In Verbis


icon-doc
REVISTA DE 2012

Os impostos não sobem e os preços vão baixar

  • PDF

Baixa de preços, redução dos despedimentos, criação de postos de trabalho e até o desendividamento das empresas. O Governo alinhou um argumentário para justificai a bondade das mais recentes medidas de austeridade, traçando, num guião distribuído pelos ministérios, um cenário cor-de-rosa para os próximos tempos.

Entre as vantagens apontadas no guião, que a edição online do semanário "Expresso" ontem reproduzia, está a expectativa de uma baixa de preços, no caso das "empresas produtoras de bens não-transacionáveis". Ou seja, nas faturas da luz ou das telecomunicações (só a EDP, por exemplo, vai poupar 10,5 milhões de euros). O documento aconselha, aliás, uma "nota de exortação às empresas para que adiram a este esforço nacional de redução de custos e preços", prevendo, por esta via, e num ano (2013) em que os portugueses vão perder entre um e dois salários, um aumento do "rendimento disponível das famílias".

O autor do argumentário elenca uma série de outras vantagens do novo equilíbrio nas contribuições para a Segurança Social, forçando a nota no problema do desemprego. A redução da taxa social única "alivia a tesouraria" das empresas, o que permitirá "diminuir a pressão para os despedimentos". Mais ainda, no curto e médio prazo terá como consequência o aumento do emprego. Permite, ainda, o reforço dos "capitais das empresas". Com uma ressalva: o dinheiro "não vai para os bolsos dos patrões".

O que os destinatários do guião não podem permitir é que se fale em "aumento de impostos". Os trabalhadores pagarão mais, mas as empresas pagarão menos. Resultado: "como um todo, a economia não fica mais sobrecarregada com impostos/contribuições. Isso é que é importante salvaguardar".

Tal como é importante fazer passar a mensagem que não foi posta em causa a decisão do Tribunal Constitucional que ordenou a reposição dos subsídios à Função Pública e aos pensionistas. O TC, salienta o guião, não disse que o corte "não podia ser mantido", mas sim que "teria de ser acompanhado por uma contribuição do setor privado". Concluindo, o Governo até vai de encontro ao que foi pedido pelos juizes: "repartição dos sacrifícios".

Jornal de Notícias | 11-09-2012

Comentários (7)


Exibir/Esconder comentários
...
Uma canalhice pegada. Até o Paulinho voltou às feiras, embora por esse mundo fora!
Jesse James , 11 Setembro 2012
José Pedro Faria (Jurista) - Nonsense político
Esta cábula é o resultado do trabalho de um conjunto de assessores que recebem do Estado várias vezes mais do que a maior parte dos técnicos superiores de carreira, mas que têm a vantagem de despachar as "encomendas" solicitadas, de forma acrítica, com total respeito pela vontade dos "donos".

Quanto à cábula propriamente dita, ela é de tal modo disparatada, que, apesar de o assunto ser grave, é impossível não esboçar um sorriso de incredulidade.

Chamam-lhe "guião". Isso dá-me uma ideia: talvez este documento pudesse ser um bom guião para um filme de comédia de terror nonsense ao estilo de Mel Brooks. Talvez este Governo (incluindo assessores e outros colaboradores, de que é exemplo o funcionário Borges) esteja a desperdiçar talento e até pudesse ter êxito em Bollywood. Afinal de contas, Mumbai não fica assim tão longe.
José Pedro Faria (Jurista) , 11 Setembro 2012
...
Mas que palhaçada, o Governo rouba-nos e chama-nos burros!!!
Contribuinte espoliado , 11 Setembro 2012
...
Isto é tudo dito com ironia, certo???

Ou estão a gozar com a nossa inteligência?

Aguardamos por mais uma peça de teatro do nosso confrade chequedaminhavara subordinada a este tema...
Zeka Bumba , 11 Setembro 2012
...
O Sr. Gaspar pode mandar baixar a TSU e metê-la... (vêem? dão-lhes estes nomes amaricados, depois dá nisto: ficamos com vontade de fazer trocadilhos popularuchos...) na "conta-emprego" (Cf. http://sol.sapo.pt/seccao/inte...t_id=58921 ) que ele quiser.

O que me preocupa mais é o esforço que vai ser pedido ao cidadão português trabalhador!...

Eu não acredito, mas para celeridade da discussão, até vou dar de barato que a diminuição da TSU (da parte da entidade empregadora) vai contribuir bastante: 1) para que o desemprego não aumente; e 2) para que aumente os (ridículos!) 1 a 2% anunciados pelo Ministro.

Agora da parte do trabalhador... é que eu não percebo. Quando na 6ª feira ouvia o PPC, até me ia dando uma coisa quando, a seguir ao anúncio da redução da TSU, veio, acto contínuo, o anúncio do aumento da contribuição à SSocial.

Mas tá tudo grosso?

Ainda pensei: "vão fazer da SS uma coisa com taxas progressivas, é isso. Finalmente!, ainda pensei. Os 18% seriam para os que ganham mais, e os que, trabalhando, vivem na miséria, até seriam desonerados parcialmente". Mas não!

Como se pedir 18% sobre o rendimento tributável a quem ganha 1000 fosse o mesmo que pedir os mesmos 18% a quem ganha 4000!

Pensava que tínhamos Ministro para fazer o que nenhum teve coragem de fazer, que era a reforma da SS. Afinal o Sr. vai fazer-lhe o enterro, mais o daqueles que para lá contribuem!
Gabriel Órfão Gonçalves , 11 Setembro 2012
...
... e eu acredito no Pai Natal!
Crédulo , 12 Setembro 2012
...
Por sorte temos gente muito inteligente a fazer guiões; ou pelo menos não lhes falta descaramento...
Franclim Sénior , 17 Setembro 2012

Escreva o seu comentário

reduzir | aumentar

busy

Últimos conteúdos

A estrutura da InVerbis está organizada por anos e classificada nos correspondentes directórios.Os conteúdos publicado...

O Estado assumiu, através da empresa pública Parvalorem, a dívida de quase 10 milhões de euros de duas empresas de Vítor...

Dos 118 homicídios cometidos em 2012, 63 tiveram familiares como protagonistas • Cinco pais e 18 padrastos detidos por a...

Pedro Lomba - Na primeira metade do ano o ajustamento negociado com a troika correu dentro do normal e expectável. Mas d...

Últimos comentários

Tradução automática

Atualidade Sistema Político Os impostos não sobem e os preços vão baixar

© InVerbis | 2012 | ISSN 2182-3138 

Sítios do Portal Verbo Jurídico