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REVISTA DE 2014

ADSE garante mais de 30% da facturação anual do sector privado

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Mais de um terço da facturação dos grupos privados da saúde vêm da ADSE, o seguro de saúde dos funcionários e pensionistas públicos. Hospitais privados defendem o subsistema.

O sector privado da saúde ganha pelo menos 500 milhões de euros por ano com a ADSE, o seguro de saúde dos funcionários públicos. Os números constam do relatório de actividades de 2012 deste subsistema de saúde e mostram a dimensão do negócio para os privados, numa altura em que o Governo já anunciou um novo au mento das contribuições.

De acordo com os dados de 2012, a ADSE gastou 272,7 milhões de euros com o regime convencionado (aquele em que há acordo com o prestador de serviços), e 138,2 milhões no regime livre (em que os utentes adiantam a totalidade e recebem depois o reembolso de uma parcela). A comparticipação de medicamentos custa 73 milhões de euros à ADSE. No total, os custos suportados directamente pela ADSE são de 483,9 milhões de euros. A este valor, somam-se 50 milhões de euros que saem do bolso dos utentes no regime convencionado.

A estas parcelas falta ainda acrescentar o pagamento que fica a cargo do beneficiário no caso do regime livre, que não é conhecido. É que, nesta situação, o valor da despesa não reembolsada é variável porque os preços são fixados pelo mercado e o reembolso está limitado a certos montantes.

"É evidente que a ADSE é um negócio importante para os privados", reconhece Artur Osório de Araújo, presidente da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP). O responsável adianta que "30% da facturação dos hospitais privados são da ADSE" e garante que acabar com este subsistema seria "andar para trás". Números da associação apontam para uma facturação global dos grupos económicos privados na saúde de 1.500 milhões de euros em 2012.

Mas não é só pelo negócio que Osório de Araújo defende a ADSE. Até porque "se acabasse, muitas pessoas fariam um seguro de saúde e os privados acabavam por ganhar na mesma". O responsável defende que a ADSE permite liberdade de escolha, garante que fica mais barato ao Estado e aponta que esta é a prática europeia.

Emanuel dos Santos, ex-secretário de Estado do Orçamento, defende que "a ideia de que a ADSE alimenta os privados é errada". E frisa: "Pode acontecer que algumas das entidades convencionadas possam ter alguma dependência significativa da ADSE, mas não se pode dizer que seja essa a lógica". Além disso, argumenta, "este é um bom seguro que dá uma protecção adicional e o Governo deveria reconsiderar o que quer fazer".

Emanuel dos Santos lembra que "também as grandes empresas privadas proporcionam protecção na saúde aos seus trabalhadores e esta é uma forma de fidelizar os recursos humanos".

Num momento de enorme pressão sobre as finanças públicas, a generosidade do seguro de saúde público é um alvo apetecível para o Governo (e mesmo para várias pessoas dentro do PS). As medidas recentes - reforçadas agora no plano de reacção ao chumbo do TC - caminham nesse sentido.

A partir deste mês, os funcionários e pensionistas públicos passam a descontar 2,5% do seu salário ou pensão para a ADSE. Este valor já representa um aumento face aos descontos efectuados em 2013: até Agosto a taxa era de 1,5% e daí em diante passou a 2,25%.

Contudo, agora o Governo avisou que o desconto vai voltar a subir em breve - fala-se num número superior a 3%. A ideia é fazer com que a ADSE deixe de depender de transferências do Orçamento do Estado e passe a ser financiada apenas pelas contribuições. A medida já estava prevista no memorando da troika, mas o Executivo quer agora antecipar para responder ao chumbo do Tribunal Constitucional à convergência das pensões.

