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REVISTA DE 2012

Crime sobe 5,2%

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O INE publicou ontem o retrato social do país dos últimos dez anos: os portugueses são cada vez mais solteirões, mais cultos e mais pobres. O aumento da criminalidade entre 2005 e 2011 foi de 5,2 por cento.

Contra números não há argumentos. Os portugueses têm cada vez mais estudos, casam menos e mais tarde, as famílias estão mais pequenas e já não dispensam o acesso à internet. O Instituto Nacional de Estatística (INE) publicou ontem o "Retrato Social de Portugal" dos últimos dez anos, que mostra, por outro lado, um país com cada vez menos dinheiro disponível, maior criminalidade, mais população inactiva e mais desempregados.

No capítulo da Segurança Social, e de acordo com os indicadores do INE, os descontos dos trabalhadores e das empresas aumentaram 21,5% entre 2005 e 2010. Até poderiam ser boas notícias para a sustentabilidade do sistema, não fosse o facto de as despesas com as prestações sociais – abonos, subsídios e pensões tambémterem subido 23,2%. Contas feitas, os números do INE apontam para um défice de 1,7% nas contas da Segurança Social no período em causa. Só os gastos com o desemprego aumentaram 21,4% num espaço de cinco anos.

Por outro lado, em 2011, e em relação ao ano anterior, o produto interno bruto (PIB) por habitante decresceu em termos reais (-1,7%), tendo diminuído o consumo final das famílias (-0,1%) e o montante dos empréstimos concedidos pelos bancos para a compra de casa (-1,5%). Também no ano passado, a taxa de desemprego situava-se nos 12,7%. A população desempregada era de mais de 706 mil pessoas – das quais 10,5% estavam à procura do primeiro emprego. No total, a taxa de actividade dos homens era de 57,1% e a das mulheres de 47,4%. Os portugueses que tinham emprego terão trabalhado uma média de 39,2 horas por semana Já a população inactiva era constituída, segundo o INE, por 31,2% de reformados, 8,5% de domésticas e 15,6% por estudantes com 15 ou mais anos. Ainda de acordo com os indicadores sociais ontem divulgados, o salário mínimo nacional, em termos reais, verificou um decréscimo de 3,6% em 2011 face ao ano anterior.

Indicadores económicos à parte, o retrato do país da última década mostra ainda que a idade média do primeiro casamento já está nos 31 anos para os homens e nos 29,5 para as mulheres. O número de alunos matriculados nas universidades subiu 7,9% e só no ano passado havia mais de 118 mil estudantes a frequentar doutoramentos.

No que diz respeito à saúde, há mais médicos e mais enfermeiros, mas os números mostram que aumentaram as mortes por cancro: entre 2005 e 2011, os óbitos relacionados com doenças oncológicas aumentaram 12,6%.

Menos casamentos
As estatísticas de 2011 confirmam a tendência dos últimos anos: o número de casamentos baixou, a idade média do primeiro casamento subiu e as famílias estão mais pequenas. No ano passado celebraram-se menos 9,9% casamentos que em 2010.
As uniões religiosas caíram 15%, enquanto as civis diminuíram 6,2% (número que inclui os 324 casamentos entre pessoas do mesmo sexo realizados no ano passado). Já a idade média no primeiro casamento está nos 31 anos para os homens e nos 29,5 anos para as mulheres (30,8 e 29,2 anos em 2010). No ano passado houve 26 751 divórcios e metade das famílias portuguesas eram constituídas apenas por uma ou duas pessoas.

Mais estudos
Entre 2005 e 2011, a taxa de abandono escolar precoce baixou 15,6%, enquanto o número de alunos matriculados no ensino superior aumentou 7,9%.
De acordo com o Instituto Nacional de Estatística, a taxa de abandono escolar recuou de 38,8% para 23,2% num espaço de seis anos e esta redução verificou-se tanto nos homens (menos 4,5%) como nas mulheres (menos 6,5%). Por outro lado, o número de inscritos em universidades e politécnicos aumentou 3,3% entre o ano passado e 2010. Em 2011 estavam matriculados em mestrados mais de 117 mil alunos e mais de 118 mil em doutoramentos, o que representa um crescimento de 11,1% e 11,7% face a 2010.

