Até junho, as empresas públicas e o sector da saúde pioraram os resultados em mais de 600 milhões face à primeira metade do ano passado. Pagamento de um swap contribuiu com uma penalização superior a cem milhões. Ainda assim, o sector dos transportes reduziu perdas a quase um quinto
As empresas públicas registaram prejuízos de 486,6 milhões de euros até junho. E se juntarmos os 244,6 milhões do sector de saúde, as perdas sobem para 731,2 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, segundo o Boletim sobre o Sector Empresarial do Estado, divulgado ontem pela Direção-Geral do Tesouro e Finanças. O valor representa um agravamento de mais de 613 milhões de euros face ao ano anterior, altura em que o sector empresarial do Estado (incluindo o sector de saúde) registava prejuízos de 118 milhões de euros.
Os resultados negativos no primeiro semestre refletem, sobretudo, o impacto da Parpública (holding que gere as participações do Estado nas empresas). Num ano, a holding passa de lucros de 463,9 milhões – na sequência das receitas extraordinárias geradas com a privatização da EDP e da REN paraprejuízos de 169,6 milhões de euros. As contas são ainda afetadas negativamente em 124,7 milhões pelo pagamento na sua totalidade do swap pela Egrep (Entidade Gestora de Reservas Estratégicas de Produtos Petrolíferos). Na saúde, os prejuízos fixaram-se nos 244,6 milhões. Ou seja, mais 165,7 milhões de euros do que em relação ao ano passado.
O sector dos transportes é aquele que apresenta a maior melhoria nos seus resultados líquidos. Até junho, as empresas de transportes no seu todo passaram de 510,3 milhões de euros de prejuízos, para 162,7 milhões. Ou seja, reduziram no primeiro semestre os resultados negativos em mais de 347,5 milhões. O Metro do Porto é aquele que apresenta os melhores resultados até junho, crescendo 255,6 milhões de euros, para lucros de 8,1 milhões. A sul, o metro de Lisboa reduz 39,5 milhões de euros os prejuízos, para 19,2 milhões. A norte, os STCP invertem o resultado negativo de 36,3 milhões do ano passado e passam a lucros de 1,1 milhões de euros. Na Carris, a transportadora reduz 2,6 milhões os prejuízos, mas mantém-se no vermelho em 30,6 milhões. A CP fecha o semestre com prejuízos de 113,2 milhões – os maiores do sector dos transportes-, embora tenha reduzido os prejuízos 12,2 milhões em relação ao ano passado.
Até junho, os gastos com pessoal atingiram os 806,4 milhões de euros. Ou seja, mais 11,8% no final do segundo trimestre devido à reposição dos subsídios após o chumbo do Tribunal Constitucional ao corte imposto pelo Governo. Destes, 9,6 milhões referem-se a indemnizações por cessação do contrato de trabalho. A TAP (mais 32,1 milhões), aNAV(15,9 milhões) e a CP (mais 11,1 milhões) estão entre as empresas onde os gastos com pessoal mais subiram.
Ana Marcela | Diário de Notícias | 29-11-2013
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