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REVISTA DE 2013

Alimentos já são dos artigos mais roubados

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A obrigatoriedade dos lesados apresentarem acusação a nível particular, pagando as custas judiciais, leva a que desistam de apresentar queixa. Também nos posto de abastecimento de combustíveis 750 automobilistas fogem todos os dias sem pagar. Na agricultura os alvos são produtos hortícolas e também animais como ovelhas, vacas e porcos.

Os bens de primeira necessidade são já dos artigos mais roubados em hiper e supermercados. Nos postos de combustível também uma média de 750 automobilistas abastecem e fogem sem pagar, todos os dias, e nem a agricultura escapa a esta onda de pequeno furtos, desaparecendo das propriedades produtos hortículas mas também animais como ovelhas, vacas e porcos. Estes crimes correm o risco de ficarem impunes. A nova legislação que obriga os lesados a apresentarem acusação a nível particular e a pagarem as custas judiciais levam a que as queixas deixem de ser apresentadas, pois pelo roubo de um sabonete no valor de 70 cêntimos o comerciante pode gastar em tribunal entre 500 e 750 euros (ver texto ao lado).

Nuno Camilo, presidente da Associação dos Comerciantes do Porto, recorda que em 2009 o furto em supermercados e mercearias da cidade não se prendiam com bens alimentares de primeira necessidade. "Geralmente era a garrafa de whisky que era escondida e furtada. Hoje as pessoas tentam levar sem pagar latas de atum e massa", explica, acrescentando que, "quanto maior é o desemprego, mais pequeno é o valor do furto".

As queixas chegam quase diariamente à associação, de comerciantes a braços com as perdas, que não apresentam queixa, "para que o prejuízo não seja maior, mas a exigir mais policiamento".

Neste momento, como diz Nuno Camilo, ninguém sabe a dimensão deste problema que afeta todo o País, "que nunca constará nos relatórios sobre a criminalidade", porque como não é denunciado é como não existisse. Os produtos de higiene pessoal e os alimentos estão no topo dos artigos roubados, segundo dados da PSP, que no ano passado registou 650 ocorrências.

Realidade idêntica vivem os revendedores de combustível. Todos os dias há 750 automobilistas que abastecem os seus veículos e fogem das bombas de gasolina sem pagar.

No caso dos combustíveis, as fugas sem pagar são um problema que começou a tornar-se preocupante há três anos mas, nos últimos meses, a situação agravou-se até ao ponto de a associação ter solicitado recentemente uma reunião ao ministro da Administração Interna "para que seja analisada esta questão que tanto tem afetado a rede de revenda de combustíveis nacional".

Para a Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis (Anarec), esta situação estará mais diretamente relacionada com a grave crise económica que o País atravessa e com as grandes dificuldades dos portugueses e não tanto pelo aumento considerável que o preço dos combustíveis regista.

Os revendedores mostram-se, no entanto, alarmados e as queixas não param de chegar à associação. Como afirma fonte do organismo e de acordo com os relatos que chegam dos revendedores de combustíveis seus associados, "a Anarec estima que cerca de 30% da rede de revendedores de combustíveis seja diariamente sujeita a fugas sem pagamento. Em média, esta situação eleva para cerca de 750 o número de fugas diárias". Cada fuga sem pagamento rondará os 15 euros, o que perfaz um prejuízo de cerca de 225 mil euros por mês.

O roubo de bens alimentares afeta também os produtores. Para além do furto de cobre e outros metais de alfaias agrícolas, os agricultores deparam-se neste momento com um aumento de furtos de produtos hortícolas e até animais. Um pouco por todo o País há olivais e vinhas que são devastados e ovelhas, vacas e porcos desaparecem.

A denúncia é do presidente da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), que fala em milhares de euros de prejuízo dos seus associados. "As queixas chegam todos os dias", afirma João Machado, que já alertou por diversas vezes as autoridades policiais e responsáveis do Governo, sendo no entanto difícil o combate ao crime.

