Gestor de insolvência ganha € 7500

Empresa minhota com salários em atraso paga 20 mil euros a três administradores além do gestor de insolvência   

A maior empresa de construção civil do Alto Minho, decretada insolvente, vai passar a pagar ao administrador de insolvência 7500 euros mensais, a que se somam quase 20 mil euros, todos os meses, aos três elementos do conselho de administração. Isto apesar dos 31,3 milhões de euros de dívidas ainda por regularizar. A proposta, que tem provocado alguma insatisfação nos trabalhadores, todos com salários em atraso, foi apresentada e aprovada na assembleia dos 860 credores da empresa Aurélio Martins Sobreiro, de Viana do Castelo.  
 
Foi o próprio administrador de insolvência Nuno Oliveira da Silva, nomeado em novembro pelo tribunal de Viana do Castelo, a definir este valor mensal, como remuneração mensal, mas não só. "Pela elaboração do plano de insolvência e dada a complexidade do mesmo, proponho auferir a remuneração de 25 mil euros", lê-se no relatório de insolvência. Os credores, nomeadamente a banca - só a Caixa Geral de Depósitos reclama 6,4 milhões de euros -, acabaram por aprovar a continuidade da empresa, que no verão empregava 300 pessoas, mediante a apresentação deste plano de reestruturação no prazo de 60 dias.  
 
"Tem condições para manter a sua atividade, devendo no entanto adequar a sua dimensão às atuais condições do mercado e equacionar a sua área de atuação, já que os custos inerentes ao alargamento da sua área de atuação e à sua internacionalização foram bem superiores aos proveitos que daí obteve", acrescenta o administrador de insolvência. Contudo, só do Estado, autarquias e institutos de direito público, a empresa ainda tem a receber 15 milhões de euros.  
 
A Aurélio Martins Sobreiro tem hoje menos de 200 trabalhadores, depois da saída de cerca de uma centena através da rescisão de contratos por atraso no pagamento de salários, apontando o administrador de insolvência para uma solução final de 120 a 140 trabalhadores. Faturou28,6 milhões em2009, 25,8 milhões em 2010 e 14,5 milhões de euros em 2011.

Paulo Julião | Jornal de Noticias | 26-02-2012