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REVISTA DE 2015

MP investiga três casos de mortes nas urgências

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Dos oito casos de mortes nos serviços de urgência por alegada falta de assistência atempada ou falta de recursos, e que foram até agora relatados na comunicação social, há três que estão já a ser investigados pelo Ministério Público (MP), segundo confirmou nesta sexta-feira à agência Lusa uma fonte da Procuradoria-Geral da República. Os casos aconteceram nos serviços de urgência dos hospitais de S. José (Lisboa), no final de Dezembro, e nos de Peniche e Santa Maria da Feira, no início de Janeiro.

Fonte da PGR explicou ao PÚBLICO que os inquéritos foram instaurados por iniciativa do Ministério Público e que, por enquanto, apenas dispõe de informação relativa a estes três óbitos. Em causa estão suspeitas de crimes que não dependem da apresentação de queixa de familiares para que sejam abertos inquéritos.

A primeira morte ocorreu na urgência do Hospital de S. José, na madrugada de 27 de Dezembro: um doente de 80 anos terá estado à espera numa maca durante cerca de seis horas sem ser visto por médicos, contou o seu filho na altura às estações de televisão. O homem morreu na sequência de um acidente vascular cerebral (AVC). O Centro Hospitalar de Lisboa Central abriu um inquérito, mas o resultado ainda não foi divulgado.

A morte no Serviço de Urgência de Peniche aconteceu em circunstâncias diferentes: uma mulher de 79 anos que se queixava de "dores no peito, nas costas e num ouvido", segundo os seus familiares, foi triada com pulseira amarela (a terceira numa escala de prioridades com cinco cores), por volta das 9h30, e vista por um médico passados 15 minutos. Contudo, como necessitava de fazer análises (que tiveram que ser enviadas para o Hospital das Caldas da Rainha porque o de Peniche não tem laboratório), teve que aguardar.

Depois de conhecido o resultado das análises, que foram inconclusivas, decidiu-se que teria ainda que fazer uma TAC (tomografia axial computorizada), também nas Caldas. Acabou por morrer quando estava a ser preparada para ser transportada para esta unidade, por volta das 19h. O Centro Hospitalar de Peniche abriu um inquérito, apesar de considerar que "o atendimento proporcionado à utente foi adequado e atempado" e que ela esteve "sempre acompanhada pelos profissionais de serviço".

Este caso aconteceu apenas um dia depois de um homem de 57 anos ter morrido na urgência do Hospital de S. Sebastião (Santa Maria da Feira), enquanto aguardou por atendimento durante mais de cinco horas, com vómitos e náuseas, de acordo com os seus familiares. Primeiro triado com prioridade amarela, só depois do agravamento do seu estado de saúde é que lhe foi atribuída a pulseira laranja (muito urgente) e foi então visto por um médico, mas já não foi possível salvá-lo. O Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga (a que pertence o Hospital da Feira) decidiu também abrir um inquérito.

Esta semana, a Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) adiantou que está a acompanhar sete dos oito casos até agora relatados na comunicação social e que instaurou, por enquanto, quatro processos de inquérito ("a propósito das situações que envolvem o Hospital de Peniche, o Centro Hospitalar de Setúbal, o Hospital de Santa Maria da Feira e o Hospital Garcia de Orta"), além de estar a acompanhar a investigação da morte ocorrida em S. José.

Alexandra Campos | Público | 23-01-2015

Comentários (1)


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Bom Dia|

O primeiro erro consiste na ideia errada que a a chamada Triagem de Manchester oferece. Um enfermeiro ouve as queixas dos pacientes, faz um juízo médico das queixas e um juízo pessoal do doente, não esquecendo a ideia que vimos reproduzida em muitas peças que passaram na TV, segundo a qual os doentes vão às urgências porque ali podem fazer todos os exames.
Depois, sem fazer medições básicas ao doente, coloca-lhe uma pulseira e fecha a sua actuação, enviando o doente para a sala de espera.
O segundo erro reside na efectiva falta de médicos e na incapacidade de estes delegarem as medições básicas aos enfermeiros, capazes de preparar o diagnóstico ao médico. Na verdade o médico faz tudo e com isso perde tempo precioso.
Dia 23 de Dezembro entrei nas urgências do Hospital S.Francisco Xavier e a Triagem ofereceu-me uma pulseira amarela. Esperei um hora e quando fui chamado, a primeira coisa que a médica fez foi medir-me a tensão. Confesso que me assustei com o esgar da médica e de uma outra por ela chamada. Pudera, tinha uma tensão de 24/15. De imediato deram-me um comprimido e fui enviado para o SO.
Durante a espera poderia ter sido alvo de um AVC ou pior, coisa que poderia ter sido atenuada se na Triagem a enfermeira tivesse medido a tensão, o que teria abreviado em uma hora o risco que corri.
Por isso não fico admirado com os recentes nefastos acontecimentos, estranhando apenas não existirem mais.
Poderiam ter sido evitados? Acredito que alguns poderiam, se a acção da enfermeira da Triagem tivesse outra margem de actuação, permitindo perceber de facto o grau de urgência em presença. Assim como está limita-se a criar uma hierarquia no atendimento e a motivar uma convicção em médicos, doentes e familiares dos doentes que nem sempre corresponderá à verdade.
Orlando Teixeira , 24 Janeiro 2015 - 08:34:19 hr. | url

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