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REVISTA DE 2014

ADSE e o SNS vão ter os mesmos preços e prestadores privados

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Passos Coelho foi esta segunda-feira à abertura da cerimónia dos 35 anos do Serviço Nacional de Saúde (SNS) anunciar que a ADSE e o SNS vão ter os mesmos preços e prestadores privados. E sustentou que "este Governo demonstrou em atos e em escolhas que esteve ao lado do SNS no seu momento mais difícil".

Os funcionários públicos vão continuar a ter liberdade de escolha na assistência médica, mas as opções poderão ficar mais limitadas. A lista de preços e de convencionados, prestadores dos setores social e privado, em vigor no seu subsistema de Saúde, a ADSE, vai ser unificada com o SNS, tradicionalmente com menos benefícios. A medida foi anunciada esta segunda-feira pelo próprio primeiro-ministro, por ocasião dos 35 anos do SNS, celebrados na reitoria da Universidade Nova de Lisboa.

"Com a transferência da tutela da ADSE do Ministério das Finanças para o Ministério da Saúde, procederemos à unificação da lista de preços e de convencionados ao Estado", afirmou Pedro Passos Coelho. Por outras palavras: "A liberdade de escolha será mantida, mas separaremos organicamente a gestão do financiamento da gestão da prestação dos cuidados".

Num discurso com 11 páginas, Passos Coelho criticou quem 'aponta o dedo' à reforma na Saúde, afirmando que "os maiores depreciadores do consenso nacional em torno do SNS são aqueles que são indiferentes à sua sustentabilidade". Ao invés, diz que o seu Governo faz "escolhas".

Das opções para o futuro do SNS, fazem parte "continuar a trabalhar para que todos tenham o seu médico de família", ter enfermeiros de famílias nos centros de saúde ou aumentar as camas de cuidados continuados, sobretudo na área da saúde mental. No plano da reforma hospitalar, o primeiro-ministro garantiu que será feita "uma revisão da carteira de serviços, partindo de redes de referenciação construídas com base em pressupostos técnicos claros", ou seja, impedindo que todos façam tudo. Uma meta que tem sido repetidamente anunciada e sucessivamente adiada.

Foi ainda referido que o conceito de hospital universitário será revisto e que a devolução de hospitais (três) às Misericórdias vai mesmo avançar. Além disso, os hospitais com contas equilibradas vão ter autonomia para contratar recursos, sem estarem dependentes das Finanças.

Intervindo logo após a exibição de um filme com os ganhos em Saúde desde 1979, apresentado pelo diretor-geral da Saúde, Passos Coelho reconheceu que "todos nós temos orgulho na missão que o SNS cumpriu". Mas não só. "Todos nós temos grandes esperanças na missão que o SNS cumprirá nos anos seguintes. Estas são razões suficientes para persistirmos ainda mais na subida dos padrões e na melhoria da prestação deste serviço inestimável", acrescentou.

Recusando a acusação de "cortes cegos", defendeu que "este Governo demonstrou em atos e em escolhas que esteve ao lado do SNS no seu momento mais difícil". Quando? "Com a pré-bancarrota de 2011, o SNS sofreu a maior ameaça de toda a sua história."

Vera Lúcio Arreigoso | 15-09-2014

Comentários (10)


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Parece-me que se está a preparar a última machadada na ADSE.
Ai Ai , 15 Setembro 2014 - 20:47:58 hr.
...
Meus caros: digam adeus à ADSE. Que vergonha...
Indignado , 15 Setembro 2014 - 20:50:52 hr.
Dêem-lhe uma dose...
Parece que finalmente os funcionários públicos vão pagar os seus impostos e usufruir do SNS deixando de pagar também a ADSE. Que bela notícia!

E o país vai-se afundando com este artolas...
... , 15 Setembro 2014 - 23:19:13 hr.
Ai é?
Então devolvam-me todo o dinheiro que ao longo dos anos descontei para a ADSE!
Ana Paula Horta , 16 Setembro 2014 - 02:29:59 hr. | url
...
Porque é que os funcionários do estado não se organiza~, mandam a ADSE às malvas e fundam uma mutualista na área da saúde, deixando estes tipos a gerir coisa nenhuma chamada ADSE? Por andam os sindicatos?
ah ah ah ah , 16 Setembro 2014 - 10:53:40 hr.
...
Este Passos Coelho nem se dá ao trabalho de disfarçar minimamente aquilo que quer que aconteça com estas "igualações":

- arranjar mais clientes para os seguros de saúde; e
- arranjar mais clientes para a negociata da saúde privada, dos seus amiguinhos Mellos, Esp´ritos Santos e quejandos...
Zeka Bumba , 16 Setembro 2014 - 13:00:33 hr.
...
Pois é Zeka, o problema é que vai-lhes sair o tiro pela culatra pois ninguém vais subscrever seguro (assim o espero).
Eu cá não vou subscrever, de certeza, com tantas claúsulas de exclusão que os seguros têm, e por este andar é garantido que para o próximo mês vou enviar a minha carta para prescindir da ADSE (já que vão acabar com ela o melhor é sair agora para reduzir o prejuízo).
Ai Ai , 16 Setembro 2014 - 13:10:05 hr.
ASSOCIAÇÃO MUTUALISTA
Louvo a ideia de "ah ah ah ah".
Creio que a fundação de uma associação mutualista com a generalidade dos servidores do Estado como associados - e descontando apenas 1 % do vencimento de cada um (como era dantes) - exactamente com os mesmos direitos conferidos pela ADSE e com protocolos estabelecidos com as diversas clínicas espalhadas pelo país seria benéfico para todos e acabava-se de vez com estes impostos encapotados dirigidos apenas a alguns.
Nessa situação, sim, sairia de bom grado da ADSE.
Segurozinhos para engordar agiotas carteiras, não.

Impõe-se pois, creio, uma séria reflexão sobre a mutualista, questão para a qual as associações sindicais e sindicatos de todos os servidores do Estado deviam despertar.
Cidadão Preocupado , 16 Setembro 2014 - 14:49:42 hr.
....
Se vou passar a ter os mesmos direitos/benefícios que tem o SNS, por que razão haverei de ter mais obrigações, ou seja: pagar, cada mês, um extra de 80 Euros para a ADSE? Mais vale embolsar eu este dinheiro. Para mesmos direitos, mesmas obrigações.
Jonas , 18 Setembro 2014 - 11:00:51 hr. | url
...
A mama tinha de acabar um dia, não acham.......ehehehhehehhe
Pedro , 11 Junho 2015 - 16:18:33 hr.

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