Para José Miguel Júdice, que ontem depôs como testemunha abonatória de Paulo Penedos, mediar conversações entre empresas não é crime, nem quando se trata de negócios públicos e de estabelecer contactos com políticos.
Na 118.ª sessão do julgamento do caso Face Oculta, no Tribunal de Aveiro - onde Penedos responde por tráfico de influências - o antigo bastonário da Ordem dos Advogados afirmou que já o fez e vai continuar a fazê-lo, enquanto achar conveniente.
"Fazer pedidos a funcionários públicos não é crime, mas fazê-lo em troca de pagamento sim" admitiu, porém, Júdice, em resposta ao advogado da REFER. O causídico questionava o papel dos advogados em negócios entre empresas - referindo-se à intervenção de Penedos nas firmas de Manuel Godinho - e se essa mediação não poderia ser feita por outro tipo de profissionais. Júdice adiantou apenas que os advogados podem exercer funções não jurídicas.
Durante a sessão de ontem foi ainda ouvido Jaime Soares, presidente da Câmara de Vila Nova de Poiares. O autarca afirmou que sempre manteve uma boa relação com Paulo Penedos, mesmo quando foram adversários políticos. Valentim Garcia, que também depôs a favor de Penedos, garantiu que aquele sempre lamentou o envolvimento do pai, José Penedos, no processo - o ex-presidente da REN também é arguido.
Jorge Sampaio iria depor este mês, mas será ouvido apenas em Dezembro. O adiamento prende-se com questões relacionadas com a ONU, onde o ex-Presidente da República ocupa o cargo de alto representante para a Aliança das Civilizações.
Catarina Gomes Sousa e Tânia Laranjo | Correio da Manhã | 21-11-2012
Comentários (6)
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A manifestação deve-se fazer em frente a estes mini-parlamentos e não em frente ao parlamento actual, corrupção pura...E que para eles funciona...
Do munus et manus
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Foi bastonário, mas será que conhece o Estatuto?
Conhece, sim senhor!
Só não deu mais cabo dele enquanto lá esteve por que não conseguiu!
É difícil ser-se advogado, tentar levar uma vida honesta e de acordo com os principios e depois deparar com coisas destas.
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Não está na altura de se fiscalizar isto?
A Magistratura não devia regular isto?
Era mais fiável...
Enfim...
Controle-se a despesa pública.
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