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REVISTA DE 2013

Advogados com super-reformas quadruplicaram

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No ano passado, os pedidos de reformas mais altas de advogados quadruplicaram face ao ano anterior. Ou seja: dos 319 advogados que entraram para a reforma em 2012,86 passaram a receber mais de quatro mil euros por mês. Sendo que em 2011 foram "apenas" 21 casos destes registados.

Segundo o relatório anual da Caixa de Previdência de Advogados e Solicitadores (CPAS), da qual 91 % dos beneficiários são advogados, este valor quadruplicou e a instituição gasta agora 44,4 milhões de euros por ano com os 2959 reformados, que ao longo dos anos contribuíram, já contando com "o montante dos subsídios de férias e de Natal retidos em 2012 em consequência da Lei do Orçamento do Estado para 2012", refere o relatório da CPAS, liderada por José Ferreira de Almeida, presidente da direção.

A justificação para este aumento em flecha de reformas altas é "provavelmente meramente estatístico", explica Vasco Marques Correia, presidente do Conselho Distrital de Lisboa, da Ordem dos Advogados (OA), responsável por este pelouro. "Pode simplesmente dar-se o caso de, no ano passado, o número de advogados com mais anos de contribuições terem sido igualmente os que mais contribuíram", diz o advogado, sócio da maior sociedade de advogados portuguesa, a PLMJ.

O direito à reforma - segundo o regulamento da CPAS, pode adquirir-se com 65 anos e, pelo menos, 15 anos de inscrição nesta caixa de previdência com igual tempo de pagamento de contribuições.

Ou ainda cinco anos mais cedo, com 60 anos, e com 36 anos de inscrição na caixa e com igual número de anos de contribuições mensais.

António Raposo Subtil, ex-dirigente do Conselho Distrital de Lisboa da OA, explica estes números: "Pode ser o resultado de uma alteração na atualização dos escalões contributivos de há uns anos em que se passou a ponderar os dez anos em que mais contribuíram", diz advogado. "Porque os melhores anos podem não ter de ser necessariamente os últimos anos".

Segundo o presidente do Conselho Distrital do Porto, Guilherme Figueiredo, "esta caixa é muito importante para os advogados mas ganhava mais em ser mais transparente", diz o advogado. "Não se podem escudar sempre no argumento de que não querem que o Governo lhes retire este fundo autónomo do regime geral", critica.

Segundo a direção da CPAS explicou ao DN, no ano passado, contribuíram para o 10.° escalão (o mais alto, em que as contribuições são de l236 euros por mês), só 421 beneficiários. E 6300 advogados e solicitadores pagaram no escalão mais baixo, de 82 euros por mês.

No total, houve 26 921 contribuintes, a maioria para o 1.°, 2.° e 3.° escalões contributivos.

Os advogados podem ainda receber um valor de "complemento de reforma" atribuído pela OA. No ano passado, esse valor chegou aos 43 384 euros, no ano anterior aos 51487. Há um ano, o bastonário Marinho e Pinto garantia que estes valores tinham de ser reduzidos já que "as despesas da OA têm de ser cortadas", concluía.

Tribunal confirma 36 anos de contribuições

O Regulamento da Caixa de Previdência de Advogados e Solicitadores define - no artigo 13.° queestes profissionais se podem reformar aos 60 anos, desde que tenham exercido a profissão por mais de 36 anos e com "integral pagamento das contribuições".

Porém, em 2008, um advogado, não contente com esta disposição, pediu recurso da decisão da CPAS que se recusou a pagar-lhe a reforma, já que não tinha feito esta contribuição mensal na íntegra.

O Tribunal Administrativo de Sintra, numa decisão de 27 de novembro de 2008, deu razão a este profissional. Não satisfeita, a CPAS recorreu para a instância superior, que acabou por lhe dar razão.

Assim, o acórdão do Tribunal Central Administrativo Sul, a que o DN teve acesso, datado de 6 de junho deste ano, defende que "aos 36 anos de exercício de profissão têm de corresponder outros tantos de inscrição na CPAS com contribuições pagas", pode ler-se no texto, a que o DN teve acesso.

"Uma interpretação literal de tal norma, significaria que para ter acesso à reforma bastaria ter 60 anos e 36 anos de exercício de advocacia ou solicitadoria sem estar ligado ao sistema, ou com muito pouco tempo de inscrição e de contribuições pagas", explicam os três magistrados do coletivo. "Ora, necessariamente não é esse o fim para que foi ordenado o sistema", explicam os três magistrados.