Se no caso do furto de metais a ação da polícia tem sido eficaz, o mesmo já não acontece com os outros produtos furtados e também aqui "não há percentagem do número de ocorrências", até porque muito agricultores desistem de denunciar as situações.

Casos no tribunal

Furtou seis chocolates
Um sem-abrigo foi julgado no Porto e condenado no ano passado a pena de multa por ter furtado seis chocolates de um supermercado Lidl. O arguido foi travado pelo segurança quando abandonava o estabelecimento e os chocolates, no valor de 14 euros e 34 cêntimos, acabaram por ser restituídos. O início do julgamento foi várias vezes adiado pela dificuldade em notificar o arguido, que acabou julgado à revelia.

Roubo de creme para as mãos
Uma mulher, de 70 anos, foi a julgamento, em 2008, acusada de ter furtado um creme para as mãos, no valor de 1,39 euros, no supermercado Lidl de Paços de Ferreira. Quando foi interpelada pelo segurança, à saída do supermercado, a idosa alegou que se tinha esquecido do creme no interior do saco e mostrou-se disponível para o pagar. A justificação não evitou a queixa por parte do Lidl.

Embalagem de polvo e shampô
Um homem, de 30 anos, foi julgado no ano passado no Porto suspeito de ter tentado roubar uma embalagem de champô e outra de polvo, num dos supermercados Pingo Doce. Os artigos tinham o valor de 25,66 euros e o segurança recuperou-os mas a cadeia de supermercados não desistiu da queixa. O homem foi condenado a pena de multa.

Pacotes de leite achocolatado
O Tribunal de Vila do Conde julgou no ano passado um homem e uma mulher por alegado furto de 56 packs de leite achocolatado do supermercado Modelo, com um valor unitário de 1,99 euros, no montante global de 111,44 euros. O juiz considerou não se tratar de um bem alimentar de primeira necessidade e condenou o casal.

Alfredo Teixeira | Diário de Notícias | 29-04-2013

Comentários (19)