Denise Fernandes e Margarida Peixoto | Diário Económico ! 08-01-2014

Comentários (21)


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func publicos pagam 2x o SNS!
O que não tem sentido algum e parece INCONSTITUCIONAL é um pagador de ADSE e de IMPOSTOS ter de apresentar o cartão da ADSE no SNS.
Como todos somos contribuintes do O.E. (e logo do SNS), qualquer contribuinte fiscal de Portugal TEM DIREITO IMEDIATO E DIRECTO ao S.N.S.
Imagine-se o que se pouparia no orçamento da ADSE se os titulares da ADSE não tivessem de pagar 2 vezes o SNS: com a ADSE e com os seus impostos.
Mario , 08 Janeiro 2014 - 13:36:09 hr.
...
O mostrar-se o cartão não significa que seja cobrado qualquer dinheiro/custo à ADSE. Pelo contrário,

- os encargos com as prestações de cuidados de saúde, realizadas por estabelecimentos e serviços do SNS aos beneficiários da ADSE, são suportados pelo orçamento do SNS.

- as farmácias só faturam à Direção-Geral as comparticipações dos medicamentos dispensados a beneficiários da ADSE quando prescritos por médicos no exercício de atividades privadas e fora do âmbito do SNS.


Conclusão:
A ADSE nunca foi autossustentável e sempre recebeu transferências do Orçamento de Estado - dinheiro pago em grande parte por contribuintes que não beneficiam desse subsistema de saúde. Se alguém se tem de queixar... são os tristes do privado que pagam por algo de que, insisto, não beneficiam e faz com que haja Portugueses de primeira e de segunda no acesso a cuidados de saúde, e tem provocado a deterioração do SNS. É o que penso.

