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REVISTA DE 2014

Funcionários públicos com perdas salariais de 20% e mais

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As medidas de austeridade aplicadas na Administração Pública desde 2010 já levaram a cortes nos salários líquidos dos funcionários que, nos casos de rendimentos de 3.000 euros brutos, atingem 18,9%, segundo simulações da consultora PricewaterhouseCoopers (PwC).

Segundo as simulações da PwC feitas para a Lusa, um funcionário público casado que tinha um salário bruto mensal de 3.000 euros em 2010 e manteve o mesmo salário em 2014, terá, este ano e face a 2010, um corte no salário líquido de 18,9%.

Na prática, em 2010, este trabalhador (sem contar com os descontos para a Caixa Geral de Aposentações) recebia um salário líquido anual de 31.415,92 euros. Em 2014 irá receber 25.491,12 euros, uma diferença de quase 6.000 euros ou menos 18,9%.

Em termos mensais, a diferença é entre um salário líquido de 2.244 euros em 2010 para um salário de 1.820,8 euros em 2014, menos 423,2 euros.

A justificar esta redução está o corte salarial que entrou em vigor em 2011 e que foi agravado no âmbito do Orçamento do Estado para 2014, prevendo-se agora um corte salarial entre 2,5% e 12% para salários superiores a 675 euros. Desde 2011 que já estava em vigor um corte salarial, mas que variava entre 3,5% e 10% e apenas para salários brutos superiores a 1.500 euros.

A penalizar os salários está ainda o "enorme" aumento de impostos em vigor desde 01 de janeiro de 2013, na expressão do ex-ministro das Finanças Vítor Gaspar, e o aumento dos descontos para o sistema de saúde dos funcionários públicos, a ADSE.

Em 2010, os funcionários descontavam apenas 1,5% para a ADSE, em 2013 passaram a descontar 2,25% e em 2014 vão descontar 3,5%. Como ainda não se sabe qual o momento em que estes descontos entrarão em vigor, a PwC baseou os seus cálculos anuais no pressuposto que esta subida apenas iria afetar os salários a partir de março.

Mas fora destes cálculos fica, por exemplo, a perda de poder de compra deste funcionário resultante dos aumentos de preços que ocorreram desde 2010 e as subidas de outros impostos que acabam também por afetar o rendimento disponível.

E se entre 2010 e 2014 o corte salarial para o rendimento analisado atinge os 18,9%, fazendo a comparação apenas entre 2013 e 2014, chega-se a um corte no salário líquido de 5,8%.

Este mesmo trabalhador tinha um rendimento anual líquido em 2013 de 27.060,61 euros, o que compara com os 25.491,12 euros de 2014, uma diferença superior a 1.500 euros anuais ou um corte de 5,8%.

Em termos mensais, esta diferença será entre um salário líquido mensal de 1.932,4 euros no ano passado para um salário de 1.820,8 euros em 2014. Mais uma vez, estes cálculos não levam em linha de conta os descontos para a Caixa Geral de Aposentações.

As restantes simulações feitas pela PwC permitem ver, para vários níveis de rendimentos, que os cortes nos salários líquidos dos funcionários públicos entre 2010 e 2014 variam entre os 8,4% para rendimentos mensais brutos de 900 euros e os já descritos 18,9%. Já entre 2013 e 2014, a variação é entre um corte de 4,5% e 5,8%.

Segundo Luís Filipe Sousa, consultor fiscal da PwC, os resultados das simulações mostram que "a redução do rendimento líquido vai sendo mais expressiva à medida que o nível de rendimento aumenta".

O mesmo especialista explica que a análise feita revela que a diminuição de rendimento resulta "do efeito combinado das reduções remuneratórias, do incremento da tributação em IRS (por via da alteração de taxas, redução de deduções à colecta e introdução da sobretaxa e da taxa adicional de solidariedade) e do acréscimo da taxa de desconto para ADSE".

Notícias ao Minuto | 18-01-2014

Comentários (7)


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Desafio à "intelligentsia"
Uma das razões para estes cortes é o facto do desemprego ter atingido níveis escabrosos.

Segundo algumas notícias, 15% das pessoas pertencentes à chamada "população activa" (pessoas capazes de trabalhar) não trabalha.