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No tempo do Salazar as pessoas pediam, não roubavam. E diz a propaganda que eram mais pobres.
Afinal eram mais pobres e não roubavam? País pobre hoje ou no tempo de Salazar?
Para pensar e tirar as conclusões.
cláudio , 29 Abril 2013
Saudades doutros tempos
Sem polícia, mas com pobres e ladrões, qualquer dia é preciso passar à acção directa. Ouvi dizer que se estavam a esgotar as caçadeiras.
Como tenho saudades das décadas de 40 anos atrás em que vivíamos numa ditadura! As portas nem sequer tinham fechadura.
E tanto ladrão com tantos subsídios, psicólogos, psiquiatras, sociólogos, educadores, etc.
Volta SALAZAR, estás perdoado!
Bem sabias e conhecias as corjas que iam governar o país depois de morreres! Políticos, prostitutas do mesmo bordel!
Silva , 29 Abril 2013
Estou preocupado, muito preocupado...
... com os comentários supra, de concidadãos saudosos dos tempos negros do fascismo lusitano.
É imperioso que se reflicta sobre tais pensamentos.
Cidadão Preocupado , 29 Abril 2013
A prioridade é meter na prisão as forças repressivas...
smilies/grin.gifsmilies/grin.gifsmilies/grin.gif
O resto justifica-se com sociologia...
Lusitânea , 29 Abril 2013
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No tempo do Salazar não havia liberdade de expressão. Havia pobreza, claro, mas também a há hoje com subsídios e técnicas de integração.
Afinal nada se progrediu. Havia segurança, respeito e valores. Para que quero a liberdade se não a posso exercer pois estou à mercê de ladrões ilegais e legais (políticos)? A liberdade é só para os malandros que só têm direitos.
João Rodrigues , 29 Abril 2013
...
E mais: O dinheiro das privatizações, da CEE, UE etc foi para quê? Nunca houve tanto dinheiro.No tempo do Salazar não havia tanto dinheiro, só reservas de ouro, de que os "democratas" venderam dois terços, e divisas que desapareceram.
HÁ AUTOESTRADAS, MAS NÃO DINHEIRO PAra AS PORTAGENS. Há terra queimada, deserto, abandono do interior e lixo nas cidades. E há dívida, muita dívida.
Não se admirem pois os gregos também têm saudades do tempo da ditadura. Viviam melhor e com mais segurança. Vem na imprensa internacional.
SE alguém se propuser a instaurar uma ditadura voto nele e arregimento vinte mil votos.
Manuela , 29 Abril 2013
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E não é a Merkel ou a Alemanha que têm a culpa das nossas derivas de novos ricos falidos!
Manuela , 29 Abril 2013
fachos de meia tigela
Carissimos Silva, Manuela,lusitânea e outros salazarentos saudosistas:
O vosso país ideal certamente vos receberá!
Emigrem para o paraíso da extrema-direita, o estado mais ultranacionalista dos nossos tempos, a Coreia do Norte!
Podereis então viver no vosso estado de policias sem ladrões, delatar o vosso vizinho por qualquer inconveniencia linguistica e lamber as pegadas dos divinos membros da dinastia Kim!
Tudo isto com a vantagem de serdes mais pobres!
Sissi (Rainha da Bulgária) , 29 Abril 2013
...
De facto, eu também não entendo tantas saudades por Salazar. É que a pobreza, analfabetismo e opressão não são soluções para os problemas que vivemos.
Cumprimentos.
Franclim Sénior , 29 Abril 2013
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Cara Sissi
Tenha um pouco de tino e tento na língua.
Os comentários que li, das pessoas que insulta como salazarentos, limitam-se a comparar realidades de tempos idos e de tempos actuais.
Havia mais pobres e menos gatunos. Verdade ou não?
Os políticos eram mais competentes e honestos. Verdade ou não?
As pontes, as estradas, os caminhos de ferro, etc. eram do Estado e agora são privadas ou concessionadas a privados. Verdade ou não?
As paredes e os muros estavam limpos e agora até os monumentos estão todos porcos. Verdade ou não?
Havia um ditador que não se dava ao trabalho de disfarçar e agora há uns chupistas cuja democracia está apenas em organizar-se em partidos para repartir o bolo entre eles e deixar-nos votar de 4 em 4 anos para que alguns patetas se convençam de que a democracia é isso mesmo. Verdade ou não?
Não havia liberdade mas quem tinha coragem falava e pagava por isso enquanto que agora há liberdade e todo o cobardolas pode dizer as asneiras que entende e se disser alguma coisa atilada ninguém lhe liga. Verdade ou não?

Não se trata de ter saudades. Trata-se de ter juízo e perceber o que vai à nossa volta, exactamente para que as coisas não fiquem pior do que dantes. Porque como diz o povo, não esta liberdade que nos põe o pão na mesa, nem mesmo às Rainhas da Bulgária.
Mário Rama da Silva , 29 Abril 2013
...
Sissi (Rainha da Bulgária)

Coreia do Norte, Sissi?
Liberdade, com grades nas portas e janelas?
Tanta confusão....................
Alberto João Jardim, tem mesmo razão.
TANCREDO , 29 Abril 2013
...
Mário rama da Silva:
Nenhuma realidade actual é comparável com a miséria d´antanho, designadamente com esses tempos da familia portuguesa pobrezinha e honrada.
Que não se compare o incomparável!
A corrupção de outrora era menos visivel mas mais violenta. o país estava entregue a meía duzia de familias que hoje voltam a emergir sugando o trabalho do país, e num acto de revanchismo regressar aos tempos dos andrajosos operários e dos ignorantes com séculos de atraso !
Gente de memória curta!
Oh que saudades da escravatura!
Onde está o pão e a água com que os nossos amos compensam o sangue e suor derramado?
Onde pára o conforto da irresponsabilidade?

Maldito o peso da liberdade que nos deixa tão confusos!

Onde encontrar o grande lider que nos guie?
Quem nos dará as ordens?
A quem obedecer?
Tenha piedade deste povo Senhor presidente!
´
( VÓMITO....)

