 21:55:05 hr.
...
Isto é vergonhoso, sou polícia e não quero aumento.

Aceito sim e acho que mereço dignidade. Faço noites ando ao frio e à chuva corro riscos e trabalho nos feriados natal passagem de ano, etc.

Depois temos uma classe que também são necessário mas que quando pergunto a camaradas meus das forças armadas o que é que estás a fazer, resposta "estou no quartel". Este sim merecem ir para a reforma cedo pois jogar às cartas dá trabalho e é muito desgastante. quando pergunto porque isto é assim responde o poder político "há mas eles são militares". Sim eles são militares mas se formos ver bem quem é que está limitado nos seus direitos diariamente?

Pois a única coisa que se pode defender nos militares é a limitação dos direitos liberdades e garantias e deverá ter um tratamento diferente mas esquecem-se que as forças de segurança também têm as mesmas limitações.
Rocas , 17 Junho 2015 - 17:10:56 hr.
...
Senhor Rocas, é lá agora vergonhoso? O Senhor ao que vislumbro, como polícia, até lhe fica mal dizer isso. O que é vergonhoso foi alguns dos seus colegas, no célebre protesto, terem subido as escadarias de acesso ao Parlamento e todos ficarem impunes. O que é vergonhoso, é quando o zé povinho se manifesta e alguns dos seus colegas, abruptamente, carregam sobre o zé povinho que com razões para isso se manifesta. O que é vergonhoso é em Tribunal o que diz o polícia ter mais valor do que afirma o cidadão comum mesmo que este esteja coberto de razão. Muito mais razões lhe poderia invocar meu caro amigo Senhor Rocas, mas fico-me por aqui.
Samuel Fabiano , 18 Junho 2015 - 11:10:10 hr. | url
Ao caro Samuel Fabiano
Eu diria mesmo mais.
É absolutamente patético e surrealista ver a policia á porta do banco novo, a "cascar"
nas vitimas e a proteger os criminosos!
Humor negro puro!
pensador , 20 Junho 2015 - 18:56:01 hr.

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