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REVISTA DE 2012

O sonho de Pedro Passos Coelho

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«"Um terço é para morrer. Não é que tenhamos gosto em matá-los, mas a verdade é que não há alternativa. se não damos cabo deles, acabam por nos arrastar com eles para o fundo. E de facto não os vamos matar-matar, aquilo que se chama matar, como faziam os nazis. Se quiséssemos matá-los mesmo era por aí um clamor que Deus me livre. Há gente muito piegas, que não percebe que as decisões duras são para tomar, custe o que custar e que, se nos livrarmos de um terço, os outros vão ficar melhor. É por isso que nós não os vamos matar. Eles é que vão morrendo. (...)

Basta que a mortalidade aumente um bocadinho mais que nos outros grupos. E as estatísticas já mostram isso. O Mota Soares está a fazer bem o seu trabalho. Sempre com aquela cara de anjo, sem nunca se desmanchar. Não são os tipos da saúde pública que costumam dizer que a pobreza é a coisa que mais mal faz à saúde? Eles lá sabem. Por isso, joga tudo a nosso favor. A tendência já mostra isso e o que é importante é a tendência. Como eles adoecem mais, é só ir dificultando cada vez mais o acesso aos tratamentos. A natureza faz o resto. O Paulo Macedo também faz o que pode. Não é genocídio, é estatística. Um dia lá chegaremos, o que é importante é que estamos no caminho certo. Não há dinheiro para tratar toda a gente e é preciso fazer escolhas. E as escolhas implicam sempre sacrifícios. Só podemos salvar alguns e devemos salvar aqueles que são mais úteis à sociedade, os que geram riqueza. Não pode haver uns tipos que só têm direitos e não contribuem com nada, que não têm deveres.

Estas tretas da democracia e da educação e da saúde para todos foram inventadas quando a sociedade precisava de milhões e milhões de pobres para espalhar estrume e coisas assim. Agora já não precisamos e há cretinos que ainda não perceberam que, para nós vivermos bem, é preciso podar estes sub-humanos.

Que há um terço que tem de ir à vida não tem dúvida nenhuma. Tem é de ser o terço certo, os que gastam os nossos recursos todos e que não contribuem. Tem de haver equidade. Se gastam e não contribuem, tenho muita pena... os recursos são escassos. Ainda no outro dia os jornais diziam que estamos com um milhão de analfabetos. O que é que os analfabetos podem contribuir para a sociedade do conhecimento? Só vão engrossar a massa dos parasitas, a viver à conta. Portanto, são: os analfabetos, os desempregados de longa duração, os doentes crónicos, os pensionistas pobres (não vamos meter os velhos todos porque nós não somos animais e temos os nossos pais e os nossos avós), os sem-abrigo, os pedintes e os ciganos, claro. E os deficientes. Não são todos. Mas se não tiverem uma família que possa suportar o custo da assistência não se pode atirar esse fardo para cima da sociedade. Não era justo. E temos de promover a justiça social.

O outro terço temos de os pôr com dono. É chato ainda precisarmos de alguns operários e assim, mas esta pouca- -vergonha de pensarem que mandam no país só porque votam tem de acabar. Para começar, o país não é competitivo com as pessoas a viverem todas decentemente. Não digo voltar à escravatura - é outro papão de que não se pode falar -, mas a verdade é que as sociedades evoluíram muito graças à escravatura. Libertam-se recursos para fazer investimentos e inovação para garantir o progresso e permite-se o ócio das classes abastadas, que também precisam. A chatice de não podermos eliminar os operários como aos sub-humanos é que precisamos destes gajos para fazerem algumas coisas chatas e, para mais (por enquanto), votam - ainda que a maioria deles ou não vote ou vote em nós. O que é preciso é acabar com esses direitos garantidos que fazem com que eles trabalhem o mínimo e vivam à sombra da bananeira. Eles têm de ser aquilo que os comunistas dizem que eles são: proletários. Acabar com os direitos laborais, a estabilidade do emprego, reduzir-lhes o nível de vida de maneira que percebam quem manda. Estes têm de andar sempre borrados de medo: medo de ficar sem trabalho e passar a ser sub-humanos, de morrer de fome no meio da rua. E enchê-los de futebol e telenovelas e reality shows para os anestesiar e para pensarem que os filhos deles vão ser estrelas de hip-hop e assim.

