Revisor pára comboio para cobrar bilhete a cão

Militares da GNR acusados de agredir jovens que não compraram bilhete de comboio para a cadela que os acompanhava, anteontem, em Estarreja. Caso está a causar indignação em milhares, no facebook.

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A queixa de uma cliente da CP caiu no facebook, na Internet, como uma bomba. A mulher garante que, anteontem à tarde, na estação de comboios de Estarreja, assistiu a uma patrulha da GNR a agredir dois jovens, de 19 anos, após aqueles não terem comprado bilhete para a cadela, "meiga" e de porte pequeno, que os acompanhava no comboio urbano que faz a ligação entre Porto e Aveiro. A GNR confirma o episódio, mas garante que só usou a "força física" porque os militares foram "injuriados e agredidos".

Ao que tudo indica, os dois jovens, um de Ovar e outro de S. João da Madeira, entraram no comboio na estação de Ovar, às 18.47 horas. Um deles, com uma trela, transportava o seu animal de estimação. "O revisor implicou com o facto de a cadelinha não ter bilhete. O comboio parou a marcha na estação de Estarreja e o revisor chamou a Polícia para tratar da situação", denunciou Marlene Melo, na sua página do facebook. Segundo a testemunha, os passageiros "revoltaram-se", e ofereceram-se para pagar os 2 euros que correspondiam ao preço do bilhete para o animal.

"Chega a Polícia, identifica o rapaz, diz-lhe que deveria ter pago os 2 euros, todas as pessoas repetem que pagam e o que faz a Polícia? Adivinhem... agarra o rapaz à bruta. Ele até teve de largar a cadelinha porque, caso contrário, ela era maltratada ali", refere a alegada testemunha, acrescentando que os militares "bateram no rapaz sem qualquer problema, e bateram no amigo, como se de dois assassinos se tratasse".

"Todas as pessoas viram, chamaram nomes e gritaram", garante Marlene Melo.

Militar agredido

Contactada pelo JN, fonte oficial da GNR confirmou a ocorrência do episódio. No entanto, apresentou uma versão diferente daquela que ontem circulou, com milhares de partilhas, nas redes sociais. "Eles não queriam pagar o bilhete do animal. Por isso, o revisor pediu ajuda a um militar que estava no comboio, à civil. Mesmo assim, não acataram as ordens. Não queriam pagar nem sair, pelo que foi necessário pedir reforços", explica a GNR.

Foram pedidos reforços e uma patrulha do posto da Murtosa foi ao local. "Tiveram de usar a força física e, já no exterior, os jovens resistiram à detenção, injuriaram os militares e ainda agrediram um deles", refere a mesma fonte. Os jovens foram a tribunal, ontem de manhã. O caso baixou a inquérito e a investigação prossegue. A CP sublinha que o revisor atuou de forma "correta".

Salomé Filipe | Jornal de Notícias | 23-02-2013