Cumprimentos


Uma nota: é perfeitamente legítimo o SNS faturar encargos às seguradoras; afinal de contas elas vendem planos de assistência onde se cobram por isso. E urge obrigar as caloteiras a pagarem...
Franclim Sénior , 08 Janeiro 2014 - 17:48:43 hr.
ADSE para Todos
E porque não igualdade de direitos? ADSE para todos.
peregrino , 08 Janeiro 2014 - 17:56:54 hr.
ADSE para Todos mas a CONTRIBUIR
ADSE para Todos:
Acho muito bem.
Mas não se esqueça que para ter ADSE tem de contribuir mensalmente com a respectiva percentagem do SALÁRIO REAL (como acontece com todos os funcionários públicos e agentes do Estado) e não com aquilo que se "declara" auferir, ok?
Depois faça as contas do valor total da contribuição por ano e veja se com esse valor não consegue contratar um seguro de saúde de luxo.
Quem quer direitos, não pode esquecer que também há o contraponto dos deveres. Os cidadãos que recorrem ao SNS é que pensam que só têm direitos.
P9977 , 08 Janeiro 2014 - 19:45:12 hr.
...
Então porque motivo P9977 é que se preocupa tanto com as contribuições para a ADSe se a mesma nem
e auto-sustentável.
Já agora quanto é que contribui por mês pra a ADSE?
peregrino , 08 Janeiro 2014 - 21:34:10 hr.
...
peregrino, ao contrário do que diz, já há estudos que demonstram que a ADSE é actualmente auto-sustentável. Aliás, Manuela Ferreira Leite já disse que com o último aumento a contribuição dos beneficiários é superior ao que a ADSE suporta. O problema é que estão a ser desviados fundos da ADSE para a Segurança Social.
Não é que interesse muito quanto contribuo. Mas também não há nada a esconder, porque o meu salário (bruto) é o real, não tem nem tickets restaurante, nem notas em envelopes. São €126/mês = € 1764/ano. Provavelmente mais do que o peregrino paga em IRS por aquilo que declara auferir.
P9977 , 08 Janeiro 2014 - 21:58:09 hr.
Não tenho ADSE mas percebo o que está em causa
E porque é que o peregrino se preocupa tanto com a ADSE se o SNS é todo ele pago pelo orçamento do Estado, isto é, dos impostos dos que são contribuintes e não fogem ao fisco, incluindo por aqueles que além de subsidiariem o SNS também sustentam a ADSE? É que é dos impostos se todos, incluindo dos que pagam a ADSE, que o SNS é sustentado, isto é, também por aqueles que não o frequentam, mas que se a ADSE deixar de existir passarão a utilizá-lo. E nessa altura não há orçamento (impostos) que valham ao SNS, que rebentará por completo ou então as consultas passarão a dilatar-se para 10 anos. Pois é, ... sem a ADSE:
- Quase 1 milhão e meio de pessoas passariam para o SNS
- Essas mesmas pessoas passariam a receber salários líquidos mais elevados (deixariam de ter o desconto para a ADSE)
- O SNS teria que ter estruturas, médicos, meios, para receber esse 1 milhão e meio de pessoas
- Os que hoje vão ao SNS, mesmo os que nada ou pouco pagam em impostos, passariam a ter que esperar muito mais pelas consultas e actos médicos.
SNS-SOS-SNS , 08 Janeiro 2014 - 22:05:35 hr.
...
O problema que se põe é este: a ADSE custa-me cerca de € 1800 por ano (só para mim, já que a minha mulher e filhos têm outro sistema). O seguro que a ASJP fez anda pelo € 580 por ano, o que é significativo, mas há melhores no mercado, o que me deixa algo perplexo. Até Março decido o que fazer, mas começo a ficar cheio com isto tudo.
.
Sun Tzu , 08 Janeiro 2014 - 22:51:11 hr.
...
Não me importava nada de descontar € 1800 por ano para a ADSE..........e mesmo assim acho que a intenção de trocar por outro qualquer seguro é só fumaça...
Valmoster , 09 Janeiro 2014 - 09:36:58 hr.
...
Durante o ano de 2013, descontaram-me mensalmente do vencimento 123,07 Euros a título de contribuição para a ADSE.
Apenas eu e o meu filho de 4 anos somos beneficiários da ADSE.
Para consultas de rotina ou pequenas coisas, recorremos ao médico de família no posto médico da nossa área de residência, que é muito bom. O meu filho ainda não paga taxas moderadoras (devida à idade) e eu paguei 5 Euros da última vez que lá fui.
Paralelamente, e sempre que recorro a médicos de especialidade- o que sucede, em média, cerca de 8 a 10 vezes por ano- pago a totalidade da consulta e aguardo pelo miserável reembolso (18,00 Euros por consulta, penso eu) por parte da ADSE, uma vez que o número de médicos com convenção com a ADSE é cada vez menor.
Paralelamente, subscrevi 2 seguros de saúde- para mim e para o meu filho-, que se destinam basicamente a consultas médicas de especialidade e dentista, e pelos quais pago anualmente cerca de 85,00 Euros por cada um.
As consultas ficam muito mais baratas com a utilização do seguro de saúde, do que com a comparticipação da ADSE. Aliás, não se compara, sequer.
No caso de tratamentos médicos ou exames complementares de diagnóstico mais complexos, recorro aos hospitais públicos, do SNS, porque acredito que, em regra, o serviço é melhor.

Portanto, contas feitas, não tenho qualquer vantagem económica ou médica em manter o estatuto de beneficiária da ADSE, sendo certo que, com o valor que desconto mensalmente para a ADSE posso subscrever dois seguros de saúde verdadeiramente bons, com o quinto da cobertura oferecida pela ADSE.

Por essa razão, estou a ponderar seriamente em desvincular-me da ADSE. Até porque, sou defensora do SNS, que é muito bom e de muita qualidade, apesar do que se diz por aí.

Se o montante das contribuições para a ADSE aumentar para 3% ou mais, julgo que não estarei só na minha decisão de desvinculação da ADSE, pois tal contribuição passa a ser manifestamente excessiva por referência às contrapartidas oferecidas pela ADSE, principalmente, tendo em conta que as novas convenções são feitas essencialmente com grupos de investidores privados na área da saúde e não com os próprios médicos, e as coberturas dadas pela ADSE são cada vez menores.

