SIC, 10-11-2012
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Comentários (5)
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"Mas então, ninguém morreu? Insistiram os habitantes; o camponês respondeu novamente: Não, ninguém que tivesse um nome ou a figura de uma pessoa, eu toquei o sino pela Justiça, porque a Justiça está morta”.
José Saramago, Da justiça à democracia, passando pelos sinos.
Texto que corre na internet, apresentado no II Fórum Social Mundial, de Porto Alegre, Brasil, no dia 5 de Fevereiro de 2002.
http://www.anamatra.org.br/dev.php/artigos/da-justica-a-democracia-passando-pelos-sinos-por-jose-saramago
José Saramago, Da justiça à democracia, passando pelos sinos.
Texto que corre na internet, apresentado no II Fórum Social Mundial, de Porto Alegre, Brasil, no dia 5 de Fevereiro de 2002.
http://www.anamatra.org.br/dev.php/artigos/da-justica-a-democracia-passando-pelos-sinos-por-jose-saramago
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Gostava que a Maria do Ó explicasse a relação do seu comentário com esta reportagem sobre o Tribunal da Relação do Porto....! Francamente, não percebi.
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Saramago é bem o paladino da Justiça, som senhor. Só quem o não conheceu nos anos de chumbo, em que mandou borda fora os seus colegas de trabalho no DN por não serem comunas. Francamente, Maria.
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Indignado,
O meu comentário nada tem em desfavor do Tribunal da Relação do Porto, dos tribunais em geral ou dos magistrados judiciais. Tem sim em desfavor do poder político, que não garante os meios pessoais e as condições materiais necessárias para que os tribunais possam funcionar condignamente, como se viu neste vídeo. E um estado de direito democrático, que tem por missão garantir os direitos humanos e uma vida digna a todos os cidadãos, precisa de juízes prestigiados, bem remunerados e com boas condições de trabalho, para que possam produzir as suas decisões com ética e em tempo útil.
Volto, por isso, à metáfora de Saramago““… a Justiça continuou e continua a morrer todos os dias. Agora mesmo, neste instante em que vos falo, longe ou aqui ao lado, à porta da nossa casa, alguém a está matando. De cada vez que morre, é como se afinal nunca tivesse existido para aqueles que nela tinham confiado, para aqueles que dela esperavam o que da Justiça todos temos o direito de esperar: justiça, simplesmente justiça. Não a que se envolve em túnicas de teatro e nos confunde com flores de vã retórica judicialista, não a que permitiu que lhe vendassem os olhos e viciassem os pesos da balança, não a da espada que sempre corta mais para um lado que para o outro, mas uma justiça pedestre, uma justiça companheira quotidiana dos homens, uma justiça para quem o justo seria o mais exato e rigoroso sinônimo do ético, uma justiça que chegasse a ser tão indispensável à felicidade do espírito como indispensável à vida é o alimento do corpo. Uma justiça exercida pelos tribunais, sem dúvida, sempre que a isso os determinasse a lei, mas também, e sobretudo, uma justiça que fosse a emanação espontânea da própria sociedade em ação, uma justiça em que se manifestasse, como um iniludível imperativo moral, o respeito pelo direito a ser que a cada ser humano assiste.”
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