In Verbis


icon-doc
REVISTA DE 2012

Augusto Mateus - "Daqui a um ano teremos o mesmo problema"

  • PDF

O economista Augusto Mateus diz que a concretizarem-se as medidas de austeridade anunciadas e se o Governo não corrigir a sua estratégia, daqui a um ano Portugal estará com os mesmos problemas que tem hoje.

"O que está anunciado [para o Orçamento de 2013] significa que, grosso modo, daqui a um ano teremos o mesmo problema que temos agora e que dará aos portugueses uma desesperança total", lamenta o economista em entrevista à Lusa.

"Estaremos a perceber que apesar de aumentarmos muito as taxas dos impostos, os impostos arrecadados não vão crescer aquilo que se pensava e ao não crescerem aquilo que se pensava vão precipitar em baixa aquilo que é um não cumprimento das metas de défice traçadas", assegura o professor universitário.

O Governo anunciou no dia 03 de outubro "um enorme" aumento de impostos, nas palavras do ministro das Finanças, com especial incidência no IRS, com uma redução de escalões de oito para cinco e a criação de uma sobretaxa de 4%.

Foram ainda anunciadas mexidas de agravamento no IRC e nos impostos sobre o consumo.

Em 2013 haverá ainda um agravamento do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI), por via da reavaliação aos imóveis que está a ser feita desde o final de 2011.

É neste cenário que Augusto Mateus diz que Portugal ainda não atingiu um ponto de rutura, mas também admite que os próximos seis meses são determinantes.

"Este é o momento da inteligência, é o momento em que se percebe que esta estratégia é incompleta e desse ponto de vista está destinada ao fracasso", alerta Augusto Mateus.

E portanto, adianta o antigo ministro da Economia do Governo socialista liderado por António Guterres, este "é o momento de tornar a estratégia completa" revendo "o grau de inteligência da austeridade, sobretudo na redução do impacto negativo sobre as variáveis chave e a variável chave é o investimento privado". Mas também é o momento para o Governo levar a cabo "políticas de competitividade e de promoção do investimento".

Se nada for feito nesse sentido, Augusto Mateus alerta que "entraríamos num ponto de rutura no sentido de que seria irreversível que a economia portuguesa se ajustasse mais abaixo do que pode ajustar. Em que os sacrifícios e a destruição de valor fossem mais longe do que deveria ou poderia ir".

"Ainda não estamos aí, mas lá chegaremos se nos próximos seis meses, sensivelmente no fim do primeiro trimestre de 2013, não tivermos sido capazes de corrigir esta estratégia. Seguramente aí estaremos no início de uma espiral depressiva e de um crescimento ainda mais significativo do desemprego e de uma situação muito difícil para as empresas e para a sociedade portuguesa no seu conjunto".

Questionado se podemos chegar à necessidade de reestruturar a dívida, o economista responde: "Restruturações de dívidas, coisas mais radicais, serão inevitáveis se isto descarrilar, mas para agora basta corrigir o que está errado, do lado da inteligência na austeridade, e completar do lado de uma estratégia económica verdadeira onde a austeridade e a estratégia financeira possam entrar e ter o seu lugar".

Por último, Augusto Mateus deixa um apelo: "É preciso que as pessoas sintam que a terra não lhes está a fugir debaixo dos pés que é o que toda a gente sente".

O professor universitário diz que o pior que poderia acontecer, neste momento, era Portugal somar à crise económica uma crise política, mas também não esconde que a democracia tem sempre soluções.

Portanto, "é preciso que o Governo, seja ele qual for, seja este com as correções internas ou externas que possa sofrer, seja qualquer outro (...), que alguém com responsabilidade ajude os portugueses a perceber que tem os pés em terreno firme. Isto é, caiu, está numa situação mais difícil do que estava, mas pisa terra firme, o que as pessoas sentem é que não pisam terra firme, não sabem o que é o futuro, não sabem o que é o presente e, portanto, isso é essencial".

Lusa/Paula Morato | Diário de Notícias | 09-10-2012

Comentários (8)


Exibir/Esconder comentários
O mesmo?
Pior. A questão de fundo está por resolver e chama-se Grécia, Portugal e Espanha. Toda a gente sabe que a Espanha é demasiado grande para ser resgatada ao mesmo tempo que duas economias que se afundam. Se fosse só a loucura lusa...
Donde vêm os euros que o BCE investe, tem investido e terá de continuar a investir na compra de obrigações soberenas destes desgarrados? Das rotativas de fazer notas. Se continuarem a fazer o mesmo voirá a inflacção e a depreciação da moeda da UE. Acresce que a FED faz o quê senão imprimir papel? Quem vai querer guardá-los como investimento ou refúgio? Perderam a aposta na Venezuela e vão perdê-la em todo o lado porque têm o passado que têm e nós UE temos ido a reboque.

