Excesso de leis e peso do Estado travam competitividade

Economistas defendem aposta em mercados terceiros e em nichos como a educação e a saúde para atrair mais investimento e crescimento

A performance do governo e o próprio peso do Estado continuam a ser os grandes óbices a uma melhoria da competitividade de Portugal. Mesmo assim, o Fórum para a Competitividade acredita que o país pode melhorar se apostar em sectores estratégicos ligados à inovação, diversificar os mercados das exportações para países terceiros e apostar em segmentos como o turismo ligado à saúde.

Apesar de termos subido 15 lugares no no último ranking do World Economic Forum, para o 36.° lugar entre 144 países, continuamos no 67.° lugar no que toca à confiança dos portugueses nas instituições públicas e em 111° lugar relativamente à eficiência do quadro jurídico na resolução de litígios.

Outro lugar negro neste quadro: o peso da regulamentação governamental, onde estamos na 108.ª posição. No desperdício de gastos do governo ocupamos a 88.ª posição e na capacidade de manter e atrair talentos ocupamos a 91.ª e a 72.ª posições, respectivamente. Outra área que deixa a desejar prende-se com o sistema bancário e o financiamento, onde estamos na 104.ª posição.

Os economistas Félix Ribeiro e Daniel Traça apresentam hoje, no âmbito do organismo liderado por Pedro Ferraz da Costa, dois documentos em que defendem que o aumento da competitividade nacional passa sobretudo por um reposicionamento do país num mundo globalizado, em que a atracção do investimento possa ser assegurada por um enquadramento institucional realista e estável, que leve o país a assumir-se no espaço europeu como local privilegiado para a criação de emprego especializado, desenvolvimento de novos projectos, sediação de capitais e competências técnicas.

As propostas passam também por uma aposta clara do governo nos sectores exportadores, de maneira a serem pólos de elevada produtividade na economia (assente em equipamento, tecnologia, organização, qualificação de recursos humanos), mas também em sectores mais protegidos da concorrência internacional, como a educação, a formação e a saúde.

"Portugal tem condições para se consolidar não só como um pólo europeu de turismo, combinando amenidades, serviços de elevada qualidade, actividades culturais e de entretenimento que valorizem o seu vasto património histórico e de relacionamento internacional", defende Félix Ribeiro, "mas também como zona capaz de servir de espaço residencial a dezenas de milhares de estrangeiros, nomeadamente seniores, mas também quadros técnicos e criativos".

O clima, a qualidade da oferta hoteleira, a disponibilidade de serviços de saúde de mérito reconhecido, as boas infra-estruturas e serviços de telecomunicações e transportes, são algumas das vantagens que o país tem face a outros países europeus. "Portugal pode ir mais longe, dinamizando - através destas funções de acolhimento - serviços de saúde em interacção com a captação de novos fluxos turísticos e de novos residentes", defende também Félix Ribeiro.

Margarida Bon de Sousa | ionline | 23-09-2014