E sempre gostava de ver os Mellos e os Espíritos Santo da saúde a aguentarem-se sem os 30% das contribuiçõezinhas da ADSE... De resto, a ADSE ainda não foi extinta porque tal prejudicava seriamente o negociozinho destes Mellos e Espíritos Santo, para além de muitos mais...

Cumprimentos a todos...
Paródia , 09 Janeiro 2014 - 13:35:14 hr.
Comparação
Segundo a comparação, a ADSE parece-me o regime mais protector. http://www.dotecome.com/saude/...rativo.htm
BarrigaCheia , 09 Janeiro 2014 - 13:48:37 hr.
Não percam o vosso precioso tempo
A ADSE consubstancia, para mim, uma violação do princípio da igualdade.

Por muito que funcionários públicos e trabalhadores do sector privado possam ser diferentes, nada justifica a existência de um sistema de saúde organizado pelo Estado só para os funcionários públicos.(1)
O direito à saúde funda-se na dignidade do ser humano - e essa, creio, é a mesma quer se trabalhe para o Estado quer no sector privado. Ou estou errado?

Com a criação do SNS perdeu-se uma excelente oportunidade para acabar com a ADSE.

Todas as conversas que leio sobre a ADSE são perda de tempo precioso e centram-se em aspectos que, por muito interessantes que sejam (quem paga o quê a quem) estão a jusante do essencial: o respeito pela Constituição. Fosse respeitada a Constituição, e estas conversas e a correspondente perda de tempo não teriam lugar.

Aliás, é só porque a CRP não é respeitada que depois temos esta embrulhada toda: a ADSE, se não o é hoje (confesso desconhecer o OE 2014, que é o que está em vigor, certo?...), já foi no passado sustentada com o recurso a dinheiro de contribuintes que não podem dela usufruir; por outro lado, também é certo que há funcionários públicos que, contribuindo com os seus impostos para o bolo de onde sai o financiamento do SNS, não se aproveitam deste, mas apenas da ADSE. Paradoxalmente, toda esta embrulhada de cruzamento de financiamentos, que até uma criança que já tenha idade para perceber as regras de um jogo de futebol compreende quão grave é, em vez de tornar mais óbvia a conclusão de que a existência da ADSE é inconstitucional, torna esta conclusão, para alguns, mais inatingível! Com estes últimos portugueses o legislador axiologicamente desviado só pode sentir-se estimulado. O seu raciocínio será este: "Vamos fazer isto de tal forma complicado que seja impossível dizer onde está a inconstitucionalidade!" E sabem que mais? Um legislador destes... há 40 anos que se safa. Onde? Em Portugal, haveria de ser onde?

Já agora leiam o 64 da CRP (se nunca o tiverem lido), que é bem límpido.

Qualquer discordância, façam o obséquio...

----------

(1) Para quem aqui chegou com o inconsciente inclinado para pensar que é minha convicção ser a ADSE melhor do que o SNS, engana-se: entendo que a ADSE é melhor do que o SNS até certo valor de rendimento mensal; a partir de certo valor, o SNS mais a possibilidade de optar por um seguro privado é claramente mais vantajoso. Neste sentido - e só neste sentido - pode-se dizer que a ADSE penaliza quem mais ganha. Se é justo ou não que assim seja, é questão diferente. E é questão que nem perco tempo a pôr, uma vez que entendo que a existência da ADSE é materialmente inconstitucional, de uma ponta à outra.
Gabriel Órfão Gonçalves , 09 Janeiro 2014 - 23:12:46 hr.
...
Meu Caro Gabriel Órfão Gonçalves, tenderia a concordar consigo se a EDP, os CTT, a PT etc. também não pagassem seguro de saúde aos seus trabalhadores. Que me diz a isto? Não vale dizer que são privados, bçlá, blá, pois exploram concessões públicas a que não podemos fugir...
priviligiado sem saber , 10 Janeiro 2014 - 07:43:03 hr.
...
É curioso como, para alguns, as diferenças entre funcionários públicos e privados justificam sempre prejudicar os funcionários públicos.
Estas diferenças justificam os cortes unilaterais das remunerações dos funcionários públicos (ou a violação do dever de ocupação efectiva, com o quadro dos excedentários), mas já não justificam qualquer prestação do tipo ADSE.

