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REVISTA DE 2012

700 euros por salário dividem médicos e Macedo

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Desde a greve dos médicos, em Julho, e ao fim de dez reuniões, ainda há 700 euros por salário a separar o ministro Paulo Macedo e os sindicatos. As negociações estão cada vez mais difíceis e, segundo apurou o SOL, cresce a possibilidade de ruptura, com os profissionais a ameaçarem ir para a rua e avançarem com novas formas de luta.

A última reunião está marcada para quarta-feira, e o mais recente anúncio de aumento de 7% da Taxa Social Única para todos os trabalhadores promete dificultar ainda mais. «É óbvio que essa medida faz com que aquilo que os médicos pretendem seja ainda mais difícil de conseguir», explicou ao SOL fonte ligada às negociações.

Em causa está o valor de cada hora de trabalho normal dos médicos, que vão passar a fazer um horário de 40 horas (em vez de 35 ou 42 como actualmente).

Os clínicos querem um aumento no valor de cada hora e apontam para um valor salarial base de 3.200 euros, ao qual deve ser acrescido um suplemento pelas horas-extra. O Governo não quer passar dos 2.500 euros e quer que neste valor esteja incluído o trabalho extraordinário. A dividi-los está também o número de horas-extra obrigatórias: a tutela quer 18 e os sindicados 16.

Nas reuniões, Paulo Macedo tem avisado que qualquer acordo tem de ter a aprovação da troika e que não pode alterar o orçamento. «Para se aumentar o salário, tem de se retirar o dinheiro previsto para outras coisas, como horas extraordinárias», explica fonte ligada ao processo.

Cada vez mais distantes

Mas os sindicatos alegam que o valor que estão a pedir é o que tem sido praticado nos últimos anos nos hospitais. «Como não há tabela salarial, cada hospital pratica o que entende e a média tem sido entre os 3.000 e os 3.300 euros» – nota um clínico, sublinhando que o que está em negociação é o valor a pagar aos futuros e novos médicos.

Mas a distância entre os dois lados das negociações parece cada vez maior. Os sindicalistas alegam que os 2.547 euros avançados pelo Governo na última reunião são um recuo ao que a tutela apresentou anteriormente. Já a equipa do Ministério da Saúde insiste que está 'presa' ao memorando da troika.

Pelo meio, os sindicatos têm contado com duas armas de peso. Por um lado, o acordo colectivo de trabalho impede que o Ministério da Saúde tome uma série de medidas sem negociação: «Os sucessivos governos foram cedendo e agora é muito difícil mexer no regime de trabalho», explica uma fonte conhecedora das negociações. Por outro lado, Paulo Macedo teme os custos políticos de um novo conflito com a classe médica. «Se não houver acordo, irá repetir-se a adesão maciça à luta e iremos para a rua», avisa um sindicalista.

Outro dos temas sensíveis é a alteração da idade limite para se fazer serviço de urgência e o aumento da lista de utentes dos médicos de família. «São medidas penalizadoras e isso não faz sentido», defende um elemento sindical.

Paulo Macedo tem entre mãos uma situação difícil de resolver. Se não conseguir chegar a acordo com os sindicatos, arrisca ter um novo protesto. Se ceder, será difícil explicar ao país como é que, numa conjuntura de diminuição de ordenados, os médicos são a excepção.

Catarina Guerreiro | Sol | 17-09-2012

Comentários (5)


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E os magistrados?
Continuam silentes, inertes e masoquistas, enquanto lhes apertam, rectius, agrilhoam, o cinto?!...
Já era bem tempo de se ver alguma actuação consequente!
E os magistrados? , 18 Setembro 2012
...
E os magistrados? Vão para tribunais fazer contas, ou de contas, ou lá o que é...
Jesse James , 18 Setembro 2012
...
A luta dos Srs. doutores já começou e as vitimas são os doentes, tive conhecimento (infelizmente aconteceu com um familiar) a quem não foram prestados os cuidados médicos necessários, empurrando o doente de uma unidade hospitalar para outra, sem que lhe fossem prestados os cuidados de que carecia, obrigando-o assim a recorrer a um cirurgião particular, indicado por funcionários desse mesmo serviço publico. Há muita gente a ganhar com esta guerra e só perde quem está doente. A medicina não pode ser vista como um comércio e a maioria dos médicos são comerciantes, há que pôr termo nesta situação, há que vigiar melhor os serviços publicos de saude, há pessoas a morrer por incuria dos profissionais de saude, que pura e simplesmente se demitiram das suas funções!
Farta de Pulhices , 18 Setembro 2012
reforma de mentalidades, impõe-se
«A medicina não pode ser vista como um comércio e a maioria dos médicos são comerciantes...»

É verdade, infelizmente...
Os salários poderão não ser chorudos, mas dão para viver com dignidade... sem grandes parolices..

Para lá disso, há - ou deveria haver - espírito de missão...
É preciso fiscalizar e sobretudo redefinir os critérios de admissão de novos alunos ao curso de medicina, incluindo, no processo de seleção, para além da média - que não deveria ultrapassar o 15 ou o 16 -, a avaliação do perfil do candidato (algo subjetiva, mas moralmente obrigatória; a margem de subjetividade deverá ser suficientemente restrita para que não se caia na arbitrariedade, o que poderá ser garantido pela escolha criteriosa dos parâmetros a observar, assim como pelo contributo de uma comissão razoavelmente alargada constituída para o efeito...)

Isso de exigirem 18.7 ou 18,8 - fazendo conotar tais médias com maior aptidão intelectual, como que a raiar uma pretensa genialidade... é pura tanga!...
Há fórmulas para chegar a esses valores, que nada têm a ver com capacidade acrescida para responder aos desafios, de ordem técnica e humana, a que o futuro médico estará sujeito...
Mais uma vez, são mitos e falácias, que urge desmontar...
O corporativismo deve ter limites...
A sede de prestígio assente numa perspetiva elitista do exercício da profissão é ridícula...
Uma reforma de mentalidades, impõe-se..
C&C , 18 Setembro 2012
...
É evidente que os magistrados, na sua maioria cheios de medo de inspetores, CSM e, no caso do MP, do CSMP, PGR, da "hierarqia" e todos com a preocupação das inspeções e estatísticas, jamais terão capacidade para se unirem e dizerem NÃO. E, no entretanto, sendo cada vez mais ROUBADOS continuam - EU NÃO! - a trabalhar igual ou ainda mais do que dantes, a "queimar" serões, sábados, domingos e feriados e até férias pessoais e a pagarem cursos de formação do seu bolso só para benefício do Estado e deste povinho invejoso e mesquinho que nada merece (pois acha os magistrados uns privilegiados), sempre a pensar na inspeçãozinha e na notinha de mérito.

Para no fim receberem a medalha de lata, mas pronto.

No dia em que TODOS oa magistrados trabalharem das 9 às 17, marcarem diligências suavemente, despacharem os processos no prazo legal e não com a "data supra", verão que não haverá hierarquias nem conselhos nem inspetores nem poder político que nos ponha as patas em cima. E aí sim, pensarão 2 vezes antes de nos afrontarem e roubarem.
Zeka Bumba , 18 Setembro 2012

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