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REVISTA DE 2013

Falta de confiança na justiça é "chocante e surpreendente"

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O sociólogo António Barreto ficou impressionado com a constante perda de confiança dos portugueses na justiça nos últimos 10,15 anos: caiu de 49% para 28%. Foi o que mais o surpreendeu nos dados fornecidos pelo novo portal Opinião Pública (www.pop.pt), ontem lançado, no qual é traçado o perfil da opinião sobre temas centrais, da família à religião.

Para o politólogo Pedro Magalhães, coordenador do projeto da Fundação Francisco Manuel dos Santos, o destaque recaiu num sinal subtil de aumento de confiança na economia. Os portugueses, à semelhança dos irlandeses, mostram uma "ligeira recuperação de confiança de maio de 2012 para dezembro", ao contrário dos espanhóis e dos gregos. Embora ressalve estarmos perante uma tendência bastante flutuante.

Os dados do POP, explicou, tornam possível contrariar ideias enraizadas e populares, de que é exemplo os portugueses serem especialmente tolerantes aos imigrantes ou menos infelizes do que os suecos, por causa do clima e temperamento. Não é verdade. Outra das vantagens deste tratamento de informação - baseado na recolha em vários organismos - é o de ter uma base factual comum para o debate, disse António Barreto.

Sem rodeios, Barreto assumiu o choque "no decréscimo de confiança dos portugueses nas instituições da justiça, nos tribunais e nos magistrados". Sublinhou: "É "chocante e surpreendente, é muito forte. Tem um impacto na sociedade toda. Tudo o que se faz envolve justiça: contratos, emprego, habitação, casamento". No seu entender, tal facto devese à lenta mudança das instituições da justiça face ao mercado, à democracia, à União Europeia. "É um dos raros setores que foi muito pouco mudado pela democracia, pela liberdade desde 75". "Adaptou-se muito dificilmente e cada vez mais dificilmente" e, além disso, "é muito pouco aberto ao escrutínio" e "está fechado aos cidadãos e aos valores universais". A justiça "tem dentro de si própria uma espécie de sistema de poderes, o poder do ministério da Justiça, dos magistrados (...), sistema de poder terríveis, muito fortes".

Alice Ramos, professora do Instituto de Ciências Sociais, responsável pelo POP, chamou a atenção para os valores privilegiados na educação. Portugal mantém a valorização acentuada do respeito à autoridade, ainda que a diminuir. Na Suécia, sobressaem os incentivos à criatividade e à autonomia.

OUTROS DADOS

Insatisfeitos com vida
Portugal está na cauda dos satisfeitos com a vida. Atrás só Letónia, Grécia e Bulgária. Na escala da felicidade temos 6,7 em 10. Os mais felizes são dinamarqueses.

Confiança na polícia
No quer toca à confiança na polícia, os portugueses estão a meio da tabela. Existem 11 países atrás. À frente, Dinamarca e Suécia.

Imprensa bem vista
Em confiança na imprensa, Portugal encontra-se no pelotão da frente: 51% tende a confiar. Áustria (66%), Finlândia e Holanda no topo.

Jornal de Notícias | 21-02-2013

Comentários (16)


