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REVISTA DE 2012

Obviamente demitam-nos

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Luís Menezes Leitão - O grande problema dos partidos políticos portugueses é a falta de controlo político sobre a sua liderança. Como existe muito pouco espírito crítico a nível interno, é possível permitir-se a um líder ir somando erros sobre erros, que levam o partido, e se estiver no governo também o País, ao desastre. E as poucas vozes críticas que surgem são normalmente silenciadas pelo coro da côrte de fiés, que habitualmente circula à volta do líder.

Foi assim que Santana Lopes fez embarcar o PSD num governo sem qualquer legitimidade política, que foi acumulando erros sobre erros, acabando o Governo ceifado por Sampaio, com o PSD a tentar evitar o evidente desastre eleitoral subsequente cantando em hino louvores ao "menino guerreiro". Sócrates, pouco tempo antes de atirar o país para a bancarrota, era reeleito pelo PS em Congresso com 91% dos votos, não tendo o seu partido naturalmente escapado ao desastre eleitoral subsequente.

O governo de Passos Coelho enfrenta neste momento a mesma crise de legitimidade do governo de Santana Lopes. Foi eleito com um programa completamente contrário ao que está agora a realizar e tem-se revelado de um enorme desprezo pelo sofrimento das pessoas, o que é chocante para a matriz humanista do PSD. Passos Coelho transformou-se num novo "menino guerreiro", querendo combater a todo o custo pela execução do programa de ajustamento, efectuando assim a maior engenharia social a que o país alguma vez foi sujeito. E os que circulam à sua volta minimizam os custos enormes disto para o país. Só a maior inépcia política pode levar Passos Coelho a anunciar estas medidas a seco, sem qualquer palavra para os sacrificados, a que se segue este patético post no facebook, terminando com o ir assistir a um concerto logo a seguir. E que dizer desta inenarrável declaração de Aguiar-Branco, segundo o qual os funcionários públicos só estão a ser "um bocadinho prejudicados nas remunerações".

E, como já se sabia, estas medidas brutais não são suficientes, porque para quem tem esta insensibilidade social nada é suficiente.

Neste momento o PSD está confrontado com uma questão muito simples. Ou vai atrás deste segundo "menino guerreiro", deixa-o afundar o país, e afunda-se com ele, ou põe imediatamente termo a este Governo. Com a capacidade de sobrevivência que o PSD sempre teve, espero que tome a decisão que se impõe e que é a de parar imediatamente com isto. O governo de Santana Lopes pode ter cometidos muitos erros políticos, mas pelo menos não era cruel. Pelo contrário, este governo é de uma crueldade sem limites, com um profundo desprezo pela desgraça dos sacrificados e pelos limites constitucionais à sua actuação. E a crueldade deliberada, como diz a personagem de Blanche Dubois no Um Eléctrico chamado Desejo, é a única coisa que é insusceptível de ser perdoada. Os eleitores portugueses nunca perdoarão ao PSD o que este Governo lhes está a fazer.

Pessoalmente espero que Passos Coelho se tenha divertido imenso a assistir ao concerto de Paulo de Carvalho. E espero também que o cantor não se tenha esquecido de lhe dedicar esta música.

Luís Menezes Leitão | Delito de Opinião | 09-09-2012

Comentários (6)


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A decisão do TC e o princípio da equidade no tratamento de todos os portugueses são desrespeitados nesta 1ª proposta genérica de LOE/2013
-do ponto de vista da redução da despesa pública formal,
-do ponto de vista da redução dessa despesa pública material ou efetiva,
-do ponto de vista do aumento da receita pública formal,
-do ponto de vista do aumento da receita pública material ou efetiva.
Além disso, esta 1ª proposta genérica de LOE/2013 viola a equidade e a proporcionalidade, porque:
-apesar de todos os portugueses contribuírem para a despesa pública e dela beneficiarem no dia-a-dia, esquece que apenas os servidores do Estado contribuíram para a redução da despesa pública em 2010, em 2011 e em 2012.
a b c d , 10 Setembro 2012
Xiquice espertice
Já sabemos que somos um país dos denominados "chicos espertos", daqueles que tentam fintar tudo e todos, designadamente o ordenamento jurídico e o Zé Contribuinte..