Sissi (Rainha da Bulgária) , 30 Abril 2013
...
Há comentadores classificados pelos próprios comentários: A Coreia do Norte é um país falido há muitas décadas. Portugal não era há 40 anos, mas passou a ser há 39.
Tanta liberdade! Vejam a criatividade dos nossos artistas: Vivem à custa dos nossos impostos. Vejo-os todos os dias nas estações de TV estangeiras!!
Todos hoje são muito educados e letrados! Mas não sabem a tabuada e não sabem redigir ou exprimir-se!
Antes havia pobreza, agora a pobreza é ao quadrado. Vivem de subsídios vindos dos credores e da UE e continuam pobres. Cultos? Mas tudo indica que são pobres de espírito! Eu falo como se fosse estrangeiro. Não me identifico com Portugal.
João Rodrigues , 30 Abril 2013
Criminalidade
Um contributo para o debate. Número de condenados por ano, 1930-1991. Cumprimentos.

Ano - nº de condenados
1930 - 14.020
1940 - 12.025
1950 - 32.293
1960 - 22.398
1970 - 14.570
1980 - 14.227
1991 - 21.833

Fonte, documento em pdf, pág.16: http://repositorio-iul.iscte.p...62/7/Texto tese.pdf
Franclim Sénior , 30 Abril 2013
...
Tem razão, Sissi
Isso de ser pobrezinho e honrado é um disparate.
As 36 famílias - era assim que eram referidas - eram escassas face ao número das que hoje se banqueteiam com negociatas com os políticos.
Estas comparações são descabidas.
Comparação correcta é a da Coreia do Norte que, para si, é uma ditadura de extrema direita, certamente porque o comunismo dinástico é de direita, o que me deixa a dúvida sobre se todas as rainhas são fascistas..

Na verdade, o melhor do seu comentário é mesma a palavra que, entre parentesis, o resume: vómito.

Mário Rama da Silva , 30 Abril 2013
...
Saudosismos não nos levam a lado nenhum! Temos de enfrentar a nossa realidade sem quaisquer conformismos, e pensar como podemos enfrentar/equacionar o futuro num sistema democrático verdadeiro, que não esta representação quadrienal em que vivemos.
Nem tudo era mau nos tempos de Salazar, mas também facilmente se constata que actualmente estamos longe da virtude democrática.
Acho, que me desculpem alguns dos supra colegas de comentário, que nesta crise em que vivemos, não só económica mas igualmente social e até, porque não referi-lo, do próprio Estado de Direito Democrático nos seus princípios basilares, começa a faltar lucidez na apreciação dos factos, por quem deveria evidenciar a mesma, sobretudo quando se expressa num fórum LIVRE, DEMOCRÁTICO e de DIREITO!
Quid Juris? , 30 Abril 2013
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Mário Rana da Silva
Não havia liberdade mas quem tinha coragem falava e pagava por isso enquanto que agora há liberdade e todo o cobardolas pode dizer as asneiras que entende e se disser alguma coisa atilada ninguém lhe liga. Verdade ou não?

Sim e não
Cobardolas, não sou
Em 2010, fui condenado pelo Tribunal em 150 dias de multa a 10€/dia por me despedir e através de mail dizer o que me ia na alma, coisa que antes era impessável ser-se condenado por dizer as verdades.
Cidadão descontente , 03 Maio 2013
...
Liberdade é estar calado.
É comer, baixar os olhos e baixar as calças, se possível às entidades competentes.
Cidadão descontente , 03 Maio 2013
...
Caro Cidadão descontente

Não posso fazer qualquer juízo sobre o assunto.
Não sei o que é que disse nem se o que lhe ia na alma era uma verdade meramente subjectiva.
Não conheço a sentença.
Não tenho nenhuma razão objectiva para desconfiar do que afirma, ressalvado o segundo comentário que parece revelar pouca objectividade.
Em resumo: as calças são as suas.
Mário Rama da Silva , 03 Maio 2013

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