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...
O sociólogo António Barreto já disse publicamente que os responsáveis pela violação do segredo justiça são os juízes e or procuradores.
O sociólogo António Barreto, instado a fundamentar as suas afirmações, declarou que, na verdade, não sabe, mas é o que lê nos jornais.
O sociólogo António Barreto não deveria ficar admirado com a perda da confiança na justiça, se pensar que o sociólogo António Barreto é um dos que muito contribui para ela.
jararaca , 21 Fevereiro 2013
Curiosidades
Não deixa de ser curioso o índice de confiança na imprensa, por comparação com aquele da Justiça, quiçá pela constante campanha da busca pelo picaresco e sensasionalista e que agrada ao povão... Sem se preocupar com a real objectividade dos factos.
Cidadão Preocupado , 21 Fevereiro 2013
Não admira.
Se a justiça deixar de perseguir determinadas classes de pilantras que têm poder para "martelar" na investigação e nos tribunais frente aos órgãos de comunicação social e pagar o seu peso em ouro a quem cria incidentes capazes de arrastar processos anos e anos (basta arrolar uma testemunha "imprescindível" que se encontra no estrangeiro e que não está contactável), de certeza que a justiça passará a ser melhor tratada pela “opinião publicada”.
É que condenar apenas pés rapados já não será notícia que valha a pena ser publicada e essas classes passarão a considerar que a justiça (já) vai bem. E então, não se falando da justiça, a opinião pública pensará que tudo vai bem e a confiança naquela será recuperada.
Claro que esses tais dos incidentes continuarão a m***r do orçamento que os tais que ficariam "dispensados" de responder na justiça lhes facultariam.
Com o que se está a verificar no MP, não tardará que "finalmente" esses tais ficarão dispensados de serem investigados. Basta que a secreta continue a fazer uns relatórios a alertar para o mau estar da nomenklatura angolana sobre determinados processos e o governo continue a enviar recados. É que a economia da corrupção é mais importante que a justiça da crise.
Luis , 21 Fevereiro 2013 | url
Choques
Pois a mim não me choca.
Choca-me sim é alarvidade, não digo de um povo, mas da sua elite pensante ( onde se inclui o Dr António Barreto) e apetece-me, às vezes, vir para a rua com um enorme cartaz:
Socorro!!!
O dinheiro é para os ladrões. A UE e o FMI a proteger e ajudar!
Portugal precisa de ajuda jurídica para constituir um Estado de Direito e construir uma Democracia. Apenas ajuda financeira e económica é muito mau para os portugueses. Os ladrões roubarão e o povo pagará conforme puder até ao caos e colapso.
porque
A República Portuguesa é um estado de arbítrio. Uma tirania e império de ladrões. É uma fábrica de mendigos. Os partidos políticos são grupos de delinquentes contumazes. Inimputáveis e intocáveis. Não há soberania única e o povo vive sob o jugo de quadrilhas em alternância, agindo acima da lei. A justiça e o estado estão capturados. O Supremo Tribunal de Justiça não é supremo. É uma ficção e fraude.
e
Os juristas portugueses têm mentes gelatinosas e pensamentos tortuosos. Relativizam e entortam o direito. Não sabem o que é o direito nem, tão pouco, pensar direito. Colocam os direitos em conflito e confronto sob o jugo do arbítrio interpretativo. Proclama-se o direito de sacrificar o direito. O poder rouba e proclama esse acto como direito.
e ainda
Os formadores da opinião pública: políticos, juristas, economistas, jornalistas, etc são aleijados mentais, totalmente alarves, acólitos de poderes arbitrários criminosos. São incapazes de aprofundar uma ideia, ajuizar à luz do direito sobre o exercício da soberania, supervisionando e fiscalizando o exercício do poder. Só intriga partidária, proclamações estéreis e pomposas. São gurus da verborreia. Tretas.
Picaroto , 21 Fevereiro 2013
...
Mas quem é este António Barreto? Admirado pela perda de credibilidade na justiça?

E ele não é (mais) um dos culpados? Com as tiradas que há uns tempps atirou no Boletim da OA, com patetices como a das escutas só em casos de terrorismo e outras idiotices que tais tendo como destinatário um povo medíocre, mesquinho, provinciano, invejoso, maldizente e chico-esperto (salvo uma esmagadora minoria de honrosas exceções) esperava o quê?

Porque será que até há uns anos ninguém lhe passava cartão e agora é quase como um "senador da república"?

