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REVISTA DE 2012

Denúncia OIT: Funcionária pública portuguesa emigra para a Suíça

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O congelamento de salários na Função Pública e os restantes cortes, como a suspensão de subsídios e o aumento generalizado de impostos, levaram uma funcionária pública portuguesa a emigrar para a Suíça, denuncia a Organização Mundial do Trabalho (OIT), que integra a esfera de instituições das Nações Unidas.

Saiu do país em março passado, quando já era claro que iria ser abrangida pelos cortes. Vai tentar a sorte lá fora durante um ano. O exemplo apontado serve para ilustrar um "novo fenómeno" - o do "trabalhadores pobres" no sector público - que será objeto de uma investigação e de um livro assinados por Daniel Vaughan-Whitehead, economista da OIT. A obra será publicada em 2013.

O caso apontado pela OIT é o de "Ana B, uma mulher portuguesa de 50 anos" residente no Porto, que decidiu pedir uma licença sem vencimento na "agência pública" em que trabalhava para sair do país e aceitar ser empregada de limpeza na Suíça (um destino clássico da emigração portuguesa no tempo da ditadura). Cá ganhava 700 euros como secretária numa agência do Estado; na Suíça consegue ganhar "o dobro" a fazer limpezas, explica a OIT News.

"Sou uma mãe solteira e o meu filho de 20 anos ainda está na universidade. Ainda estou a pagar o andar que comprei nos subúrbios do Porto há alguns anos. O meu salário como trabalhadora do sector público era de apenas 700 euros por mês. Mas com a crise económica e as medidas de austeridade que se seguiram, os salários foram congelados..."

Ana B. reconhece que o facto de ter podido pedir uma licença de um ano sem ser desvinculada à entidade em que trabalhava é "um benefício" que ainda não foi cortado pela austeridade do atual Governo de Pedro Passos Coelho e Vítor Gaspar. Por isso decidiu aproveitar.

A mulher vive hoje afastada do filho (ficou no Porto a estudar). Vive num hostel para poupar dinheiro. "Graças à internet, conseguimos estar em contacto quase todas as noites", diz à OIT News. "Quero que o meu filho consiga formar-se pela universidade... mesmo que isso implique eu perder parte do meu status social", acrescenta.

Daniel Vaughan-Whitehead, o economista sénior da OIT que está analisar esta realidade diz que "a história da Ana ilustra em parte as dificuldades crescentes que os trabalhadores do sector público enfrentam desde o início da crise". "As mulheres são particularmente afetadas", reconhece. "Muitos deles [funcionários] - especialmente na Europa do sul e do leste - têm de lidar com congelamento de salários , cortes em benefícios e falta de oportunidades de promoção. Portugal é um dos países mais afetados pelas medidas de austeridade", refere o especialista. E depois conclui: "Os trabalhadores pobres no sector público são um novo fenómeno na Europa".

São algo novo no universo público, mas não no sector privado, como provam as estatísticas do INE. Ana B. diz que como empregada de limpeza na Suíça, onde ganha cerca de 1400 euros, tem dinheiro suficiente para pagar as contas em Portugal. Por isso, frisa, "estou pronta a fazer isto por mais um ano".

Leia a reportagem completa da OIT News aqui.

Dinheiro Vivo | 25-09-2012

Comentários (5)


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Por pouco mais 600 euros em relação à funcionária de limpeza na Suíça é quando um magistrado de comarca ganha em Portugal. Com uma diferença: a funcionária de limpeza vai para casa sem pensar nos processos, nem é obrigada a trabalhar horas extra de graça e sem reconhecimento. Parece que o Governo quer a debandada geral. Uma vergonha.
Alexandra , 25 Setembro 2012
Colhemos o que semeámos
Deixámos que uma horda de garotos aventureiros e incomptentes corressem com toda a experiência e bom senso dos mais velhos. Casámos o País com a moda da paridade, da destruição das instituições-pilar da nossa civilização, deixámos pilhar o Estado aos abutres que só por si e pelo que roubaram permitem que o nosso País esteja entre os 20 mais ricos do mundo com uma legião de desempregados e um salário mínimo de fome. Temos uma dívida externa que não conseguiremos pagar, elegemos sempre as mesmas marionetas que estão ao serviço dos abutres e fazemos notícia duma funcionária ( entre nós só há funcionários pois o termo trabalhador tornou-se desprestigiante) quando milhares saem do País desesperados à procura de uma vida melhor e erram sem destino. Fizemos uma demonstração de descontentamento no dia 15 de Setembro. E depois? Não está tudo na mesma? Os responsáveis pela nossa miséria e perda de soberania vergonhosa não continuam a receber suibsídios vitalícios? Quem fez tanta e tanta negociata e continua a fazer com o dinheiro dos impostos e taxas não está imunizado contra qualquer pedido de responsabilização?
Cá por mim, enquanto este estado de coisas continuar e tivermos medo do que possa acontecer se nos virmos livres de todos os que, muito ou pouco, contribuiram para a nossa desgraça, merecemos o que temos, mesmo se magistrados tiverem de ir para o estrangeiro tratar de cães de luxo, que ainda os há, para que os que cá deixem possam subsistir. Para eles, os abutres, é tudo ganho: as remessas dos emigrantes são maná a fundo perdido..
Barracuda , 26 Setembro 2012 | url
...
Infelizmente parece que é a estratégia governamental... É uma situação miserável e que deve encher de vergonha a classe política que nos tem desgovernado nas últimas décadas...
A , 26 Setembro 2012
...
Não é novidade. Ainda ontem uma conhecida minha viajou para França à procura de melhor sorte. É funcionária pública que meteu licença sem vencimento, que de resto tão miserável que de pouco lhe servia
Valmoster , 26 Setembro 2012
revoltado
Para a senhora em questão: "status social" é uma utopia, a dignidade dos atos é que deve contar, merece-me todo o respeito.
Para a Drª Alexandra: cara Drª, a diferença não é a de 600€ que a pessoa em causa foi ganhar a menos que um Magistrado em ínicio de carreira.
Será de 1300€ que como funcionária pública ganhava a menos que a Drª e, além do mais, teria talvez um mínimo de 20 anos como funcionária.
E, não são só os Magistrados que têm que pensar fora das horas de serviço nas suas responsabilidades, outros funcionários o fazem e fizeram ao longo dos anos, também levando o trabalho e as preocupações para o seio familiar.
Só 1 subsídio que não deve estar a contar nos seus 2000€ é igual ao vencimento da também digna trabalhadora do Estado que teve que procurar melhor forma de sorver os seus compromissos.
Haja respeito!!!!!!
critico , 27 Setembro 2012 | url

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