Crime aumenta
A criminalidade registada entre 2005 e 2011 aumentou 5,2%, mostram os indicadores do INE. No mesmo período também aumentou o número de pessoal ao serviço nas polícias e noutras entidades de apoio à investigação (1,5%). Apesar do aumento registado no crime, entre 2010 e 2011 a criminalidade até baixou 2,1 %. No que diz respeito aos tribunais, as estatísticas mostram que o número de magistrados judiciais aumentou, desde 2005, 7,3%. Os magistrados do Ministério Público também subiram 21,3%, mas o número de funcionários da justiça caiu 11,6%. No entanto, em 2011 existiam no País menos 26 magistrados judiciais do que em 2010 Em Dezembro do ano passado havia 1,4 milhões de processos cíveis pendentes mais 3,1 % que no mesmo mês de 2010.

Menos ambiente
A despesa das administrações públicas destinada à gestão e protecção do ambiente cresceu 16% entre 2005 e 2010, quando chegou aos 101 euros por habitante, mas caiu no último ano. Segundo os indicadores sociais de 2011, a despesa consolidada das administrações públicas para esta área desceu 21 % quando comparada com os valores do ano anterior.
Em 2010, os sistemas de abastecimento de água serviam 95% da população, enquanto a drenagem de águas residuais chegava a 84% dos residentes e o tratamento de águas residuais a 73%. Quanto ao destino do lixo, foram incinerados 99 quilos de resíduos sólidos por habitante, valor inferior ao da média da União Europeia.

Mais médicos
Os médicos inscritos na Ordem por cada 100 mil habitantes aumentaram 18,7% entre 2005 e 2011. E o número de enfermeiros também subiu, segundo o INE. No ano passado, o número de médicos inscritos na Ordem era de 406 por cada 100 mil habitantes, mais 17 que em 2010. Já o número de enfermeiros inscritos na respectiva Ordem passou de 587 para 612 por 100 mil habitantes. No total estavam inscritos em 2011 na Ordem do Médicos 42 796 profissionais, mais 1365 que no ano anterior. Na Ordem dos Enfermeiros estavam registados 64 478 profissionais, mais 2045 que em 2010. O número de camas nos hospitais por cada mil habitantes manteve-se em 3,4.

Menos mortes
No ano passado morreram em Portugal 102 848 pessoas, menos 3106 que em 2010. A principal causa de morte foram as doenças do aparelho circulatório, que vitimaram 31 670 pessoas, seguidas do cancro, que originou 25 593 mortes. Também em 2011 morreram 561 pessoas vítimas de sida, menos 81 que no ano anterior. Entre 2005 e 2011, o número de casos de sida diagnosticados baixou de 833 para 303, o que representa uma descida de 63,6%. Já as mortes causadas por cancro subiram 12,6% no mesmo período. Voltando aos indicadores do ano passado, o Instituto Nacional de Estatística registou 147 óbitos de bebés com menos de sete dias, mais 31 casos que os registado em 2010.

Mais internet
Entre 2008 e 2011, a proporção de agregados domésticos com acesso a computador em casa passou de 49,8% para 63,7%, à internet de 46,0% para 58,0% e à banda larga de 39,3% para 56,6%. As compras de viagens e de alojamento voltaram a ser, no ano passado, segundo os dados do INE, os serviços mais procurados pelos portugueses que usam a internet. Mais de um terço dos internautas (33,8%) comprou roupa e equipamento desportivo através da internet, enquanto 29,7% adquiriram livros, jornais e material de e-learning. Nos últimos quatro anos, o número de pessoas entre os 16 e os 74 anos que fizeram compras virtuais passou de 6,4% para 10,3%.

Rosa Ramos | ionline | 28-12-2012

Comentários (1)


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O que vale é que o CM, esse arauto do jornalismo, ontem dizia que o crime diminuiu em 2012... só o grave é que aumentou! Enfim, outros mundos.
Sun Tzu , 30 Dezembro 2012

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