Disparou a criminalidade no interior do País

Os números estão expressos no resumo do Relatório Anual de Segurança Interna, apresentado esta semana pelo Governo. A criminalidade está em movimento, do Litoral para o Interior do país, fruto de maior mobilidade, afirma o secretário-geral do Sistema de Segurança Interna.

O Relatório anual de Segurança Interna (RASI) relativo a 2012 não engana. No ano passado o tipo de crimes que mais cresceu foi relacionado com os roubos a instituições bancárias e financeiras, com uma subida global de 38,2%, quando comparado com 2011. Seguem-se as subidas nos roubos a residências (+35,7%), homicídios voluntários consumados (+274%), Extorsão (+24,7%), roubos em estabelecimentos de ensino (+23,3%), roubo a ourivesarias (+19,7%), roubo a outros edifícios comerciais/ industriais (+7,7%) e resistência e coacção sobre funcionários (+6,8%).

As grandes descidas, a nível do crime violento, centraramse na associação criminosa (-58,5%), roubos a carrinhas de transporte de valores (-44,7%), roubo a farmácias (-23,4%), casos de rapto, sequestro e tomada de reféns (-174%), roubo de viaturas (-13%), roubos na via pública (-12%) e roubos por esticão (-10,7%).

Antero Luís, secretário-geral do Sistema de Segurança Interna, não deixou de congratular as forças policiais pelo trabalho desenvolvido, que permitiu uma descida global dos números globais do RASI, que mostram uma descida de 2,3% na criminalidade, em relação a 2011, e o decréscimo dos crimes participado. No entanto, os números mais alarmantes são os do crescimento da actividade criminal violenta no interior do país. De um total de 395.827 crimes participados em 2012, 63.226 ocorreram nos distritos do interior. A principal razão para este acréscimo, segundo Antero Luís, poderá estar relacionado com uma maior mobilidade. Os distritos onde houve um maior crescimento da criminalidade violenta foram Guarda, com a maior subida, quase 50%, Castelo Branco, Portalegre, Santarém, Viseu, Coimbra. Leiria e Açores.

Mais homicídios
Foram mais 32 os homicídios ocorridos em 2012, em relação ao ano anterior. No total dos 149 homicídios consumados, 37 estiveram directamente relacionados com a violência doméstica. No entanto, as denúncias de violência doméstica diminuíram o ano passado.

Tráfico de droga
No que concerne aos crimes ligados ao tráfico de droga, foram efectuadas 3.145 apreensões de haxixe, 1.196 de cocaína, 935 de heroína e 102 deecstasy. Na sequência das apreensões, foram detidas 4.591 pessoas e apreendidas 166 armas. As autoridades apreenderam ainda 438 viaturas ligeiras, duas viaturas pesadas, 11 barcos, 20 motociclos e 1.473.564 euros.

Escutas telefónicas
Em média, por dia, durante o ano de 2012, foram efectuadas pelas forças de segurança, 36 escutas telefónicas, num total de 13.046, uma subida de 1.606, em relação ao ano anterior. A Ministra da Justiça, Paula Teixeira da Cruz, já deixou claro que entende existirem demasiadas entidades a fazer escutas, o que resulta num grande número de escutas efectuadas. A Ministra defendeu, em dezembro passado, uma reavaliação desta matéria.

"País seguro na Europa" José Mouraz Lopes, Presidente da Associação Sindical dos Juizes Portugueses, em declarações ao JN, considera que "Portugal é um país seguro, por comparação com outros países europeus. Saliento, no mesmo sentido, a diminuição efectiva da criminalidade mais grave. A suscitar alguma preocupação, o aumento de crimes de homicídio e também a criminalidade relacionada com o álcool. Será importante, neste último caso, apostar em políticas de prevenção geral que, socialmente, permitam que os cidadãos portugueses, encarem a questão do álcool, nomeadamente quando relacionada com a condução, como algo que não pode ocorrer e que terá uma efectiva e eficaz resposta das autoridades."

Tiago Cardoso Pinto | O Crime | 28-03-2013