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REVISTA DE 2014

Xanana diz que não ofendeu Portugal

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O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, aproveitou a presença em Díli do ministro da Defesa Aguiar Branco, para dizer que as relações entre os dois países estão bem e recomendam-se. Num gesto de retórica diplomática, afirmou: "Só posso dizer que a vinda do ministro da Defesa já indica tudo. Já diz que as relações entre os dois países, se ficaram um bocado magoadas, não significa que ficaram um desastre, sobretudo na área da Defesa".

Questionado sobre se teria aproveitado o encontro com Aguiar Branco para pedir desculpa a Portugal, Xanana Gusmão respondeu com perguntas: "Eu ofendi Portugal? Acha que eu ofendi Portugal?", questionou, visivelmente emocionado.

"Eu quero separar as coisas o ministro da Defesa veio cá para falarmos sobre a Defesa", insistiu Xanana Gusmão, apesar desta visita de Aguiar Branco acontecer 22 dias depois do governo de Díli ter expulso sete funcionários portugueses.

Recorde-se que esta visita de José Pedro Aguiar Branco a Timor [no âmbito da cooperação bilateral] estava agendada há meses e serve para assinar um memorando de entendimento no sector da Defesa entre os dois países de expressão portuguesa. O ministro da Defesa disse em Díli que as relações entre Portugal e Timor se "situam muito para lá das relações de Estado", sublinhando que são "relações entre países irmãos, povos irmãos".

Recorde-se que o governo timorense expulsou no passado dia 3 sete magistrados, seis portugueses e um cabo-verdiano, e um elemento da polícia portuguesa, depois do conselho de magistratura de Timor-Leste ter recusado suspender os seus contratos de trabalho por motivos de força maior e de interesse nacional.

Cooperação bilateral vai continuar

"Na área da Defesa temos ajudado a construir Timor", disse Aguiar Branco acrescentando que "numa área estruturante" como é a Defesa essa ajuda tem de prosseguir: "Nós quisemos voltar a afirmar que a história comum entre países irmãos, entre povos irmãos, se mantém para lá daquilo que são as questões de Estado", disse.

Aguiar Branco sublinhou também que os assuntos relativos à cooperação na área da Justiça estão a ser tratados entre os ministros das Justiça dos dois países, que já decidiram prosseguir com a cooperação neste sector. "A relação em outras áreas de cooperação segue o caminho. E o da justiça segue caminhos diferentes do que aconteceram no passado", disse, sublinhando que se deslocou a Timor para tratar de assuntos relacionados com a Defesa.

Micaela Goucha Soares | Expresso | 25-11-2014

Comentários (1)


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Como é possível um ministro de Portugal se prestar ao branqueamento da conduta de Xanana.
Aguiar traço Branco não aprendeu, ainda, que algo tem de mudar e que está na hora dos políticos se afirmarem como combatentes contra a corrupção. E esta é má no nosso país tal como o é em todo o lado, inclusive Timor. Não me preocuparia com a deste pequeno país se não tivessem sido indignos em relação a magistrados portugueses. Pelos vistos, A traço B considera que o Estado se divide em fracções e o que se passa relativamente à justiça não tem repercussões no restante Estado. Há um sentido de Estado que A traço B nunca adquiriu nem o virá a adquirir... para vergonha de todos nós.
Luis , 25 Novembro 2014 - 19:40:38 hr. | url

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