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REVISTA DE 2014

Novo Código da Estrada aumenta risco de acidentes

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Uma das alterações ao Código da Estrada que prevê que os automóveis devem ceder passagem aos ciclistas sempre que circulem em ciclovias e devem guardar uma distância mínima lateral de 1,5 metros sempre que os quiserem ultrapassar, vai aumentar o risco de acidentes, uma vez que "obriga os automóveis a invadir a via de trânsito destinada ao sentido contrário", acrescentando que este limite mínimo não existe em mais nenhum país.

Desde quarta-feira que os condutores recém-encartados e profissionais, como os taxistas, estão sujeitos a um controlo mais apertado na estrada: a taxa de alcoolemia, para este grupo, foi reduzida dos actuais 0,5 g/l para 0,2 g/l.

Esta é uma das principais alterações que entrou em vigor há dois dias, com a revisão do Código da Estrada - mas não é a que está a gerar mais polémica. Os ciclistas vão ter a partir de agora mais direitos: passam a poder circular nas bermas (dantes tinham de o fazer o mais encostados à direita possível), têm prioridade se estão pela direita, como qualquer veículo, podem circular em corredores BUS sempre que as câmaras municipais o autorizem, os automóveis devem ceder-lhes passagem sempre que circulem em ciclovias e devem guardar uma distância mínima lateral de 1,5 metros sempre que os quiserem ultrapassar.

Esta norma, previne José Trigoso, presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, vai aumentar o risco de acidentes, uma vez que "obriga os automóveis a invadir a via de trânsito destinada ao sentido contrário", acrescentando que este limite mínimo não existe em mais nenhum país.

Crianças podem andar de bicicleta nos passeios

Há outras mudanças que o especialista vê com reserva. A partir de agora, dois ciclistas vão poder circular lado a lado, excepto em vias com pouca visibilidade ou com muito trânsito. Trigoso diz que esta norma vai expô-los a maior risco: "Antevejo potenciais situações de conflito. Em que momento decide o ciclista se está a circular numa via de visibilidade reduzida? No mínimo, deveriam ser sinalizadas as vias onde se entende que os ciclistas podem circular a par, para que os outros condutores possam adaptar o seu comportamento".

Se os ciclistas tiverem menos de dez anos, vão poder circular em passeios. "Considero completamente errada esta autorização, pois os passeios devem por natureza garantir a máximo de segurança a todos os peões, nomeadamente idosos e crianças", sublinha Trigoso, criticando o facto de este alargamento de direitos dos ciclistas não estar acompanhado de nenhum tipo de seguro de responsabilidade civil.

Sónia Graça | Sol | 03-01-2014

Comentários (5)


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Os idiotas voltam a atacar!
... devem guardar uma distância mínima lateral de 1,5 metros sempre que os quiserem ultrapassar, vai aumentar o risco de acidentes, uma vez que "obriga os automóveis a invadir a via de trânsito destinada ao sentido contrário"

E nas estradas de província com longos traços contínuos? Vai poder ultrapassar-se ? Podem os ciclistas ser considerados um obstáculo? Ou vamos todos em alegre procissão até á aldeia mais próxima? É que, quem como eu, apanha os grupos de fim de semana a andar por aí na "desportiva" sabe do que falo!
Serão estas leis, deliberadamente destinadas a causar infrações lucrativas?
Kill Bill , 04 Janeiro 2014 - 17:35:20 hr.
...
Boa Tarde!

Pior, Caro Kill Bill, pois o novo CE permite que duas bicicletas circulem lado a lado, o que diminuindo as longas filas para metade, envia-nos directamente para a faixa contrária, para os ultrapassarmos. Contas fáceis de fazer, não é? 2+2+1,5= 5,5m. Isto está tudo doido.
Orlando Teixeira , 05 Janeiro 2014 - 15:54:41 hr. | url
...
Refiro um exemplo de caça à multa que me parecia colocar em risco a vida dos condutores e passageiros.

A uns 20km de Viseu - no IP3 Coimbra-Viseu, cujos limites máximos de velocidade variam entre os 80 e 100km - esteve colocado durante muito tempo um sinal de 50km, o único em todo o percurso. Estava numa curva e apenas era visível a uns 15 metros de distância sem qualquer outro anterior que pudesse orientar uma redução gradual de velocidade dos 100 para os 50km. O sinal estava ali para forçar e legitimar as multas registadas por um radar da polícia escondido 3 metros depois entre os pilares de uma ponte. A redução brusca - por respeito ao sinal ou aflição do flash do radar - podia provocar a perda de controlo do veículo ou ficar em risco de ser abalroado por quem viesse de trás.
Que gente é esta que por uns trocos tantos riscos faz correr?

Passei lá há dias, o sinal foi retirado - permitindo-se agora novamente circular na zona a 100km. Formulo votos que a sua remoção não se deva a algum acidente que possa ter provocado; é que também tiveram o cuidado de apagar/limpar a palavra "radar" - que uma alma caridosa havia escrito a branco e letras garrafais na ponte - muito mais visível que a manhosa placa e que realmente precavia antecipadamente os condutores para que algo se passava; um generoso gesto que pode ter salvo algumas vidas.

Cumprimentos
Franclim Sénior , 06 Janeiro 2014 - 12:43:39 hr.
...
Estas alterações são incriveis nesta santa terrinha.
Só gostaria de saber quem são as personagnes que estão por detrás das alterações (em especial as relacionadas com as bicicletas).
Se calhar a paternidade também é desconhecida tal como no célebre art 30º do Cód. Penal (na revisão se não me engano conduzida por Rui Pereira).
Ai Ai , 07 Janeiro 2014 - 00:52:33 hr.
O Triunfo do Cidadão Pedaleiro.
Existem coisas que só neste país, sendo que as novas normas do CE bradam aos céus face à desproporcionada protecção dos ciclistas face aos outros utentes da via.

Já não bastavam os usos e abusos de alguns cidadão pedaleiros, tais como: Circulação em matilha, interrupção de trânsito, condução em vias de elevado tráfego a velocidades reduzidas (tais como a marginal Lisboa-Cascais), utilização de estrada quando têm via própria, desrespeito das regras de prioridade, passagem por passadeiras de peões, etc., etc., etc....

E, para cúmulo, agora o iluminado legislador, concerteza ordinário e também pedaleiro, ainda decidiu colocar novas regras que vão aumentar o despudor destes utilizadores abusivos das estradas.

E, que se saiba, as bicicletas não pagam IUC nem qualquer outro imposto, e são isentos de obrigações legais que os outros utentes têm que suportar a bem da nação (carta/licença de condução, seguros, Inspecções periódicas obrigatórias, matrícula e registo das viaturas, etc., etc.).

Mais se pergunta, se um destes cidadãos incumprir com normas estradais (pois qualquer e*********o pode pedalar na via pública), ou seja o causador de acidentes, como será identificado ? E caso seja indigente, quem pagará o prejuízo causado a outrem (a não ser que o Fundo de Garantia Automóvel também tenha que vir a pagar para quem não contribui para este).

Enfim, mais um exemplo de legislação rebaldeira, onde mais uma vez se consagra a desigualdade material entre cidadãos.

Mas isto não fica por aqui: o lobby pedaleiro ainda conseguirá que as bicicletas possam circular nas auto-estradas e vias rápidas, na faixa da esquerda. Esperem e verão....

, 07 Janeiro 2014 - 08:53:53 hr.

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