A lei defende ainda que se podem reformar "os beneficiários que tenham completado 65 anos e tenham, pelo menos, 15 anos de inscrição com integral pagamento das inscrições".

Filipa Ambrósio de Sousa | Diário de Notícias | 26-08-2013

Comentários (32)


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What?
Só se perçebe esta noticia no contexto do roubo institucionalizado às pensões! Pois se as pessoas (neste caso advogados) descontaram e têm direto a uma pensão correspondente aos descontos enfeitados (de acordo com as regras legais) nada há a noticiar... A não ser que se esteja a pensar no seu confisco... E passar a tratar estas pessoas como se elas não tivessem descontado, ou tivessem descontado menos anos ou tivessem contribuído ao nível dos primeiros escalões...
Francisco do Torrão , 26 Agosto 2013
...
Super-reformas que correspondem a super-descontos. A tendência para a proverbial e bem portuguesa dor de cotovelo é enorme
António , 27 Agosto 2013
...
Será que alguém está a pensar sugar o meu sangue e suor? Desconto 1.237 euros por mês há muitos anos. Poupo para isso, não fiz viagens que queria fazer.
Tenho direito a receber em conformidade?
Paísde trampa!
especialista em coisa nenhuma , 27 Agosto 2013
...
Este tipo de notícias revela a baixeza e a má intenção de alguns espíritos portugas, que gostam de contaminar a populaça em vez de a esclarecer. Mais do que as palavras releva a intenção que nelas vai e o seu significado na avalanche de notícias actuais sobre as pensões. No limite, a intenção destes pensadores/divulgadores será a seguinte: reformas mensais de € 500 iguais para todos... exceto para políticos nacionais, regionais e locais, juízes do TC, presidentes das autoridades da concorrência, ERSE e congéneres, banqueiros, diretores-gerais e seus apaniguados, membros das jotas exceto das esquerdas..........................!
Intervenção Espontânea , 27 Agosto 2013
...
É este um dos males da sociedade Portuguesa. Só reage quando o ultraje toca á porta. Qdo são os outros a pagar não há problema nenhum... Não vi nenhum advogado - excepto os contratados - a insurgirem-se contra os cortes nas pensões do regime geral.
O Candidato , 27 Agosto 2013
...
Se descontaram, acho bem que lhe paguem, mas outros também descontaram o que lhe pediram e estão na iminência de ver os valores das suas reformas baixarem, por isso comecem a por as barbas de molho porque as do vizinho já arderam, há muito.
XPTO , 27 Agosto 2013
...
Não concordo com o corte nas pensões e reformas de quem quer que seja que contribuiu uma vida toda (ao contrário dos juízes do TC), na expectativa de a vir a receber de acordo com as regras que foram vigorando...
No entanto, não deixa de ser surpreendente ver muitos a gritar "Aqui d'El Rei" apenas e só quando o problema lhes pode vir, potencialmente, a bater à porta!
Daí o despropósito, a meu ver, do comentário do nosso Caro Especialista em Coisa Nenhuma... (todos os que sofrem(rão?) cortes contribuíram a vida toda e muitas foram as viagens que, também eles, deixaram de fazer...
ABC , 27 Agosto 2013
...
a diferença está em que a CPAS é um sistema privativo dos advogados e solicitadores.
ou seja, o Estado não mete lá nem um tostão. isto é, funciona como um ppr, não como o regime geral da ss.
ex-fp legalmente espoliado , 27 Agosto 2013
...
ex-fp, não é bem assim...
Então e a permilagem das custas judiciais que tem beneficiado a CPAS?...
Alberto , 27 Agosto 2013
...
Super-reformas?

E então as super-reformas dos magistrados jubilados?....

É só ler o DR todos os meses, poucas ou nenhuma são inferiores a 4000,00€.... isto para não falar do subsídio da renda de casa (+- 700€) que se soma à pensa de jubilação...

Sr Dr , 28 Agosto 2013
...
Segundo o meu último recibo, os meus descontos globais mensais ascenderam a € 2.692,46. Mas antenção, não espero nem terei direito a reforma nenhuma!