É errado que o Estado entidade patronal acorde com os seus trabalhadores contrapartidas de prestação de serviços de saúde (comparticipadas, de resto)? É tão errado como acordar pagar-lhes um salário em dinheiro. Uma e outra contrapartidas são suportadas pela entidade patronal (ou deveriam ser)! Parte da ADSE vem dos bolsos dos contribuintes? Claro! O salário dos funcionários públicos também. De onde queriam que viesse?
Se salário e demais contraprestações forem a justa contraprestação pelo trabalho, qual é o drama de uma parte destas ser "em espécie" (como a ADSE)?
Também digo: por mim, podia ser tudo em dinheiro, pelo valor justo...

Acho mal que as entidades patronais privadas ofereçam como contrapartidas remuneratórias seguros de saúde (não comparticipados, de resto), carro, telemóvel e cartão de crédito.
E algumas destas entidades até recebem avales e subsídios do Estado, pelo que é o dinheiro público que, indirectamente, acaba por suportar estas mordomias.

Qualquer uma destas entidades patronais (Estado e privadas) tem de ir buscar aos seus bolsos o capital necessário para suportar estas contraprestações acordadas. A diferença está no facto de as segundas quererem tapar o Sol com a peneira.
Era , 10 Janeiro 2014 - 08:27:24 hr.
...
Vão matar a ADSE com os argumentos mais estúpidos e aumentando as contribuições para níveis superiores aos melhores seguros de saúde.
Só depois vão reparar que sistemas como este, pelas razões óbvias, existem em muitos países europeus - onde não lembra a ninguém dizer que são inconstitucionais.
Para não ir mais longe, na vizinha Espanha: Mutualidad General de Funcionarios Civiles del Estado
Seja , 10 Janeiro 2014 - 09:19:11 hr.
...
Para que se perceba como as coisas funcionam num País a sério, em que os seus governates não visam o empobrecimento do seu Povo mas dos outros Povos, a Alemanha, que foi de Hitler e é de Merkel:

O seguro é obrigatório para todos os cidadãos e residentes. Os que têm rendimento inferior a €49,500 estão cobertos pelo esquema de seguro público, conhecido por Gesetzliche Krankenversicherung (GKV). O GKV congrega cerca de 150 fundos de doença. Cada indivíduo opta livremente por um dos fundos, podendo trocar ao fim de um ano de permanência. Os fundos de doença seguram, além dos membros, os seus dependentes. Indivíduos com rendimentos superiores podem optar por seguros privados, mas uma vez que o façam não podem regressar ao GKV.
O GKV abrange atualmente cerca de 85% da população. Dos restantes, 10% tem seguro privados, na sua maioria funcionários públicos e trabalhadores por conta própria e cerca de 5% estão cobertos por regimes especiais, como o das forças armadas (Busse et al., 2011). O seguro para cuidados de longa duração é obrigatório e financiado com uma taxa de 1,7% do rendimento bruto, dividido entre os trabalhadores e os empregadores.

(...)
O sistema de saúde alemão é financiado, maioritariamente, por um imposto mensal sobre o rendimento dos trabalhadores e dos empregadores. O montante a contribuir é fixado pelo Ministério Federal da Saúde e é independente do fundo escolhido. As contribuições são recolhidas pela gestão central do GKV e distribuídas pelos fundos de acordo com uma fórmula que tem em conta o risco da população coberta. No caso dos desempregados e indivíduos com baixo rendimento, a proteção é assegurada por subsídios governamentais (KaiserEDU.org 2012).

