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REVISTA DE 2012

Anúncio de emprego do IEFP revela «cunha»?

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«SÓ ADMITIR A VERA PEREIRA». Foi assim, com letras maiúsculas, que o Instituto de Emprego e Formação Profissonal (IEFP) publicou um anúncio de emprego. Divulgou o nome da candidata na alínea «outros conhecimentos».

Pelos vistos, o «dono» deste posto de trabalho já tinha sido previamente escolhido. A «dona», neste caso.

A oferta de emprego, para o Centro Paroquial de Santa Maria, Tavira, exige aos candidatos uma licenciatura em educação de infância.

Entre as condições impostas, os potenciais interessados teriam de estar inscritos há mais de seis meses no Centro de Emprego.

O salário, de 833 euros, parece que já tem então destinatário certo. Vera Pereira, nome que terá sido publicado por lapso, corresponderá, assim, à pessoa que a entidade empregadora pretendia para o cargo.

Este anúncio está a ter ampla difusão nas redes sociais. Entretanto, o site do IEFP já retirou o nome que está a causar polémica.

Numa nota enviada à Agência Financeira, o IEFP disse que «a situação identificada é perfeitamente normal, enquadra-se nos procedimentos previstos e estipulados para as ofertas de emprego apresentadas com o propósito de as empresas formalizarem candidaturas à medida Estímulo 2012».

O IEFP admite que houve um «lapso». «O lapso registado no procedimento foi apenas a evidência do nome da candidata desempregada apresentada pela entidade empregadora».

Neste caso, acrescentou, «a entidade tinha identificado a pessoa desempregada a contratar pelo que procedeu à respetiva apresentação para a oferta em questão, decorrendo o processo de aferição relativamente à candidata apresentada de reunir os requisitos de elegibilidade da medida Estímulo 2012, razão pela qual a oferta de emprego permaneceu ativa no portal Net Emprego».

De qualquer modo, o IEFP reconhece que «não deveria ter sido evidenciado o nome da pessoa desempregada apresentada pela entidade empregadora, o que aconteceu por lapso».

Agência Financeira | 28-08-2012

Comentários (12)


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Trafulhice
Mais uma de "gato escondido com rabo de fora".
Será que alguém vai apurar este esquema e punir o seu autor?
Luis , 28 Agosto 2012 | url
Espanto!?
Não é novidade nenhuma.
Até para se arranjar um emprego, mais ou menos decente, pelo IEFP, é preciso a nossa velha amiga "cunha".
É mais do que sabido pelos corredores dessa grandiosa e inútil instituição que certos empregos não chegam sequer a ser anunciados, são atribuídos a certas pessoas diretamente, e quando não o são, tem este tipo de "requisito obrigatório".
... , 28 Agosto 2012
...
Portugal está muito longe de ser uma méritocracia...
Tristeza , 28 Agosto 2012
...
O Mº Público não tem aqui matéria para investigar?
Indignado , 28 Agosto 2012
...
1. Parece que não é ilegal pois não se trata de concurso público..., como se nos concursos públicos as coisas fossem diferentes...

2. Sabiam que agora o IEFP anda a convocar licenciados desempregados para terem formação com alunos do 9º ano? A recusa implica perder o subsídio. Quando em setembro me calhar ser convocado novamente, depois venho aqui contar o que fiz.
Franclim Sénior , 29 Agosto 2012
...
Mas isto é o pão nosso de cada dia desde há muito tempo neste retângulo à beira mar plantado. Qual é a admiração?
Zeka Bumba , 29 Agosto 2012
...
Cunha?Não! Que ideia.
Deve ser uma jovem licenciada pela UNIVERSIDADE DE VERÃO.
Claro está!
O COMPADRE ALENTEJANO , 29 Agosto 2012
Gato escaldado de água fria tem medo
Um empregador privado pode recorrer ao IEFP para anunciar uma oferta de emprego, e pode escolher arbitrariamente o empregado. É um acto de direito privado. Contudo aqui pode acontecer estarmos perante uma contratação ao abrigo dum qualquer programa de incentivo ao emprego jovem ou outro tipo de incentivo, em que o empregador pode e deve candidatar-se apesar de já ter escolhido o empregado. Mais parece tratar-se de um lapso dos serviços do IEFP publicando como como oferta de emprego uma vaga já preenchida por uma determinada entidade patronal e que tinha única e exclusivamente a pretensão de usufruir dum incentivo ao emprego . Na minha modesta opinião parece-me não haver qualquer gravidade/irregularidade neste caso. Mais grave são os casos de concurso público para emprego público em que se inventam umas pseudo-entrevistas para escolher o candidato já pré-escolhido e como sabem raras são as excepções em que tal não acontece.
Toino , 29 Agosto 2012 | url
É vergonhoso
Se a entidade patronal queria admitir a V. P. (não se entenda VIPE) contactava-a directamente e não através do IEFP. Ao fazê-lo gastou recursos e gozou com dezenas de pessoas, para se auto-beneficiar. Quando será que os critérios mudam e os interesses pessoais deixam de ser tidos em conta quer nas admissões quer nas exclusões? Convém dizer que cunhas há para todos os gostos e é mau em todas as entidades, mas nas públicas devia haver um inquérito por uma organização independente (não pertencente ao Estado, claro).
É vergonhoso.
Raposa , 29 Agosto 2012
sem qualificativo
"...parece-me não haver qualquer gravidade/irregularidade neste caso"

Moralmente Inaceitável!...
Mesmo que se tratasse de uma contratação estritamente privada, o critério deveria assentar no mérito e não no conhecimento pessoal do interessado!...
Neste caso, existe a agravante de a entidade patronal pretender acader a benefícios / incentivos concedidos pelo Estado!...
Vir a público dizer que tal procedimento não enferma de qualquer irregularidade é de uma desfaçatez a toda a prova!...
Simplesmente inenarrável!...
Belucci , 30 Agosto 2012
...
onde está o meu comentário? É proibido falar em cunhas nas magistraturas?

Nota do Administrador:
Sra. Comentadora, submeteu o seu comentário ao item «Como voltar à constitucionalidade» e não ao presente. Queira verificar que o mesmo foi atempadamente publicado e, inclusivamente, existem várias respostas posteriores ao mesmo.
ana , 30 Agosto 2012 | url
Sugestão de Herr Flick
Desculpem a brejeirice, mas isto faz-me lembrar os velhos tempos das orais na Fac. Dto....

Sem ofensa à candidata escolhida neste concurso, sugiro que da próxima adoptem o meu critério:

contratar quem levar à entrevista o cinto mais parecido com uma mini-saia. Ou a mini-saia mais parecida com um cinto.

Pode ser um critério discutível (e qual não o é??????). Mas em caso de dúvida a régua mede a largura do cinto (a largura, não o comprimento!!!) e dita a vencedora. Em caso de empate verifica-se a copa daquilo que serve para soutenir

Eu entregava as minhas crianças a uma educadora de infância que fosse escolhida pelos requisitos acima apontados. Eu próprio, aliás, daria tudo para voltar a ser criança!

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Herr Flick, von GESTAPO , 30 Agosto 2012

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