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REVISTA DE 2012

Quando a loucura governa

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Manuel Silveira da Cunha - Na Alemanha de Hitler um louco assumiu o poder. Hindenburg, o então presidente, empossou o nacional-sorialista como chanceler após a sua vitória nas eleições de 1933. Apesar de o general desconfiar de Hitler, acabou por lhe dar o poder. Hitler apossou-se do poder absoluto após a morte do decrépito presidente e depois de eliminar os seus adversários no Reichtag. Controlou os tribunais e, sem qualquer espartilho, transformou a Alemanha num regime totalitário e levou o mundo para a guerra. Suicidou-se depois de a sua loucura ter provocado a devastação e a morte.

No caso da paranóia soviética, José Estaline foi colocado no poder pelos mecanismos em espiral do partido comunista da União Soviética. Sem qualquer simulacro de democracia, matou a seu bel-prazer, criando uma estrutura em pirâmide de terror, em que cada camada superior aterrorizava as camadas inferiores, numa centralização absoluta do inferno do medo. Morreu na cama.

Muitos outros exemplos surgiram em regimes totalitários, golpes de Estado e revoluções. No caso de uma democracia aprofundada, é rara a ocorrência de um louco poder governar ou influenciar o governo de um país. Geralmente existem mecanismos democráticos que poderão levar à restrição da loucura ou da mais absoluta incompetência. Infelizmente, em Portugal existem vulnerabilidades graves no sistema democrático, muito enfeudado a interesses privados, em que vigora promiscuidade entre a classe política e as administrações das empresas do regime e uma solidariedade transversal entre grupos obscuros, como por exemplo a maçonaria. Os deputados são pessoas que dependem, em geral, da política para a sua subsistência e progresso social; muitas vezes desprovidos de carreira académica ou profissional, dependem mais das direcções políticas dos partidos para continuarem nos seus comércios políticos do que das populações que os elegem. O Tribunal Constitucional preocupa-se mais com formalismos do que com a essência das leis; formado, também, por elementos indigitados pelos partidos, as suas decisões nunca serão vistas como independentes. Por outro lado, o Presidente da República tem pavor de ser visto como um factor de desestabilização; a sua idade e solidariedade ideológica com o PSD, fazem-me temer que se comporte perante a indecorosa forma de governar do senhor ministro das Finanças como Hindenburg se comportou com Hitler, pese a diferença de que um queria destruir o mundo e o outro 'apenas' está a destruir Portugal. Repare-se que Passos Coelho não tem qualquer hipótese de perceber do assunto ou de contrariar as políticas de Gaspar, devido ao seu fraquíssimo currículo académico e falta de experiência governativa.

O facto de o senhor ministro Gaspar ser chamado ao Conselho de Estado, provavelmente para levar um puxão de orelhas de gente mais velha, mais sensata e mais sabedora, e o facto de o Dr. Paulo Portas não apoiar a peregrina medida de pôr os trabalhadores a pagar o grosso da taxa social são bons sinais de que resta alguma força na democracia portuguesa. De facto, a política de Gaspar, do ponto de vista técnico e em termos de sensibilidade humana, é de uma loucura total. Falhando em todas as previsões, como apontei aqui que falharia - de uma recessão prevista para este ano de 1% passou-se para 3.3% - o ministro continua a exacerbar a sua sanha contra o país. Resta saber como morrerá, politicamente, Gaspar. Fica aqui o meu singelo apelo ao Presidente da República, nesta hora difícil, para que tenha a coragem e o discernimento que Hindenburg não teve.

Manuel Silveira da Cunha | O Diabo | 18-09-2012

Comentários (3)


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Lamentavelmente começo a acreditar que Salazar (antes dele Mussolini e depois de ambos Hitler) tinham alguma razão num ponto: o multipartidarismo é um mal que talvez se deva irradicar..
Jesse James , 18 Setembro 2012
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O articulista Manuel Silveira da Cunha exibe-nos neste artiguelho a sua profunda ignorância histórica. De facto, só o reputado atrevimento dos ignorantes permite a lata de afirmar que Paul von Hindenburg não tinha "coragem" nem "discernimento". Em primeiro lugar, Hitler não ganhou nenhumas eleições em 1933, pois não houve eleições na Alemanha nesse ano. Em segundo lugar, foi com grande sacrifício pessoal e contrariedade que, já com 84 anos, Hindenburg aceitou concorrer às eleições presidenciais de 1932, apenas por ter consciência de ser a única pessoa que poderia derrotar o próprio Hitler, também candidato nessas eleições, como, de facto, viria a derrotar. Em terceiro lugar, apesar de Hitler ter vencido estrondosamente as eleições legislativas do Verão de 1932, Hindenburg recusou-se nomeá-lo Chanceler, apesar da enorme pressão nesse sentido exercida pelos nazis, o que, não só desafiou abertamente toda a lógica constitucional, como deixou Hitler estupefacto. Tendo vencido novamente (já menos estrondosamente, é certo) as legislativas do Inverno de 1932, Hitler viu, também novamente recusada a chancelaria por Hindenburg. Só com o Reichstag minado pelas escaramuças dos deputados nazis, orquestradas por Goebbels, com as ruas em polvorosa causada pelos camisas castanhas e já profundamente doente (há quem diga que até já apresentando períodos de s***lidade) é que Hindenburg cedeu finalmente a nomear Hitler como chanceler da Alemanha, em Janeiro de 1933.
P. S. - E são estes os fulanos que escrevem nos jornais, hoje em dia. Espera-se outra qualidade na In Verbis, senhor administrador (smilies/grin.gif).
Juiz de Direito , 18 Setembro 2012
um octogenário tem direito a estas coisas...
O que será a s***lidade senão "ausência de discernimento"?...

Por mais genial que tenha sido, um octogenário acaba por "ter direito" a inflexões deste tipo...
margot , 19 Setembro 2012

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