Fonte: http://www.portugalglobal.pt/P...emanha.pdf

Claro que isto em Portugal não dava, pois eu contribuiria com taxa sobre 100% do meu vencimento e o meu vizinho, que explora um café, sobre 100% do declarado para as Finanças...
Sun Tzu , 10 Janeiro 2014 - 12:45:48 hr.
...
Caro privilegiado:

nada do que disse, por muito pertinente que seja (e é), pode indicar-nos se a existência da ADSE viola a CRP ou não. A ADSE não é ou deixa de ser conforme à CRP por causa daquilo que EDPs, PTs e quejandas façam ou deixem de fazer.

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Caro/a Era:

«É errado que o Estado entidade patronal acorde com os seus trabalhadores contrapartidas de prestação de serviços de saúde (comparticipadas, de resto)? É tão errado como acordar pagar-lhes um salário em dinheiro.»

A questão não é ser errado ou não. É violar ou não a CRP.
É constitucionalmente admissível que dinheiro que é de todos (o somatório de todos os contribuintes) vá parar ao bolso de alguns (os funcionários públicos) pelo trabalho por estes últimos prestado por uma única razão (que aliás, se não existisse, tornaria essa transferência de dinheiro em algo violador do princípio da justa distribuição da riqueza): o facto de o trabalho prestado pelos funcionários públicos prosseguir unica e exclusivamente o interesse público, tal como definido pelos representantes políticos eleitos pelo Povo. Não fosse esta razão, e nem faria sentido a expressão "funcionários públicos"; teríamos antes um corpus de mercenários a soldo de interesses obscuros. Só a prossecução do interesse públicos dá ao corpus de funcionários públicos a dignidade que ele tem. É uma única razão, apenas; é, porém, de uma força inatacável.

A sua argumentação quanto à ADSE é sedutora. Mas raciocinemos então por igualdade de razão:

- seria constitucionalmente admissível a existência de creches (não interessa se melhores ou piores do que as outras) só para filhos de funcionários públicos, a pretexto de serem uma remuneração em espécie do trabalho que os pais prestam?

- seria constitucionalmente admissível a existência de um banco onde só os funcionários públicos poderiam ser clientes (não interessa se com depósitos remunerados com uma taxa de juro mais alta ou mais baixa do que a média do mercado), a pretexto de isso fazer parte do contrato de trabalho celebrado com o Estado?

- seria constitucionalmente admissível a existência de supermercados onde só os funcionários públicos poderiam fazer compras (não interessa se em condições mais favoráveis ou menos do que nos outros)?

- e quantos mais exemplos...

Contra mim falo: até aos 25 anos, se não me falha a memória, usufrui da ADSE... só porque a minha mãe era funcionária pública! Dentista, ortopedista, clínica geral, tudo muito mais barato do que se não tivesse ADSE. Que justiça há nisto?!? Só porque uma pessoa de quem descendo era funcionária pública eu tive direito ao que muitos não tiveram (ou se tiveram, tiveram que pagar mais). Que justiça há nisto?, repito. Isto é uma clara e gravíssima violação do princípio da igualdade. Traduziu-se, para mim, numa discriminação positiva... em razão da ascendência! E isto quando o art. 13/2 da CRP diz claramente:

«Ninguém pode ser privilegiado, beneficiado, prejudicado, privado de qualquer direito ou isento de qualquer dever em razão de ascendência, sexo, raça, língua, território de origem, religião, convicções políticas ou ideológicas, instrução, situação económica, condição social ou orientação sexual.»

Não podemos viver num apartheid em que uns, por serem funcionários públicos, têm direito a serviços de saúde a que outros não podem aceder. Repito: se existe uma ADSE, por que não um seu equivalente ao nível de instituições bancários, supermercados, creches, ou mesmo stands de automóveis, compra de habitações, por aí fora? Por que não? Afinal, seria tudo justificado com o "contrato entre o Estado e o funcionário público"!...