Fazia-lhes falta uma guerrinha bruta mas com quem sem o risco de chegar fogo a tudo? Não há saída. É uma questão de tempo a não ser que de uma vez por todas USA e UE se convençam de que já não são os senhores do mundo, nem sós nem de mãos dadas. O Euro só pode manter-se como moeda conveniente aos mais ricos da UE se Portugal, a Grécia e a Espanha não puderem contaminá-lo mais. Por isso as medidas que terão de ser tomadas para os por de quarentene até ver, sem os retirar da UE, tardam.
Barracuda , 09 Outubro 2012 | url
...
O mesmo não, nem será daqui a um ano, daqui a poucos meses, Portugal estará na bancarrota.
Defensor Oficioso , 10 Outubro 2012 | url
...
Já não temos classe média mas diferenças entre burgos e pobres...E damos crédito a estes Economistas que vivem do Lobbie e da compadrio...Deu alguma novidade? Enquanto dermos espaço a estes corruptos, tais como sociedades de advogados e de economistas o qual este Economista tá ligado o País não avançará rumo a um novo País...Pois estes falam falam mas continuam a m***r à grande...
António , 10 Outubro 2012
...
Que fixe, aqui há dias foi por um parecer 61.000 Euros, agora é por 5 dias úteis quase 30.000 Euros...

http://www.base.gov.pt/base2/html/pesquisas/contratos.shtml#331109
Francisco , 10 Outubro 2012
Este é um país pobre com alguns tipos a querer ser milionários a todo o custo....
Este é um país pobre com alguns a manobrar para serem milionários. Como é que se pode aturar estas diferenças de reformas..uns com 7000 euros, a maioria com 200 euros e as diferenças salariais cujo valor é muito maior para uns tipos... que vendo bem não trabalham nada. Aliás não é admissível que o governo tenha tantos especialistas como quase o número total de deputados. Nem que existam estas diferenças salariais que só faz aumentar a mediocridade. ´Na justiça é a mesma coisa....Não se justifica reformas milionárias no TC...Enquanto nuns países reduz-se os impostos e aumentam o salário mínimo, neste é tudo ao contrário. "Eles comem tudo" e quando o resto se parte quem paga é o zé povinho... É o país da hipocrisia.
Menina de Laçarotes , 10 Outubro 2012
...
Este senhor, independente daquilo que diga, devia era ter vergonha por aquilo que fez a este país.

Veja-se o aeroporto de Beja, em que a sua ilustre empresa de consultadoria afirmou:
«Plataforma Logística para a carga a receber e a expedir de/para a América e África, incluído o transporte de peixe, utilizando aviões de grande porte e executando em Beja o "transhipment" para aviões menores para a ligação com os aeroportos europeus, ou recorrendo ao transporte pelas vias terrestre e marítima».
(«Plano Regional de Inovação do Alentejo», de 2005, da Augusto Mateus e Associados, pp. 136-137)

Estes pseudo analistas/economistas/politólogos, comentadores de pacotilha, que vêm para a praça publica falar como se fossem virgem ofendidas pela situação do país, esquecem o seu passado e o quanto contribuíram para a situação atual.
ATÉ METEM RAIVA

Luis Costa , 10 Outubro 2012 | url
...
Corrigir a estratégia do governo passa também, e como medida prioritária, por repor as competências e a dignidade da Função Pública, acabando com o clube de predadores privados que arrebatou os serviços do Estado, empurrando os funcionários públicos para a prateleira e para o desemprego e ficando senhora dos conhecimentos técnicos respeitantes aos mesmos serviços. Predadores de entre os quais há que contar a Augusto Mateus e Associados-Sociedade de Consultores
http://www.base.gov.pt/base2/h...teid=1239
Maria do Ó , 11 Outubro 2012
...
Corrigir a estratégia do governo passa também, e como medida prioritária, por repor as competências e a dignidade da Função Pública, acabando com o clube de predadores privados que arrebatou os serviços do Estado, empurrando os funcionários públicos para a prateleira e para o desemprego e ficando senhora dos conhecimentos técnicos respeitantes aos mesmos serviços. Predadores de entre os quais há que contar a Augusto Mateus e Associados-Sociedade de Consultores
http://www.base.gov.pt/base2/h...teid=1239
Maria do Ó , 11 Outubro 2012

Escreva o seu comentário

reduzir | aumentar

busy

Últimos conteúdos

A estrutura da InVerbis está organizada por anos e classificada nos correspondentes directórios.Os conteúdos publicado...

O Estado assumiu, através da empresa pública Parvalorem, a dívida de quase 10 milhões de euros de duas empresas de Vítor...

Dos 118 homicídios cometidos em 2012, 63 tiveram familiares como protagonistas • Cinco pais e 18 padrastos detidos por a...

Pedro Lomba - Na primeira metade do ano o ajustamento negociado com a troika correu dentro do normal e expectável. Mas d...

Últimos comentários

Tradução automática

Atualidade Sistema Político Augusto Mateus - "Daqui a um ano teremos o mesmo problema"

© InVerbis | 2012 | ISSN 2182-3138 

Sítios do Portal Verbo Jurídico