In Verbis


icon-doc
REVISTA DE 2013

Polícias fora da Função Pública

  • PDF

"As pessoas da PSP não são funcionários públicos como os outros". Foi com esta frase que o ministro da Administração Interna anunciou ontem - perante dezenas de polícias em protesto silencioso nas galerias da Assembleia da República - a criação de "um corpo especial dentro da Função Pública". A medida foi aplaudida de pé, mas já está a gerar dúvidas.

"O projeto é omisso em relação aos efeitos práticos. É preciso que o ministro explique se, com esta alteração, a PSP terá ou não a possibilidade de regular pelo seu estatuto as questões relacionadas com carreiras, postos e outra legislação", disse Paulo Rodrigues, presidente da Associação Sindical dos Profissionais de Polícia, um dos dez sindicatos que aderiu ao protesto no Parlamento. A forma como será feita esta passagem não foi esclarecida.

Na apresentação do Orçamento do Estado para 2014, o ministro Miguel Macedo garantiu ainda que "no próximo ano, há dificuldades orçamentais, mas isso não vai pôr em causa a operacionalidade das Forças de Segurança". Segundo o documento, a PSP vai receber 698 milhões de euros (menos 9% do que em 2013), a GNR 836 milhões (menos 9%) e o SEF 73,8 milhões (menos dois por cento).

"Reforço de verbas" será canalizado para bombeiros

Ao contrário das Forças de Segurança, a área da Proteção Civil terá em 20l4 um "reforço de verbas" na ordem dos 500 mil euros. Assim, a Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) vai receber 128,1 milhões de euros. O "reforço" garantiu Miguel Macedo, "será canalizado para as condições do dispositivo, portanto, para as corporações de bombeiros.

O ministro da Administração Interna disse ainda que em 2014 serão instalados 2600 terminais para a rede SIRESP (Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança em Portugal).

Apesar dos cortes previstos no Orçamento do Estado para a Administração Interna, no próximo ano será aberto concurso para a admissão de 1 o o novos elementos na PSP e outros 400 na GNR. O SEF também será reforçado, mas o número de elementos ainda não está definido pela tutela.

João C. Rodrigues | Correio da Manhã | 09-11-2013

Comentários (9)


Exibir/Esconder comentários
...
smilies/shocked.gif Mau... organizem-se... ora são, ora não são... ora são porque interessa, ora não são porque não dá jeito.... cada vez mais parece a tropa do Savimbi.
Bruno Lameiras , 10 Novembro 2013
...
É só graxa.
Ai Ai , 10 Novembro 2013
...
Mai(s)cedo percebe que tem que ter a PSP do seu lado e da o que não pode dar. Quando amanha a população apertar com os políticos, já sabe que tem a PSP do seu lado. Nada, que ninguém sabe como isto vai acabar e convém estar prevenido.
Orlando Teixeira , 11 Novembro 2013 | url
...
Aplaudam agora... smilies/cheesy.gif
32.º , 11 Novembro 2013
...
Confesso neste espaço virtual, o quanto me espanto pela mediocridade intelectual do povo Português. Sim, porque a generalidade pensa de uma forma tão limitada que realmente começo a achar que somos o que somos, pelo Povo que temos.
Pegando no comentário do user Orlando Teixeira, utilizando-o como exemplo de uma forma geral e não em particular, esta é a forma de pensar do Povo Português.
Mas querem o quê? Entrar pela Assembleia e partir tudo? Para depois todos nós contribuintes termos que pagar? Querem transformar isto "numa Grécia"? O que vos faz pensar que "tem a Polícia do lado deles?" Meus amigos, lembrem-se disso na altura das eleições!!! É aí que têm que demonstrar o vosso desagrado e não ir para a praia (dia de sol) ou Centro Comercial (dia de chuva).
Querem que isto vire uma anarquia total? Poupem-se! Não passem a batata quente sempre para quem faz aquilo para que é pago! Peçam, por exemplo, aos Tribunais para não condenarem ninguém ao invés de quererem que a Polícia "vos deixe partir tudo".
Bruno Lameiras , 12 Novembro 2013
Secos e Molhados
Caro Bruno

