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REVISTA DE 2014

OE mantém inteligência no "lixo"

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Paula Ferreira - É um Orçamento condicionado. O quarto Orçamento do Executivo de Pedro Passos Coelho e o primeiro apresentado sem o controlo hercúleo dos senhores do resgate não trará grande melhoria à vida dos portugueses.

Enganou-se quem pensava que o primeiro-ministro, à beira do fim da legislatura, embarcaria no entusiasmo eleitoralista, acenando com a baixa de impostos e o aumento de investimento. Passos talvez o desejasse, mas a troika, agora personificada por uma Europa dividida em Norte e Sul, não o permite ainda.

Há uns acenos, é verdade, de algum alívio para as famílias. Feitos de forma inédita. O crédito. O que Maria Luís Albuquerque nos propõe é que não demos tréguas, no café, no restaurante, no cabeleireiro. Sempre a pedir faturas. Disso, do "bom comportamento dos portugueses" (palavras da titular da pasta das Finanças), depende a descida do IRS. Passos não se compromete. Responde em duas frentes: pacifica aparentemente o seu parceiro de coligação, que deu a entender não abdicar de um desagravamento da carga fiscal, e espalha a ilusão nos portugueses de dias menos infelizes. Com a garantia de um acompanhamento ao minuto. A autoridade tributária compromete-se a manter os cidadãos avisados da evolução do combate à fraude e evasão fiscal, para que, se a meta dos dois mil milhões de euros a mais em relação a este ano, em IRS e IVA, não for atingida, o desapontamento não seja grande. Uma vez mais, Passos Coelho e a ministra das Finanças subvalorizaram a inteligência dos portugueses - mantêm-na, para usar a linguagem das agências, na categoria de "lixo".

Maria Luís Albuquerque, ontem, na apresentação da proposta do Orçamento do Estado para 2015, demonstrou habilidade política. Fez questão de deixar claro que o sucesso não será da responsabilidade do atual Governo. Sendo assim, não se compromete com uma medida que, para além de duvidosa exequibilidade, se for concretizável, envolve a ação política do próximo Executivo.Uma proposta de Orçamento que acena com reembolso condicionado e a crédito, e adia para hoje a divulgação dos pormenores relativos ao IRS, no fundo o aspeto mais importante do documento, não pode ser levada a sério. Fica-se sem saber exatamente o que está reservado em termos de contribuições das famílias para o Estado. Esclarecidos só de uma coisa: 2015 não mudará nada em relação ao passado recente. O Estado insiste em contar quase só com a esmifrada bolsa dos contribuintes para viver. Quanto à despesa, se restassem dúvidas, elas teriam sido ontem dissipadas. Na redução de despesa, os bombos da festa continuam a ser os funcionários públicos.

Paula Ferreira | Jornal de Notícias | 16-10-2014

Comentários (7)


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O OE
continua a fazer o jeito aos interesses obscuros e próprios do governo, que nada tem a ver com o povo português.

Onde devia cortar não o faz e sobrecarrega ainda mais o povo.
Perdoam-se dívidas dos poderosos, não se investiga e se acusa os responsáveis pelo crime de prevaricação, de peculato, de suborno, de má gestão dos dinheiros públicos, etc. por serem amigos dos principais partidos.

É um genocídio de um povo que se avizinha cada vez mais, esmagando qualquer possibilidade de fazer frente aos gastos correntes mensais familiares e conduzindo ao suicídio de muitos e ao definhamento das gerações vindouras.

Só uma intervenção internacional em prol dos direitos humanos deste povo é que pode impedir esse genocídio.

Tem de haver uma denúncia, o povo não aguenta mais...
.
... , 16 Outubro 2014 - 05:59:52 hr.
Os FP
lincham-se sempre.
Mais valia privatizar tudo.

Acenam com a cenoura com a reposição dos cortes dos 20% - faltam os aditamentos que ainda vão acabar por eliminar essa parte - e depois pagam??? o subsídio de natal em duodécimos, que é uma farsa.

Já o subsídio de férias é a mesma coisa.

Os do privado fazem o que querem.
Fogem ao fisco de todas as maneiras possíveis. Empresas que num dia são insolventes, no dia seguinte já mudaram o nome e continuam a laborar e a enganar o fisco.

Aumentam o combustível para pagar as PPP.
Cada um de nós vai pagar mais 175 euros de impostos para alimentar estas bestas que nos governam...

E os jornalistas, com medo de perderem o emprego, são moles em informar o povo da realidade deste OE.
... , 16 Outubro 2014 - 06:31:43 hr.
...
Ainda à dias tive conhecimento de um "miúdo" que ocupou um alto cargo para Director de um Departamento adstrito ao Ministério das Finanças, sem ter sequer cometência profissional para o dito cargo, mas como é sobrinho do economista Bacelar Gouveia, foi-lhe logo dado o tacho pelo Governo.
Manuel Francisco dos Santos , 16 Outubro 2014 - 08:05:38 hr. | url
...
Como reduzir a despesa significativamente sem atingir duramente os funcionários públicos? Alguém sabe?
Valmoster , 16 Outubro 2014 - 09:15:56 hr.
...
Sei Senhor Valmoster. É os Senhores Ministros e toda a sua comandita, reduzirem drasticamente os altos salários e as grandes mordomias que têm. É o Senhores deputados, sejam eles de que partido forem, reduzirem os seus vencimentos e as mordomias que usufruem. É os Directores dos Institutos Públicos e os Administradores das empresas em que o Estado tem participação, reduzirem os seus vencimentos e as suas mordomias. Mas estas medidas, Senhor Valmoster, não interessa ao Governo nem aos visados falarem. É mais fácil ir bolso dos funcionários públicos e do zé pagante, porque estes não só não têm voz como ninguém lhes dá ouvidos e quando a pretendem ter, são calados pela Polícia.
Manuel Francisco dos Santos , 16 Outubro 2014 - 11:23:44 hr. | url
...
Nunca é demais lembrar: podem sempre votar PCP. E agora mais que nunca, pois que se anuncia o retorno ao poder do bloco central. O resto é treta.
Sun Tzu , 16 Outubro 2014 - 11:25:48 hr.
PCP???
Com o devido respeito, o Sun Tzun devia reler a História de Portugal e os jornais dos anos 74 a, pelo menos, 77 para saber na prática o que foi feito no Alentejo e arredores...com a história dos grandes latifúndios.
Já agora uma visita virtual à ex-união soviética e ver a situação real em que vivem os povos com essa ideologia.
Se não, basta ver como funcionam algumas câmaras municipais/juntas de freguesias ou até mesmo associações com o pcp: a treta é a mesma que a dos outros partidos. são todos camaradas mas uns mais que os outros.

Na minha modesta opinião é a sociedade civil, constituída por vários estratos sociais e com pessoas de mérito em várias áreas, sem qualquer interferência de ideologias partidárias, que deve actuar para parar com o genocídio deste povo conforme o comentário acima.
... , 16 Outubro 2014 - 14:41:46 hr.

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