Agora que a "xiquice" venha de um órgão de soberania, que tenta aldrabar uma decisão soberana de outro órgão, é algo até aqui nunca visto.

Foi declarado ser inconstitucional suspender 2 subsídios. Não faz mal. Então o poder executivo só suspende um e aplica uma taxa para-fiscal correspondente ao outro.

Dizia um inquirido de rua na televisão que o PM era "cachopo".

Eu avento-me a mais qualquer coisa relacionada com birra, derivada do facto do TC lhe ter tirado algo que o grande empresariado e os seus sequazes tanto apreciam: Retirar direitos cívicos e sociais, mesmo que constitucionalmente consagrados, em prol de grandes lucros (a serem isentos de tributação ou magérrimamente tributados no Reino da Holanda, cujos governantes têm o profundo desplante de tecer considerações sobre as qualidades laborais do povo português) .

É o regresso do antigamente, mas só que trilogia "Deus, Pátria e Família" foi substituída por "Capital, Juros e Isenção de Tributação", mas que na prática deixa o povo português no maior retrocesso económico de que há memória..

Só espero que o sonho de Sá Carneiro de "Um governo, uma maioria e um presidente" não se venha a converter na maior fraude democrática e institucional de que existe memória em Portugal.
, 10 Setembro 2012
...
Era bom que mais Professores de Direito falassem assim: sem papas na língua, apelidando com os adjectivos correctos o que é de facto patético e inenarrável!
G O G , 10 Setembro 2012
Frau leggis
Esta tomada de opção do executivo não enquadra uma fraude à lei?
Já fiscalizada e considerada inconstitucional, não haverá desobediência cometida por parte do executivo?
Sou de parecer que sim. Se há separação de poderes, como pode um órgão desobedecer ao outro que decide de justiça?
Gomes , 10 Setembro 2012 | url
Criem emprego, seus incompetentes!

Passos Coelho e quem o aconselha é intelectualmente medíocre na minha opinião.
Como são, na minha opinião, Vítor Gaspar e o Álvaro.

Costumam apontar como causas da falta da receita (essencial para o equilíbrio das contas do Estado) a retracção no consumo.
Claro que é umas das causas da falta da receita.

Mas quando falam sobre as causas da retracção no consumo, raramente se lembram de enumerar a não utilização de 15% da força produtiva do País!

15% da força de trabalho do País está encostada às boxes!

E o Passos nada faz!

Mas será que há alguma coisa naquela cabeça?

Acabe com a porcaria do self-service na Galp, na Shell, na BP, na Repsol, no Continente, na FNAC, no Corte Inglés, nas portagens, etc., Sr. Primeiro-Ministro! (Lembrem-se de mais, por favor, e deixem aqui escrito, por favor.)

É pouco, ainda assim?

Pois é, mas é melhor que nada! Sempre se ia buscar uns trocos a quem passaria do desemprego para o emprego!

Seria um duplo ganho: era um subsídio de desemprego que deixava de ser dado; e era mais alguém a poder contribuir para a Segurança Social e para o IRS (por pouco que fosse).

Ao mesmo tempo, era capaz de salvar umas quantas Famílias e Indivíduos da falência! (Mais outro ganho.)

Irra! Mas o que é que a cabeça do Passos Coelho, a do Vítor Gaspar, e a do Álvaro têm lá dentro?!? smilies/angry.gif

(Desculpem estar a repetir-me, colocando este texto também aqui, quando já o afixei também noutro item desta Revista. Agradeço a compreensão. É que custa-me ver tanta Compatriota meu em situação desesperada.)
Gabriel Órfão Gonçalves , 11 Setembro 2012
...
Aí estão as sociedades de advogados em Lx a lucrar com toda esta situação...sem cortes e a manterem os lobbies.....RTP, REN, Gás, Águas...sócios destas sociedades enriquecem com a crise...e gozam com o Zé Povinho.
António , 11 Setembro 2012

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