O outro terço são profissionais e técnicos, que produzem serviços essenciais, médicos e engenheiros, mas estes estão no papo. Já os convencemos de que combater a desigualdade não é sustentável (tenho de mandar uma caixa de charutos ao Lobo Xavier), que para eles poderem viver com conforto não há outra alternativa que não seja liquidar os ciganos e os desempregados e acabar com o RSI e que para pagar a saúde deles não podemos pagar a saúde dos pobres.

Com um terço da população exterminada, um terço anestesiado e um terço comprado, o país pode voltar a ser estável e viável. A verdade é que a pegada ecológica da sociedade actual não é sustentável. E se não fosse assim não poderíamos garantir o nível de luxo crescente da classe dirigente, onde eu espero estar um dia. Não vou ficar em Massamá a vida toda. O Ângelo diz que, se continuarmos a portarmo-nos bem, um dia nós também vamos poder pertencer à elite."»

José Vítor Malheiros | Público | 11-09-2012

Comentários (12)


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Ahahahahah!
Quando eu falei por aqui que havia que exterminar um número significativo de velho s e afins houve quem decidisse que havia por aí extremo-esquerdismo!
POIS QUEM DIRIA!!!
Pedro Só , 11 Setembro 2012
Pedro Perna Curta
É exatamente isto, sem ponta de caricatura!...
Peter , 11 Setembro 2012
leio o resto amanhã
Provocatório
Artigo
Classe Dirigente , 11 Setembro 2012
Pst , Comentário com excessivos votos negativos [Mostrar]
...
CADA VEZ GOSTO MAIS DE LER O JVM. GRANDE ARTIGO!
Jesse James , 11 Setembro 2012
...
Por cada político que recebe sem trabalhar, dez funcionários devem trabalhar sem receber.
RM , 11 Setembro 2012
Sabre
Muito bem
Num ponto pelo menos
concordamos
Há "pessoas" que nunca devia ter nascido
Agora de quem estou a falar deixo à vossa discricionariedade
Porque a mim não me tramam com duas cantigas feitas à pressa em cima do joelho ----
Comissária Ninotchka , 12 Setembro 2012
Never cry for me Argentina
Este artigo é uma ratoeira para apanhar fascistas e Nazistas com um Q.I. que deixe muito a desejar
Evita Péron , 12 Setembro 2012
...
Este governo é tão ordinário e cobarde que ainda não ousou cortar regalias indignas de um país falido, como é o caso do nº excessivo de deputados nacionais e regionais. Acredito que não chega ao fim do mandato, para bem da classe trabalhadora e da classe empreendedora. Trabalhadores e empresários estão contra estas medidas, pois o governo está apenas a acautelar os interesses dos bancos e da classe política.
Ah... , 12 Setembro 2012
...
Siza Vieira diz que Portugal está a viver uma ditadura. Resta aos portugueses mostrarem aos tontos do Passos, Gaspar e Relvas quem é que realmente manda no país!
Ah... , 12 Setembro 2012
...
Aquilo que deveria ser e seria certamente a intenção, de ser um texto irónico e algo maquiavélico, está assustadoramente a tornar-se real.
offrecord , 12 Setembro 2012
Panfletos..
Estou a imprimir por conta própria uma quantidade de panfletos de conteúdo politico! Vou dar us trocos a uns putos para espalharem isso por aí!
A PSP "deu a entender"" que é ilegal! Que será necessário ter o nome de uma organização politica!!!!
Então e a CIDADANIA?
O Zé Já não pode argumentar por conta própria?
Dum Dum! , 12 Setembro 2012

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