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REVISTA DE 2015

Burocracia "tomou conta" do sistema de segurança

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Há demasiadas entidades a coordenar o trabalho das polícias. A ideia foi defendida esta sexta-feira pelos deputados António Filipe e Nuno Magalhães, do PCP e do CDS, no XVIII congresso do sindicato de inspectores do SEF. O deputado comunista foi taxativo num painel sobre "Políticas e estratégias de defesa nacional": a lei de segurança interna é "um exagero de coordenações".

António Filipe exemplificou com a existência, em simultâneo, de um Secretário-geral do sistema de segurança interna, "que tem o seu gabinete", de um Secretário-geral adjunto, "que também tem o seu gabinete", de um Gabinete Coordenador de Segurança, de um Conselho Superior de Segurança Interna e de uma Unidade Antiterrorismo, além de um conjunto de coordenações regionais.

"Não há coordenação que resista a tantos coordenadores", ironizou o deputado do PCP, defendendo a necessidade de acabar com a "burocracia securitária que tomou conta" do sistema de segurança interna. António Filipe afirmou mesmo que o cargo de Secretário-geral de Segurança Interna, ocupado actualmente por Helena Fazenda e que funciona sob a dependência do primeiro-ministro, "não faz sentido".

No mesmo debate, o deputado do CDS Nuno Magalhães também criticou o excesso de coordenação entre polícias. "Se continuarmos a ceder à tentação de criar órgãos quando há problemas, corremos o risco de ter de criar órgãos de coordenação para coordenar os coordenadores", disse, acrescentando que o sistema precisa de "menos lei e mais prática".

Também o ex-ministro da Administração Interna Rui Pereira concordou com a ideia de que há estruturas de coordenação a mais. Ainda assim, o actual presidente do Observatório de Segurança, Criminalidade Organizada e Terrorismo é pela manutenção do cargo de Secretário-Geral do Sistema de Segurança Interna, embora admita que, nos últimos anos, foram criados demasiados gabinetes: "A reforma que criou o Secretário-Geral de Segurança Interna fez sentido, mas trouxe efeitos colaterais indesejáveis, como a multiplicação de gabinetes."

A terminar, o antigo ministro deixou um aviso: "É preciso combater o ímpeto reformista. Governar não é fazer reformas, é gerir. As reformas fazem-se quando são indispensáveis".

O XVIII congresso do sindicato dos inspectores do SEF decorreu esta sexta feira no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas, em Lisboa.

Rosa Ramos | ionline | 29-05-2015

Comentários (2)


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Diria que o mal é outro
E eu que andava convencido que o problema na área da segurança interna era mesmo falta de coordenação e não o excesso.
O que ignoramos por não nos dedicarmos e vivermos à custa da política.
Estes políticos são uns falaciosos...
Confundem de propósito as questões só para dizer os disparates que querem. E pelos vistos pcp e cds nesta realidade estão muito próximos, Quem diria,
Luis , 31 Maio 2015 - 15:03:14 hr. | url
...
E apesar da demasiada burocracia, ainda deixaram o ex-director do SEF praticar ilicitos criminais. E fora o que a opinião pública desconhece. Realmente que bela coordenação. É de limparem as mãos à parede. Só mesmo neste País
Duarte Oliveira , 01 Junho 2015 - 09:40:06 hr. | url

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