Se acham que afirmar a inconstitucionalidade da ADSE se traduz, em última análise, em tirar algo de bom aos funcionários públicos, então defendam que o regime da ADSE deve ser para todos. Simplesmente a ADSE, se for para todos, não pode ter essa sigla. Passará a chamar-se SNS, como é óbvio. (Às vezes pergunto-me se a sigla SNS causará comichões nalgumas pessoas; e por que razões isso acontecerá...)

Eu não defendo um "nivelamento por baixo" dos serviços de saúde. Aqueles que porventura me poderão acusar disso têm de reparar numa coisa: implicitamente, estão a dizer que o SNS é pior do que a ADSE. Pergunto então o que já fizeram para pedir aos governantes a melhoria do SNS, que é o serviço de saúde que presta cuidados a milhões de portugueses, isto é, compatrioras vossos? Res, non verba!

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Gabriel Órfão Gonçalves , 10 Janeiro 2014 - 13:00:45 hr.
...
Caro/a Seja:

«Vão matar a ADSE com os argumentos mais estúpidos e aumentando as contribuições para níveis superiores aos melhores seguros de saúde.
Só depois vão reparar que sistemas como este, pelas razões óbvias, existem em muitos países europeus - onde não lembra a ninguém dizer que são inconstitucionais.»

Vejo que está preocupado com a morte da ADSE. Mas a solução é fácil. Quanto mais beneficiários tiver a ADSE, mais massa crítica de defensores terá. Daí que seja necessário estendê-la a toda a população. Para comemorar o feito, podemos rebaptizá-la. Proponho a sigla "SNS". Que acha?

Não lembra a ninguém dizer que são inconstitucionais? Ora essa, sabe lá o/a Sr./a se ninguém se lembra disso. Acaso lê toda, mas toda a opinião publicada nos jornais e na net nesses países que referiu? E ainda que de facto ninguém lá questionasse a constitucionalidade desses sistemas... acaso a CRP vigora nesses países?

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Recomendo a leitura deste texto:
(e acho que sou insuspeito nesta recomendação porque já aqui dissequei completamente, para depois os criticar de uma ponta à outra sem dó nem piedade, dois artigos de opinião deste Sr.)

"Acabar com a ADSE é difícil mas racional, justo e coerente" (Autor: Daniel Oliveira)

(pesquisar na net pelo título)
Gabriel Órfão Gonçalves , 10 Janeiro 2014 - 13:02:48 hr.
...
E a tendência é para continuar a aumentatr, posto que o poder político está inverstido em destruir o SNS para os amigos do privado ganharem dinheiro às nossas custas.
Zeka Bumba , 10 Janeiro 2014 - 14:27:16 hr.
...
Meu Caro Gabriel Órfão Gonçalves, eu não coloco a questão da morte anunciada da ADSE ao nível da inconstitucionalidade. Apenas digo que se é legítimo (moral, económica e juridicamente entenda-se) que aquelas empresas paguem (e muito bem) seguros de saúde para os seus trabalhadres, porque razão não há-de o Estado fazer o mesmo para os seus? Porquê esta sanha, do BE ao CDS, contra a ADSE?
privilegiado , 10 Janeiro 2014 - 21:23:52 hr.
...
Blá...Blá...Blá....
Quem, no seu pefeito juízo, quer ADSE ou qualquer outra coisa .....

O que todos deveriamos querer era, afinal, aquilo a que temos direito, bons salários, vencimentos condignos, que nos permitam escolher com verdadeira liberdade e pagar (claro está) os profissinaias de saúde que nos vão assistir, os estabelecimentos de saúde onde vamos ser assistidos, os tratamentos a realizar, etc.

Mas .... casa onde não há pão ... todos ralham e ninguém tem razão .... É este o país que temos ... onde um vencimento de €2000 ou mesmo de €1000 é considerado "uma regalia" .... com efeito "a regalia dos miseráveis" .....

ENFIM ..... para quem discute ADSE e coisas semelhantes .....
eu leio , 13 Janeiro 2014 - 13:37:32 hr.

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