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REVISTA DE 2015

Coimbra Editora e Livraria Jurídica declaradas insolventes

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O Tribunal da Comarca de Coimbra decretou a insolvência da quase centenária Coimbra Editora, bem como da sua participada, a Livraria Jurídica. Já foram dispensados 16 trabalhadores.

O Tribunal da Comarca de Coimbra decretou a insolvência da Coimbra Editora, fundada em 1920, bem como da sua participada Livraria Jurídica, disse à agência Lusa o administrador da insolvência. O administrador da insolvência das duas empresas, Manuel Bacalhau, informou que foi declarada a 19 de novembro a insolvência da Coimbra Editora, com 95 anos de existência, e a 10 de dezembro a insolvência da Livraria Jurídica, do mesmo grupo.

Face à declaração de insolvência por parte do Tribunal da Comarca de Coimbra, "16 trabalhadores" já foram dispensados da Coimbra Editora, afirmou à agência Lusa o responsável do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente (SITE).

Segundo o administrador Manuel Bacalhau, a insolvência surgiu depois da reprovação do Plano Especial de Revitalização das duas empresas, sendo que o próprio administrador deu o seu parecer no sentido de se declararem as duas empresas como insolventes.

No entanto, pode ser ainda apresentado "um plano de recuperação dentro do processo de insolvência", sendo também uma das hipóteses presentes em cima da mesa a venda da empresa – uma opção mais vantajosa para os credores do que a venda "do património fracionado", explanou. Ou seja, "não quer dizer que a empresa vá encerrar definitivamente", sublinhou.

A decisão quanto ao futuro das duas empresas será conhecida depois das duas assembleias de credores marcadas para janeiro. A 21 de janeiro, realiza-se a assembleia de credores da Coimbra Editora e, a 26 do mesmo mês realiza-se a assembleia de credores da Livraria Jurídica. Entre os credores das duas empresas, estão editoras, bancos, trabalhadores, a Universidade de Coimbra e a Fundação Calouste Gulbenkian, entre outros.

A 17 de novembro, os trabalhadores da Coimbra Editora cumpriram um dia de greve, reivindicado dois meses de salário em atraso e subsídios de férias e de natal de 2012, 2013 e 2014. Na altura, a administração da empresa informou a Lusa, num comunicado, que a empresa se via "confrontada com desequilíbrios económicos e financeiros", mas que mantinha a esperança de "ser ainda possível alcançar o acordo desejado e retomar, com sucesso, a atividade editorial".

Um dos administradores da Coimbra Editora, João Salgado, está acusado pelo Ministério Público de um crime de recebimento indevido, no âmbito do caso de aquisição de "vistos 'gold'".

Lusa/Observador | 17-12-2015

Comentários (2)


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Não ao fim desta Casa Editora!
Peço a todos que contribuam para que esta grande Casa Editora não desapareça.

Não façam compras senão em livrarias jurídicas. Sempre comprei livros jurídicos exclusivamente na Coimbra Editora e também nas outras livrarias de casas editoras jurídicas. Em mais lado nenhum! Deixem as livrarias generalistas para outros livros!

Todos os amantes do Direito conhecem a Coimbra Editora e a tragédia que seria se esta Casa desaparecesse. Esta ou outra editora jurídica.

Se a Coimbra Editora não puder continuar nas mãos de quem dela é dono, muito gostaria que continuasse nas mãos de outrem. Acabar é que não!!!

Espero que os credores, obviamente com os seus direitos, que não questiono, saibam reconhecer o potencial desta Casa Editora. Peço-lhes que, ajudando na medida do possível a Coimbra Editora e sem se prejudicarem, ajudem por essa via o mundo da literatura e do conhecimento jurídicos, o mundo da Justiça, e, nessa medida, Portugal.

Não era só uma enorme mágoa que ficava se esta Editora desaparecesse. O seu desaparecimento seria a destruição de uma riqueza que levaria anos e anos de trabalho árduo a reconstruir.

Louvo os seus trabalhadores por, com subsídios de férias, de Natal, e dois meses de salários em atraso, terem feito greve apenas um dia. É uma atitude digna e que merece ser fortemente elogiada! Não terá sido nunca por causa deles que a empresa foi afectada. Fui sempre também muito bem recebido por todas e todos quantos trabalham e trabalharam nas livrarias associadas.

Soube há pouco tempo da situação de insolvência e decidi antecipar as compras que faria na Feira do Livro, começando a fazê-las já na Coimbra Editora (que fechou recentemente e para minha grande pena a loja que tinha ao pé da 5 de Outubro, no CC Arco-Íris, contando hoje apenas com a loja na Faculdade de Direito de Lisboa e com a loja no Chiado, a 30 metros dos Armazéns do Chiado, na Rua Nova do Almada).

Talvez alguns pensem que nada podem fazer, mas espero que, no caso trágico de a Coimbra Editora deixar de existir, não pensem depois que poderiam ter feito alguma coisa: é que então será tarde!

E então... teremos uma situação de quase monopólio na edição de livros jurídicos, com as consequências desagradáveis que isso traz...
Não quero subestimar as outras editoras, mas em Portugal há duas grandes editoras jurídicas. (O que, aliás, é pouco, muito pouco. Melhor seria se tivéssemos 4 ou 5 mais equilibradas, em volume de negócios.)
Sem a Coimbra Editora ficaremos numa situação de quase monopólio, situação que nunca é boa para ninguém.
Lembrem-se sobretudo os Autores de que, em caso de quase monopólio, a primeira coisa a diminuir é o valor do pagamento feito ao Autor por cada obra que queira publicar... Quem tem o monopólio passa a ter a faca e o queijo na mão.
Gabriel Órfão Gonçalves , 18 Dezembro 2015 - 04:16:34 hr.
Lei da sobrevivência
É triste, é. Espero que no fim a Coimbra Editora não venha a ouvir o mesmo que tantas vezes ouvem os licenciados em Direito que passam por dificuldades económicas e são obrigados a desistir das suas profissões: "Só sobrevivem os melhores".
Insolvente , 19 Dezembro 2015 - 01:07:14 hr.

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