Depois de termos visto a cena entre polícias no célebre episódio dos Secos e Molhados, não estranhe que as pessoas pensem assim, por mais medíocres que as considere.
Se entre camaradas não se respeitam, o que esperar com civis?
Sabe, tenho muito respeito pelos agentes da PSP e sou dos que valorizo a enorme pressão a que estão sujeitos quando existem manifestações, não desejando estar no vosso lugar. Mas também noto alguns tiques de autoritarismo do governo e isso faz-me lembrar outros tempos, quando a PSP corria batendo em tudo o que se mexia à sua frente, invadindo vezes sem conta o próprio Metro, atrás dos manifestantes. Afinal, os agentes da PSP limitam-se a obedecer a ordens. Se as receber para perseguir os manifestantes, o que vai fazer? E não tenha dúvidas que vai recebê-las. Talvez seja bom começar a pensar nisso e qual vai ser a sua (e a dos seus colegas) posição nesse caso.
Assim como entendo a pressão a que estão sujeitos, também me apercebo do desespero que assola inúmeras famílias, muitas delas que nunca esperaram estar na situação em que hoje estão. E as pessoas quando encostadas a uma parede nunca se sabe como vão reagir. E se reagirem mal porque estão desesperadas, acha mesmo que isso dá carta branca para carregar sobre elas?
Talvez fosse bom pensar nisso por antecipação, para quando chegar o momento (e todos esperamos que não chegue, se bem que o próximo OE não augure nada de bom) saber o que vai fazer.
Não acha que seria mais dificil aceitar a ordem, e a ela obedecer cegamente se estivessem contra o governo? Assim, limitam-se a obedecer a quem vos deu a comer, e ninguém cospe no prato que nos dão, não é?
Espero que entenda agora melhor o meu comentário anterior.
Orlando Teixeira , 12 Novembro 2013 | url
...
Concordo absolutamente mas considero que a imagem dos magistrados já é má á anos não começou ontem, nem antes de ontem, pelos juízos que tem feito á revelia da moral mais básica, protegem os ladrões e prendem inocentes protegem os ricos em desfavor dos pobres, protegem os amigos partidários e clubisticos conforme as suas preferências, e se por um acaso aparece um justo logo na segunda instância aparece o mais favorável á corrupção, mas eles não são os únicos culpados, os governos deviam nomear um grupo de fiscais a ser eleitos por advogados para fiscalizar o que os magistrados fazem, mas sem candidaturas, porque os candidatos eram logo escolhidos pelas seitas que tudo controlam.
José Correia , 12 Novembro 2013
...
O que Miguel Macedo fez foi, apenas, o que na gíria se designa "passar a mão pelo pelo".
Que deu resultado parece óbvio. A manifestação silenciosa (não seria de pensar que a polícia iria fazer arruaça na Assembleia) transformou-se, momentanemente, numa manifestação de aplauso ao Ministro.
Só prova que é esperto.

De resto, a afirmação parece óbvia: os polícias não são funcionários como os outros. Não é difícil distinguir a função e o risco dos polícias das que correspondem à generalidade dos funcionários, técnicos ou administrativos, da administração pública central ou local.
Os médicos também não são funcionários como os outros. Têm uma especial responsabilidade.

O problema está em que, em Portugal, ninguém quer ser como os outros... porque se julga ser superior aos outros.

Diferenciar o que é diferente, pela responsabilidade, pelo risco, pela penosidade, está correcto.
O que não pode é reconhecer-se uma diferenciação pelos penachos e, normalmente, é essa a única justificação que apresentam os que reivindicam tratamento especial. E são tantos...
Mário Rama da Silva , 12 Novembro 2013
Uma mão cheia de nada...
O senhor Ministro da Administração Interna não disse nada de nada. Apenas transmitiu um discurso vazio de ideias e de conteúdo!! Acho estranho como é que os sindicatos estão a contribuir para estes aplausos a um discurso oco de tudo!! Como é que há pessoas que não entendem que o MAI encenou uma vez mais com grande mestria a sua personagem?!!
O MAI não deu NADA à Polícia, e aos polícias. A PSP continua a ser o parente pobre da função pública, os que estão sempre abertos 365 dias por ano, trabalham noites, fins de semana, feriados e etc e ganham sempre o mesmo!! De que serve aos polícias terem um regime especial ou não??!! O que interessava era que houvesse uma REFORMA profunda na Segurança Interna e a questão passa por aí e não debitar discursos vazios de nada!!
A mim já tanto me faz pois vou abandonar a instituição em breve farto de pessoas que não possuem uma ESTRATÉGIA para a PSP!!
Pedro Moura , 13 Novembro 2013 | url

Escreva o seu comentário

reduzir | aumentar

busy

Últimos conteúdos

A crise trouxe dúvidas novas sobre a situação do país e a actuação dos políticos. As televisões portuguesas responderam ...

Com o termo do ano de 2013, cessaram as publicações de conteúdos nesta Revista Digital de 2013.Para aceder aos conteúdos...


Isabel Moreira - Ouvindo e lendo as epifanias sobre o Tribunal Constitucional (TC) que descobriram ali um órgão de sober...

Últimos comentários

Tradução automática

Forense Agentes Públicos Órgãos Polícia Criminal Polícias fora da Função Pública

© InVerbis | 2013 | ISSN 2182-3138.

Arquivos

Sítios do Portal Verbo Jurídico