Será que batemos assim tanto no fundo?
Zeka Bumba , 22 Fevereiro 2013
...
Já a ausência de sociólogos de categoria em Portugal não me choca, nem me surpreende.
Gandalf , 22 Fevereiro 2013
Para que serve um sociólogo?
Para que serve um sociólogo?
Frei Luís de Sousa , 22 Fevereiro 2013
...
Não sei se o Dr António Barreto algum dia foi incomodado pela justiça à portuguesa, para ditar o que ditou.
Mas eu, contribuinte com contas em dia já o fui. Não por ser ou ter sido ladrão e agora o Estado ter-me de pagar uma reforma de alimentos, porque esta, já duvido ter direito a uma pensão digna, com 40 anos de serviço efetivo, na tropa, nas forças de segurança, em vários serviços da AP, mas sim por denunciar, cara na cara os incompetentes que ajudam a afundar esta Nação, mas que MP e Tribunais, acharam uma provacação.
Hoje, olhos nos olhos e depois da atrofia governativa, que muitos clamam de ladrões pairentes em S.Bento, que nos retiram os salários entre outras benesses, mas o certo, continuamos a depender, a depender, a depender da nossa ignorância.
O sistema , 22 Fevereiro 2013
...
Pois é.
É que há quem ganhe dinheiro e notoriedade a dizer mal dos tribunais.
lágirmas de crocodilo , 22 Fevereiro 2013
...
Para mim o que o sociólogo Barreto diz não me interessa. Qual é o grau de confiança em qualquer coisa? A mim nunca me perguntaram! Por exemplo, leia-se esta pérola:

... sinal subtil de aumento de confiança na economia...

Quem respondeu assim? E porquê? Ou isso não interessa?
Sun Tzu , 22 Fevereiro 2013
Chocado!
Para mim nada de anormal. Porque razão deveria a justiça merecer mais apreço que os restantes poderes? Os resultados são de maus a piores que maus e com isto não quero dizer que a culpa é dos magistrados no seu todo. Nada nada. Um País mal governado, onde o direito é constantemente pontapeado por quem gere as suas fontes nao pode ter boa justiça. Nem por milagre.
Barracuda , 22 Fevereiro 2013 | url
...
e eles nao sabem a quantidade de juizes nomeados SEM CONCURSO, por AMIGUISMO, para cargos (como no CEJ) que os vão ajudar a subir daqui a uns aninhos...
ABC , 22 Fevereiro 2013
É chocante, mas não surpreendente.
É, de facto, chocante, principalmente, quando, sem razão, são apontados como culpados os profissionais que, com sacrifício do seu tempo livre e das suas famílias, vão evitando que o barco afunde ainda mais, quando os principais responsáveis são quem nunca se empenhou, efectivamente, em dotar os tribunais de meios materiais e humanos aptos ao cabal exercício da Justiça.
Há, por outro lado, muito boa gente a quem interessa a deslegitimação do poder judicial (e as razões saltam à vista), bem como outros - o próprio Estado - a quem a lentidão do sistema aproveita (veja-se o exemplo da justiça administrativa e fiscal). E outros, ainda, que beneficiam grandemente do "emaranhado legislativo".
É, pois, necessário descobrir quais as verdadeiras causas do problema e solucioná-lo, não sendo as atoardas usuais que o vão fazer.
Um juiz entre outros , 22 Fevereiro 2013
...
É o velho problema de terem de prestar juramento em pé!!!Uma chatice...E os Juízes têm essas manias para incomodar as pessoas
nada , 22 Fevereiro 2013
...
É um ISCTE e basta.
O Pinto , 22 Fevereiro 2013
Abracadabra
A opinião do feiticeiro António Barreto vale tanto como a receita de culinária relativa ao ovo estrelado que o mesmo pudesse explicar ao povo. Ele é apenas um dos indivíduos que ganhou e ganha a vida a dizer banalidades.... Ora, é a valorização destas «figuras» que leva a «opinião pública» a ter as opiniões que «parece» ter...
Francisco do Torrão , 23 Fevereiro 2013

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