É 15% da força produtiva do País que está "encostada às boxes", como aqui tenho repetidamente escrito. (Não trabalham, logo não produzem riqueza; soma-se a isto o facto de não pagarem impostos.)

Não há uma alma - um Juiz Conselheiro Jubilado, um Professor Universitário, um Álvaro Barreto, um Pacheco Pereira, uma Manuela Ferreira Leite, um Bagão Félix, um César das Neves, um José Sócrates - que se lembre se iniciar um movimento pelo emprego, defendendo nomeadamente:

- a proibição do abastecimento self-service nos postos de abastecimento de combustíveis;
- a proibição do pagamento self-service no comércio.

E já não era pouco.

Não sei se estão a ver a relação disto com o desemprego... Se calhar eu estou erradamente convencido de que as pessoas acima descritas são capazes de relacionar o problema do self-service com o problema do desemprego, e este com o do estado da Economia Pátria...

Procurar no google por:

proibição self service

(sem aspas)

Vejam por que no Brasil há tanto político a querer acabar com isto.
Por que será?
Gabriel Órfão Gonçalves , 18 Janeiro 2014 - 21:58:31 hr.
...
Eu acho é que as perdas salariais deveriam ser compensadas com a emissão de títulos de dívida em benefício de cada um dos afectados com os cortes ( tal como aconteceu no tempo de Mário Soares, em 1983, quando houve intervenção do FMI).
Mas não o fazem porque a ideia é transferir património de quem trabalha para o capital sem qualquer sacrifíco dos titulares deste último (ou o mínimo possível).
Ai Ai , 18 Janeiro 2014 - 22:53:04 hr.
Acrescentando ao comentário de Gabriel Órfão Gonçalves
Falta dizer que as máquinas Multibanco também não fazem descontos para a Segurança Social nem pagam IRS quando a isso deveriam ser obrigadas. Pelo contrário, a banca pretende exigir dos depositantes taxas de utilização quando de facto está a poupar nos funcionários que seria obrigada a empregar!

Há cerca de cinco anos quando se tornou evidente que o lixo se tratava de um grande negócio, deixei de fazer a separação metendo tudo no mesmo saco!
Deixei também de "ser educadinho" nas grandes superfícies de restauração e afins levando o meu tabuleirinho e deixando a mesa livre! É que reparei que começaram a despedir as empregadas por falta de uso!
E tantos outros casos idênticos!

Kill Bill , 19 Janeiro 2014 - 14:52:57 hr.
...
As contas estão muito mal feitas e são um grande favor ao governo, o que não é de estranhar porque a empresa citada é cliente do governo.
Com excepção dos que têm rendimentos mais baixos, o rendimento líquido da maioria dos trabalhadores e agentes do Estado ultrapassa os 30%. Há casos, como sucede com os juízes, que já vai nos 36%.
Azarado do Citius , 19 Janeiro 2014 - 21:07:30 hr.
...
Vamos mas é proibir reformas acima de 1000 euros para evitar abusos de quem nos governa. Porque isto de ganhar mais de 10 vezes que o salario médio de um país pobre não é mais de que um abuso de direito e que é inconstitucional, alguém ganhar mais de reforma que aquilo que descontou a vida toda. A minha geração não tem de suportar estas vidas acima das possibilidades de um país pobre, nem admito que alguém viva melhor do que eu com o meu dinheiro.
Cavenon , 20 Janeiro 2014 - 20:36:16 hr.
Eia Cavenon !!!
E que tal ganhar toda a gente o mesmo? vamos supor que 900 euros?
Ah! E as casas deviam também ser todas iguais e do mesmo tamanho!
Ah! E os automóveis também! Seria obrigatório andarmos todos de Aixam ou de Famel Zundap/Casal boss e usar um capacete tipo penico!
Ah! E já agora elegíamos um tipo que se chamasse Enver Hoxha para nos governar!
E no fim podíamos ir todos á ...#@....!!!!
Kill Bill , 20 Janeiro 2014 - 23:00:58 hr.
CAVENON
Não tens que descontar para mim que já descontei quase 40 anos, mas eu tive que descontar para a reforma do teu avô e do teu pai e tive que descontar para que tu pudesses estudar. Quando me devolveres o que já descontei para ti e para a tua família, podes discutir essa tua razãoe
Pimpinela , 21 Janeiro 2014 - 17:25:10 hr.

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