De todo qual foi a carreira contributiva destes beneficiários? Descontaram sempre para terem este nível de reforma? Advogados? Ummmm, non lo creo...

Já agora, se eu fosse o BOA gritava que isto era algo de inacreditável. Não é o que a criatura sempre faz quando um juiz se reforma?
Sum Tzu , 28 Agosto 2013
...
Meu Caro Sr Dr, os Juízes descontam toda a vida sobre 100% do vencimento. Os advogados fazem o mesmo (relativamente ao seu rendimento, claro)? Sim, se há quem acredite no Pai Natal, também haverá quema credite nisso!
Não se confunda as coisas... , 28 Agosto 2013
...
Caro Sun Tzu

Independentemente daquilo que pensa sobre os Advogados, as reformas destes resultam daquilo que descontaram. Não há tempo contado sem descontos e, por exemplo, se quiserem ver contado o tempo de estágio - mesmo quando não ganharam um tostão - têm de o requerer e pagar as contribuições correspondentes.
Um Advogado de escassos rendimentos - ou um sovina - contribuirá pelo valor mínimo e terá uma pensão calculada sobre esse valor de acordo com o tempo de descontos.
Um Advogado com rendimentos de luxo contribuirá - se o entender - por um valor máximo (porque há um tecto, ainda que elevado) e receberá de acordo com idêntico cálculo.

Quanto aos seus descontos, vamos distinguir: quanto é que foi de retenção do IRS, de ADSE, de outras contribuições diversas ou, de forma mais simples: quanto é que descontou para a CGA? Porque só esse desconto é que é comparável. Ou julga que os Advogados não têm tambem de fazer retenções de IRS? E parece-lhe que, se tiverem bom senso, podem dispensar um seguro de saúde (que pagam) para si próprios e para a sua família?
Mário Rama da Silva , 28 Agosto 2013
...
Isto dá vontade de rir...os juízes que leiam o comentário do Mário Rama da Silva. Juízes confundirem descontos com retenção de IRS...ainda estes senhores analisam insolvências...
Carlos Luis , 28 Agosto 2013
...
A diferença é fácil de entender
Um magistrado desconta sempre sobre a totalidade do seu rendimento. Não pode exercer qualquer outra actividade remunerada e porque desconta sempre sobre a totalidade, fica enquadrado nos escalões máximos de descontos, que se reflectem no seu rendimento líquido, o que não sucederia se só descontasse sobre um valor diverso, porque ficaria com maior rendimento disponível.
Um advogado ou qualquer outro profissional liberal desconta sobre o que declara. Por essa via todos os demais descontos (IRS, etc.) são de valor inferior e o seu rendimento líquido é muito superior (e até consegue obter subsídios). Muitas receitas dos advogados nem sequer entram no cálculo do rendimento por serem qualificadas de «por conta de despesas» que depois reduzem ao seu lucro tributável. Com tudo isto, conseguem juntar um pecúlio muitas vezes superior ao que seria correspondente a uma «pensão de luxo» como querem imputar aos magistrados, pecúlio esse completamente à margem de qualquer incidência fiscal.
Para bom entendedor meia palavra basta, mas se for preciso um desenho, basta pesquisar na net que há muitos.
Alberto , 28 Agosto 2013
...
Pois parece que há muito advogado que nem sequer as contas sabe fazer.
Ora vamos explicar ponto por ponto para ver se percebem.

A, juiz, aufere € 4.000 ilíquidos mensais.
Desconta 35% de IRS (€1400), 11% CGA (€440) e 2,25% para ADSE (€90).
Fica com um rendimento líquido de € 2070.

B, advogado, aufere os mesmos €4000 mensais (+outros rendimentos que não contabiliza como tais, benefícios extra tipo leasing automóveis e outros encargos que imputa na sua contabilidade como despesa) mas DECLARA auferir € 3000.
Desconta 25% de IRS (€ 750) e paga 17% no 6.ª escalão para a CPAS (€ 494,70).
Claro que o desconto do IRS só é contabilizado no final do ano no acerto final.
Fica com um rendimento líquido sobre o DECLARADO médio mensal de € 1755,30.
+ os tais €1000 que não declarou (limpinhos de todos impostos), fica com um rendimento líquido efectivo de € 2.755,30. Portanto, mais € 755 do que o juiz que em termos ilíquidos "ganha o mesmo" e vai depois receber a "reforma de luxo". Com esses € 755 por mês x muitos anos, é uma reforma mais que luxuosa, tudo de valores ocultados à administração fiscal.
Como declarou menos, vai ter mais benefícios fiscais e até pode candidatar-se a subsídios que o que é obrigado a descontar por mais está automaticamente excluído.
Agora faça-se as contas se só declarar 2xSMN...
Zita , 28 Agosto 2013
...
tentei submeter um comentário, mas por algum motivo não chegou à inverbis. adiante, como já foram ultrapassadas as minhas considerações, não me vou dar ao trabalho de as reescrever.

