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REVISTA DE 2012

Bandeira ao contrário

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A bandeira virada ao contrário já significou território ocupado e o presidente da Associação de Oficiais de Forças Armadas (AOFA) defende que há semelhanças com a «invasão económico-financeira do país» na sequência do pedido de assistência à 'troika'.

Em declarações à agência Lusa, o coronel Pereira Cracel explicou que a bandeira hasteada ao contrário "sinaliza que o local está dominado pelo inimigo e é o envio de um pedido de socorro".

De acordo com o presidente da AOFA, essa sinalética seria utilizada em conflitos anteriores às Grandes Guerras, tendo atualmente caído em desuso.

Sublinhou, por outro lado, que o incidente de hoje, associado à forma como decorreram as comemorações da implantação da República, acaba por ter outro significado.

A cerimónia do hastear da bandeira, que deu início às comemorações oficiais do 05 de Outubro, ficou marcada pelo hastear da bandeira nacional com o escudo ao contrário pelas mãos do Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Em contexto militar, explicou o coronel Cracel, um país pode ser invadido e isso traz normalmente várias variáveis, como a invasão, o colaboracionismo de algumas elites, a violência contra as populações e as detenções.

"Se transpusermos isso para a situação que vivemos, de algum modo é aquilo a que estamos a assistir. Não é uma invasão militar, mas é uma invasão económico-financeira, em que os ingredientes não diferem muito daquilo que acontece com uma invasão militar", apontou Pereira Cracel.

Acrescentou que, tal como numa invasão militar, o pedido de resgate financeiro de Portugal à União Europeia trouxe "um inimigo, um adversário que impõe as suas regras, violentando, com a colaboração de alguns", apontando que também já surgiu a variante "resistência".


Cavaco: o nosso sacrifício tem de ter um propósito

O Presidente da República frisou hoje que o seu papel é estar acima dos conflitos e advertiu que «o nosso sacrifício tem de ter um propósito» e Portugal uma linha de rumo de médio e longo prazo.

Cavaco Silva falava nas comemorações da República, este ano no Pátio da Galé e não como era tradicional no Largo do Município, após o discurso do presidente da Câmara de Lisboa, António Costa.

A cerimónia ficou marcada por momentos polémicos como o hastear da bandeira nacional ao contrário e a confusão durante o discurso de Cavaco quando duas mulheres irromperam pela sala com protestos.

«Nos termos da Constituição, o Presidente da República deve situar-se numa posição suprapartidária, acima das controvérsias políticas que marcam o dia-a-dia, pois só assim poderá ser moderador em caso de conflitos, promotor de consensos, actuar com isenção e imparcialidade», disse o chefe de Estado.

Cavaco Silva salientou que Portugal tem de conseguir a sua autonomia financeira face ao exterior, mas vincou que esse objectivo «ainda não foi alcançado» e que estão a ser pedidos grandes sacrifícios aos portugueses.

«Tão absorvidos que estamos pelas dificuldades do presente que rapidamente podemos perder o sentido do futuro. Por muito difícil que seja o presente, não podemos abdicar de uma linha de rumo que nos sirva de orientação, uma estratégia nacional que antecipe os desafios que iremos enfrentar num horizonte de médio e longo prazo», salientou o Presidente da República.

Neste contexto, o chefe de Estado deixou uma mensagem muito directa: «Se não soubermos o que queremos amanhã, de pouco adiantam os sacrifícios que temos de fazer hoje. O nosso sacrifício tem de ter um propósito, um sentido, uma razão de ser».

«Não atravessamos dificuldades unicamente para corrigir os erros do passado recente, mas também para encontrar um rumo de futuro», insistiu Cavaco Silva.

Lusa/SOL | 05-10-2012

Comentários (7)


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...
Tal bandeira tal presidente da república. Este sr. silva consegue ser bem pior do que o W. Bush e o Nixon juntos. É o Bernardino Machado da 3.ª república.
Zeka Bumba , 07 Outubro 2012
...
qual futuro ?, com as empresas a encerrarem, como solução para o futuro ? com um aumento do desemprego, é uma solução para o futuro ?, castigando e explorando o povo extorquindo as parcas economias é um futuro ?, de quem a final o futuro para os governantes, escravizando a sociedade em geral.
armando , 07 Outubro 2012
...
O engano foi mesmo a calhar.
Bando de nabos nem sabem colocar a bandeira direita.
Incompetentes.
Ai Ai , 07 Outubro 2012
Luisa Trindade!
Esta SENHORA - LUISA TRINDADE - representa-me CONDIGNAMENTE!
Ainda há PORTUGUESAS COM GRANDES GÓNADAS!

MAIS UMA HEROÍNA NESTE PAÍS DE FALSOS HERÓIS!
REPÚBLICA , 07 Outubro 2012
...
Porque não pode ser reposta a legalidade quando o PR verificou que a Bandeira estava a ser içada de escudo para baixo? Muito gosta esta gente degerar polémica onde esta não existe.
Porque não perguntar antes, a quem cabe a culpa de retirar as celebrações da rua? Eles, os partidários estavam dentro da sala e não sussuraram. Ainda estavam a dormir. Afinal quem tem medo do povo? O povo que até esteve ausente. Será que já sabia e não se veio manifestar? Continuamos muito rosa, ainda. Mas rosa de um lado e laranja do outro, só nos resta espetar, esquerda e direita dentro do buraco do BPN
Matemática , 08 Outubro 2012 | url
E se...
"O engano foi mesmo a calhar.
Bando de nabos nem sabem colocar a bandeira direita.
Incompetentes" [/i


E se não foi incompetência mas antes um protesto? (Pura especulação minha)
Portugal não está sitiado pela troika?
Um ressabiado , 08 Outubro 2012
Símbolo
O chocante (para mim,) é o facto de no dia da ode à Republica, cujo seu maior símbolo (físico) é hasteado com pompa e circunstância pelo chefe de estado, e sob olhar embevecido de tanto republicano, nenhum tenha reparado no erro. Ou então pior: viram e assobiaram para o lado, à semelhança do que tem feito com os problemas do país nos últimos anos...
aluz , 08 Outubro 2012

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