Ohio, Estados Unidos da América - O magistrado conhecido por criticar penas leves, justificou o perdão pelo arrependimento do réu. O juiz Peter Bowers admitiu que corria o risco de ser "ridicularizado" pela sua decisão de deixar Richard Rochford sair em liberdade depois deste ter confessado uma série de assaltos a residências na cidade de East Cleveland, no Ohio.
Ao declarar a sua sentença, o juíz afirmou que "é precisa muita coragem, tanto quanto eu posso apreciar para uma pessoa assaltar a casa de outra. Eu não teria sido capaz.". Bowers acrescentou que Rochford, de 26 anos, actuou "sob o efeito de drogas e desesperado".
O juiz entendeu ainda que o jovem terá sofrido muito com os anos que passou na prisão e mostrou-se bastante compreensivo: "Julgo serem raros os casos em que a prisão traz algum benefício para a pessoa. Na melhor das hipóteses é uma oportunidade para repensarem os seus actos e se arrependerem. Não me parece que alguém vá beneficiar se te mandar para a cadeia hoje. Apenas nos sentiríamos um pouco aliviados por haver menos um assaltante nas ruas."
O juiz reconheceu que Rochford merecia ser encarcerado por dois anos e meio, que uma sentença menor não satisfaria a população. Mas, ao invés, condenou-o a dois anos sujeito a supervisão, com a ameaça de 30 dias de cadeia se voltasse a ser chamado ao tribunal.
Bowers reconheceu ainda que as vítimas dos seus crimes haviam sofrido em consequência dos assaltos, adiantanto que muitas vezes "pode levar vários meses e até anos para recuperarem".
Rochford disse em tribunal que, desde os assaltos em Fevereiro, deixou as drogas, e Bowers considerou esta recuperação "um feito extraordinário que não acontece com frequência". Por esta razão, o juiz decidiu conceder a Rochford "uma oportunidade extraordinária" para que este se regenere.
Seguindo a recomendação de um relatório prévio à sentença, Bowers condenou ainda o jovem a dois anos de supervisão com vista a assegurar que se manterá afastado das drogas, além de 200 horas de trabalho comunitário e um ano de suspensão da carta de condução.
"Se fizeres a coisa certa, então eu terei tomado a decisão certa. Se me desiludires, és tu que te condenas", disse Bowers, assumindo o risco ao apostar na recuperação de Rochford, e adiantando que se o jovem desperdiçar a oportunidade que lhe foi dada, o juiz será "ridicularizado".
Esta foi a primeira condenação por assalto de Rochford, que tinha já recebido um aviso depois de ter assaltado uma casa com apenas 10 anos. O jovem cumpriu uma pena de três anos por ter ateado um incêndio.
A entrada nas residências não foi forçada dado que não estavam trancadas, e os assaltos foram realizados enquanto os ocupantes dormiam. Rochford levou um portátil, um gps, dinheiro, chaves de carros e jóias entre outros bens, e teve a ajuda da namorada, Amy Kyme, de 22 anos, que aguardava no carro, agindo como vigia.
Kyme também se declarou culpada. Sem antecedentes criminais, a jovem mãe, grávida do segundo filho, separou-se de Rochford e diz ter deixado de consumir drogas, estando ao cuidado da família, incluindo um tio polícia. Bowers condenou-a a um ano de pena suspensa por 18 meses, com recolher obrigatório entre as sete da manhã e as sete da tarde durante um período de 20 semanas.
ionline | 06-09-2012
Comentários (3)
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juíz cool...
Mais cool é impossível...
...
Parece que lhes falta alguma coisa dentro dos miolos...tipo bom senso, maturidade e humanidade. Parece que vivem noutro mundo.
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