só recupero o essencial: alberto, tem razão, não contabilizei a permilagem das custas. ainda assim, e a benfício do rigor, essa permilagem sai dos bolsos dos contribuintes litigantes e não do oe. penso.

em relação aos comentários que antecedem, só faço uma observação: ou se discute com base na fisiologia, ou com base na patologia. uma coisa é certa: quem tem "super-reformas" como advogado, descontou para tal.

pena é que todos sem excessão (e eu falo com o necessário distanciamento, uma vez que desconto para a cpas como beneficiário extraordinário e tenho familiares e amigos magistrtados, judiciais e do mp) não se preocupem, isso sim, que, paulatinamente, a nossa velhice e o nosso direito à segurança na mesma sejam exterminados e andemos sim a discutir o que ganham uns e outros com a tão lusitana inveja.

parabéns, tulius detritus, é mais fácil separar os juristas lusitanos que a pequena aldeia gaulesa...

ex-fp legalmente espoliado , 28 Agosto 2013
...
Um advogado a declarar todos ou nem que seja 10% dos seus rendimentos do trabalho?!?! ah! ah! ah! ah! Tretas.

Seria nulo, anulável ou inconstitucional Srs. Juízes da Instância Superior (escolham porque eu não sei) !!!

P.S.: É claro que o recurso vinha sem conclusões, com o protesto juntar procuração e inúmeros erros ortográficos.
Contribuinte espoliado , 28 Agosto 2013
...
Tá mais que visto e revisto, que os juízes são os supra sumos da inteligência...Para quê necessitar de políticos?
São mestres na matemática e na fiscalidades. Para vossa informação os advogados a recibos verdes descontam e pagam bem mais que V.Ex.as...
Não esquecer que V.Ex.as são funcionários públicos e vivem com o dinheiro dos impostos...tem rendas, regalias, um horário diminuto...
Defensor Oficioso , 28 Agosto 2013
...
ex-fp:
Não é bem assim. O desvio desses recursos das custas que seriam uma receita do Estado em favor da CPAS implica que o «buraco» de tais recursos seja preenchido com ... impostos ... de quem é tributado sobre todo o seu rendimento e não apenas do que decide declarar.

