In Verbis


icon-doc
REVISTA DE 2014

Presos recebem sem trabalhar

  • PDF

Devido à falta de guardas para os acompanhar, os presos do EP de Coimbra deixaram de trabalhar, mas a direção continua a pagar-lhes para evitar motins.

Há atividades laborais e formativas que os reclusos não estão a realizar, por falta de guardas para as vigiarem. Em Coimbra, por exemplo, 54 presos não têm ido trabalhar para as oficinas. Mas deverão ser pagos na mesma.

A denúncia sobre a suspensão de atividades cos reclusos foi confirmada ao JN pelo Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional (SNCGP), que a ilustrou com números sobre a alegada situação de Coimbra, mas a Direção-Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP) fala antes em "reprogramação de algumas atividades".

"A DGRSP desmente que se tenham suspendido atividades de trabalho e de formação profissional de reclusos por falta de funcionários. Neste período de férias, tem-se procedido, como em anos anteriores, à reprogramação de algumas atividades", comunicou o diretor de serviços Semedo Moreira, ao JN.

"É só dia a dia que as chefias conseguem programar as atividades", contrapõe o presidente do SNCGP, Jorge Alves, tendo em conta, além das ausências por férias, mais pronunciadas no verão, as baixas médicas e as saídas dos guardas em acompanhamento de reclusos aos hospitais e aos tribunais. Para o dirigente sindical, é mais um sinal da carência estrutural de guardas que vem denunciando há anos.

Na cadeia de Coimbra, há cerca de um mês que as atividades das oficinas – onde se fabricam e reparam artigos de carpintaria e serralharia, entre outros, por encomenda do exterior – têm sido geridas em função do número de guardas de serviço em cada dia.

"Houve semanas em que os 54 reclusos que habitualmente ali fazem serviço foram trabalhar dois ou três dias, mas, na semana passada, não puderam ir nenhum dia. Isto nunca aconteceu no passado", relata um dirigente sindical.

Segundo diz esta fonte, asoficinas têm estado sempre abertas apenas para 31 reclusos que frequentam cursos de formação, onde estão envolvidas empresas e verbas públicas para o efeito, sob vigilância de somente dois guardas. "Normalmente, têm que lá estar nove".

Pagar para acalmar

Além dos "serviços oficinais, que não estão a ser efetuados", a falta de guardas também tem afetado atividades formativas e trabalho, em especial no setor agrícola, afirma Jorge Alves, apontando como mais flagrante o caso de Alcoentre. Mas, segundo outro guarda, na cadeia de Leiria também têm sido afetadas atividades de projetos de reintegração de jovens reclusos.

Uma outra fonte prisional garantiu que a Direção-Geral vai pagar aos reclusos, cerca de três euros ao dia, pelo trabalho que não têm feito, para evitar riscos de motim que, nesta época de férias, seriam mais difíceis de controlar. "Se eu não estou a trabalhar, não é por culpa minha", tem ouvido aos reclusos um dirigente sindical, convencido de que seria perigoso não pagarlhes. "Se não o fizessem, eles rebentavam com aquilo", comenta um colega.

Nelson Morais | Jornal de Notícias | 14-08-2014

Comentários (3)


Exibir/Esconder comentários
roubou foi preso MAS ganha, o garoto da favela tambem quer ganhar assim
Deviam era trabalhar para o seu bem e bem da sociedade que os mantem
preso , 16 Agosto 2014 - 00:18:39 hr.
PRESO GANHA
Se deixar de receber já sei o segredo
preso , 16 Agosto 2014 - 00:34:13 hr.
...
Três euros por dia é uma exploração; era isso que eu teria gostado de ver salientado pelo jornalista.
E obviamente, se as faltas ao trabalho não são imputáveis aos detidos... eles devem receber o salário.
Franclim Sénior , 17 Agosto 2014 - 21:03:15 hr.

Escreva o seu comentário

reduzir | aumentar

busy

Últimos conteúdos

Com o termo do ano de 2014, cessaram as publicações de conteúdos nesta Revista Digital de 2014.Para aceder aos conteúdos...


O número de funcionários judiciais diminuiu 9,9 por cento em seis anos, enquanto os magistrados do Ministério Público au...

A partir de 1 de janeiro, os médicos vão recuperar os 20% tirados ao pagamento do trabalho extraordinário. ...

Últimos comentários

Forense Agentes Públicos Órgãos Polícia Criminal Presos recebem sem trabalhar

© InVerbis | Revista Digital | 2014.

Sítios do Portal Verbo Jurídico