Defensor Oficioso:
Saber fazer contas é o básico. Bem sei que muitos advogados não sabem fazer contas, salvo quando se trata dos seus honorários, mas é problema que me ultrapassa.
Gostaria de ver a sua declaração de rendimentos. Quiçá não paga 1/10 do que eu pago. É que descontar 35% do que se quer declarar é diferente de descontar de 35% de tudo o que se aufere.
Os juízes não são funcionários públicos. São titulares de um órgão de soberania, algo que os advogados se mordem de inveja. Mas é mais um problema do foro psiquiátrico do que outra coisa. Mas ser funcionário não é nenhuma vergonha. Os funcionários públicos pagam todos os seus impostos. Já o mesmo não pode ser afirmado da classe dos advogados, não é?
Já agora, os advogados não vivem com o dinheiro dos impostos? São só os agentes do Estado? È que estes recebem pelo seu trabalho, mas também contribuem e mais do que os do privado. Mas os do privado têm o mesmo SNS, escolas, polícias, protecção civil, etc., tudo com base nos impostos de quem tudo vê descontado e não dos que fogem a sete pés dos impostos, com os profissionais liberais muito à frente.
Finalmente, não sei o que são rendas. Talvez o sr. defensor oficioso o saiba, porque deve viver da renda das oficiosas. Não sei a que regalias se refere, pois deve estar a viver noutro país. Já agora, troco de bom grado o meu horário de 14 horas diárias, incluindo fins de semana e "férias" pelo horário diminuto dos defensores oficiosos que nem sequer abrem a boca e já estão a ganhar 102 euros... enquanto o juiz tem todo o trabalho de condução da audiência e da decisão.
Passe bem.
Alberto , 28 Agosto 2013
...
Claro Sr. Alberto, você não sabe o que é regalias, rendas...são vocabulários que não o assistem! Agora sabe bem e acusa em modo geral de os advogados não declararem os seus rendimentos. Porque não colocar em causa esta classe? Por nós e por alguns clientes tudo bem, chutamos para os juízes e vocês resolvem todo e qualquer problema.
São funcionários públicos, com todos os direitos daí inerentes.
Se não está dentro da lei problema seu, mas os advogados só tem dto a 30% das despesas e com o novo orçamento de estado a 25%. Portanto não atire areia para os olhos, que as pessoas são são parvas.
Defensor Oficioso , 28 Agosto 2013
...
Sr. Defensor dos criminosos e dos que fogem ao fisco: os meus pais ensinaram-me a não atirar pérolas aos porcos. Portanto, fique lá com a sua teoria dos funcionários públicos, que a constituição deste país não acolhe, fique lá com as rendas que eu não sei o que são e fique também com o 25% de despesas que confessa pode debitar em seu benefício e que os que trabalham no sector público e como titulares de órgãos de soberania em regime de exclusividade não o podem fazer.
Quanto a areia, este ano não sei o que é, porque não tive ainda férias. E não costumo atirar nada aos olhos das pessoas. Quanto à parvoíce, desconheço se há tratamento, porque foi vírus que não me atingiu. Veja lá mas é se ao menos sabe pedir justiça em condições, que estou cansado dos impostos que eu pago e que o senhor por não declarar deles foge, continuem destinados a um servidouro que ficou imune às reduções de rendimentos. E por aqui me fico, que já gastei demasiado tempo com quem vive à custa dos meus impostos de todo o rendimento que não oculto.
Alberto , 28 Agosto 2013
...
Falou-se sobre os PRIVILÉGIOS dos advogados que fazem leis em causa própria e vieram para aqui carpir quais virgens ofendidas.
Sim, tal como o Alberto perguntou: as escandalosas tabelas de honorários dos defensores oficiosos sofreram alguma redução ou quando se trata de cortar é só para quem paga impostos?
Pois, não convém falar, eu sei...
integral , 28 Agosto 2013
...
alberto,

compreendo-o perfeitamente e tem razão, mas não retira completamente a minha. em bom rigor, inexiste transferência orçamental. quanto a transferência económica, já é outra conversa.

do meu ponto de vista, porém, o mais importante é o seguinte: o acesso à Justiça devia ser gratuito, veja lá. e já agora outra pérola: enquanto fui advogado, declarei tudo o que recebi. e da minha família, alguém que também foi advogado e agora é magistrado, também. acho intolerável a fuga ao fisco seja qual for a classe profissional, mas também as generalizações. e apesar dos votos negativos, repito: parabéns ao poder executivo. descobriu o que move e distrai os portugueses: a inveja.

como afirmou Terêncio, "A condescendência cria amigos, a verdade só cria ódios ."

ex-fp legalmente espoliado , 28 Agosto 2013
...
Exmo. Alberto - 28 de Agosto de 2013

Já agora, troco de bom grado o meu horário de 14 horas diárias, incluindo fins de semana e "férias" pelo horário diminuto dos defensores oficiosos que nem sequer abrem a boca e já estão a ganhar 102 euros... enquanto o juiz tem todo o trabalho de condução da audiência e da decisão.


A advocacia espera ansiosamente por si (e também parece ansiar por ir ao encontro dela)!smilies/grin.gif
Suits , 29 Agosto 2013
...
Suits, não coloque na minha boca o que não disse.
Escrevi que trocava o horário, não a profissão.
Também não me importo de trocar o que ganho num turno durante todo o dia pelo que um advogado de escala recebe num único processo de cinco minutos só por dizer «peço justiça». É que o que este ganha é três vezes mais do que eu ganho o dia inteiro por muitos processos e muitas sentenças. Deve ser uma das tais regalias imputadas aos juízes.
Alberto , 29 Agosto 2013
...
alberto,

e sabe quando são pagos tais honorários?
ex-fp legalmente espoliado , 29 Agosto 2013
...
É de tão baixo nível ainda verificar que certos juízes acham que os advogados conseguem sobreviver à custa das oficiosas.
1.º Estas não são pagas há anos
2.º Não pagam as despesas
3.º Trabalhamos bem mais horas que V.exas e não temos regalias...
José Frasco , 29 Agosto 2013
...
Vamos ser frontais: este estado de pouca vergonha só está assim porque os magistrados - enquanto trabalhadores que são - não protestam, não ajem, não fazem greve, como qualquer outro trabalhador faz.

Qualquer defensor oficioso ganha mais por um processo sumário de 15 minutos de audiência em que nada faz (e, regra geral, em bom rigor nada há para fazer) que um juiz de 1ª instância aufere num dia de trabalho.

Sempre critiquei os colegas que se "amarram ao estatuto" e vivem "levando P***ada".

Já agora, os que defendem a justiça gratuita são aqueles que não sabem o que é pagar IRS.
Contribuinte Espoliado , 29 Agosto 2013
...
Caro Alberto, você é pago com os impostos de todos os portugueses em geral. Não teve férias este ano? Então diga-me lá ficou a trabalhar todos estes meses. Deve ter é tido férias a mais que qualquer português em geral.
O meu débito das despesas correspondem à prática fiscal, à minha actividade, não no seio de IVA mas de IRS. Ou terei de lhe explicar isto já que V.exa revela muitas dúvidas? O que me parece é que você rói-se de inveja com os advogados que recebem mais que você.
Os Oficiosos só tem prejuízos ultimamente, não tem nada que nos invejar a nós, por fazendo uma relação custo vs proveito estamos em claro prejuízo. Agradado?
Defensor Oficioso , 29 Agosto 2013
...
sei sim, contribuinte espoliado. até o pagava quando era advogado.
o bom julgador a si mesmo se julga.
não avalie os outros pelo que faria (ou gostaria de fazer) se estivesse no lugar deles.
ex-fp legalmente espoliado , 29 Agosto 2013
...
Parece difícil discutir estes temas sem logo virem as acusações mútuas: uns e outros atribuem-se privilégios que, quando existam, podem ser, ou não justificados mas que desviam a discussão do essencial sem que, sequer, sejam muito relevantes.
Por outro lado, é inevitável surgirem comentadores, aparentando ser Juízes, que, depois de afirmar que os Juízes só podem exercer a sua activiade de Juiz, acusam os Advogados de fugir ao fisco e, assim, se subtrairem ao IRS.
Não há dúvida de que isso acontecerá, tal como na generalidade das profissões liberais - que se caracterizam pelo risco da incerteza do trabalho e do rendimento que os trabalhadores por conta de outrem e os Juízes não correm - mas isso é difícil para os Advogados de empresa ou que patrocinam sociedades já que estas gostam de justificar as despesas. Ora, é nesse leque de Advogados que se inserem os grandes contribuintes para a CPAS,os tais que ganham tanto ou mais do que um Juiz, que são os únicos que acabam por auferir pensões semelhantes às de um Juiz jubilado.

Já agora, contas e factos não são tão simples como alguns querem fazer crer.
Há Juizes que dão aulas e, em vez de serem remunerados por essas aulas recebem sob o eufemismo de direitos de autor sobre eventtuais sebentas. Será honesto ou será uma forma de tornear a exclusividade? E os tais direitos de autor entram na declaração de IRS pela porta normal ou por um campo mais favorecido? Logo, moralidades...
Por outro lado, a taxa de IRS não é determinada apenas pelos rendimentos de trabalho (isso era dantes com o Imposto Profissional) mas por todos os rendimentos auferidos. Ora, se os Juízes não fazem mais nada (excepto os tais direitos de autor) há Advogados que são obrigados a exercer outras actividades e a pagar impostos por elas.

Finalmente, é mais fácil encontrar nas listas mensais da CGA Juízes ou MP com pensões superiores a 4000 euros do que nas listas anuais da CPAS Advogados que aufiram tal montante de reforma.

Em suma, cada um recebe pelo que pagou com a diferença de que um é obrigado a pagar por aquilo que ganha e recebe em conformidade e o outro pode optar pelo escalão de contribuição de acordo com o que quer vir a receber e consoante aquillo que pode desembolsar todos os meses.

O resto é mesquinhez que este tipo de jornalismo, infelizmente, fomenta... sem esforço.
Mário Rama da Silva , 29 Agosto 2013

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