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REVISTA DE 2012

Magistrados: preço da inscrição no curso do CEJ duplicou

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O preço da inscrição no curso de formação inicial de magistrados é quase o dobro da do último concurso, em 2010. O aumento tem sido contestado pelos candidatos.

Os candidatos que se quiserem inscrever no próximo curso de formação inicial de magistrados terão de desembolsar 230 euros, quase o dobro dos 120 euros pagos por quem concorreu ao último concurso, em 2010. O aumento tem sido contestado pelos candidatos na Internet, mas o director do Centro de Estudos Judiciários (CEJ) garante que o montante cobre apenas os custos do processo de selecção.

As inscrições no concurso, que abriu 40 vagas para novos juízes e outras 40 para novos procuradores, arrancaram a 9 de Maio e terminam no dia 30, tendo nos primeiros quatro dias o CEJ recebido cerca de 300 candidaturas.

As provas escritas vão começar a partir de 30 de Junho e vão decorrer durante todo o mês de Julho, enquanto os exames orais deverão ser feitos apenas em meados de Setembro. "O curso deve começar entre Dezembro deste ano e Janeiro do próximo ano", adianta o director do CEJ, Pedro Barbas Homem.

Quanto ao aumento da inscrição, que subiu 92% face ao concurso anterior, Barbas Homem garante que o montante se destina "exclusivamente" a financiar o custo do processo de selecção, admitindo que poderão ser dadas isenções no caso de candidatos que invoquem "motivos económicos atendíveis".

"Esse custo diz respeito a actividades que são remuneradas e que o CEJ tem a necessidade de contratar, nomeadamente, as despesas com os júris para a correcção de provas escritas e para a realização de provas orais e o aluguer de salas para exames e sua vigilância", especifica o director da instituição.

E acrescenta: "Não se imputam a estes custos quaisquer encargos com o normal funcionamento do Centro de Estudos Judiciários, designadamente despesas com salários e outros custos administrativos da instituição."

No site www.inverbis.pt (link) havia 45 comentários a propósito do aviso do concurso, quase todos a criticarem o preço da inscrição, que para alguns pode limitar o acesso à magistratura.

Mariana Oliveira | Público (P3) | 21-05-2012

 

Comentários (38)


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E têm razão.
Impor o pgt de 230 euros.. é de certa forma limitar a igualdade de acesso à profissão.
Já basta o auditor viver durante 2 anos a ganhar uma miséria... ainda por cima, obriga-lo a pagar metade dum ordenado minimo.. é puxado.
Jose , 21 Maio 2012
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Bolsas de estudo atribuidas segundo a livre discricionariedade do Sr. Director?? Começa bem...
O candidato , 21 Maio 2012
O custo da seleção
Então o custo do processo de seleTudoção subiu assim tanto do último concurso para este? Qual a justificação? Se o motivo invocado por esse senhor director foram as despesas de selecção e como a selecção é sempre igual em termos de necessidades técnicas e logísticas devemos questionar sobre o motivo do preço.
Certamente que o preço não incomoda o leque de amizades do senhor director nem o próprio. O cargo de director não impõe a realização de exames exigentes, mas uma simples nomeação sem qualquer obrigação de pagamento de uma taxa.
Se tivesse «pêlo» noutro sítio que não no nome, já se tinha demitido.
Tudo isto é fado , 21 Maio 2012
Hoje para tudo se paga
Neste País e hoje em dia se paga. Claro que não concordo com o duplicar dos custos, mas as pessoas que realmente quiserem aceder a esta profissão vão efectuar o valor pedido. Não é uma profissão de menosprezar, para além de prestigiante é pública, continua com grandes ordenados apesar dos cortes e tem mil e uma mais regalias...Aos futuros magistrados que bem executem a profissão...
Carlos , 21 Maio 2012 | url
Duas asneiras sobre uma só matéria
O pagamento não é pelo curso, como diz a notícia, mas para aceder ao concurso.
*
A quantia exigida para inscrição no concurso arreda (mesmo) algumas pessoas que poderiam vir a ser excelentes magistrados.
Na realidade (mesmo) o que se pretende é evitar que os pobres acedam a uma profissão elitista. O resto, é conversa...
Fresco (para os amigos... Fresquinho) , 21 Maio 2012
Mil e uma mais regalias
Uma vez que quero concorrer ao CEJ, gostava que o comentador Carlos me dissesse quais são as "mil e uma mais regalias" que os Magistrados têm, para assim poder decidir com melhor conhecimento de causa.
Pimpinela , 21 Maio 2012 | url
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"financiar o custo do processo de selecção" o tanas... chulisse é o que é.
Eles sabem bem que os candidatos pagam o que for preciso para concorrer, e em bom rigor, nem se devia pagar nada.
Mas se os custos são assim tão elevados, então devem esclarecer para onde vai tanto dinheiro discriminadamente.
... , 21 Maio 2012 | url
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É um bocado puxado, tendo em conta o estado da economia em PT, é como disseram, é meio ordenado mínimo.

Bem... é o que é.
Ccv , 21 Maio 2012
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Caro Fresco,

Eu nunca tive um tusto na vida e entrei no CEJ, a pagar 90 euros de inscrição....se fosse agora pagava 230 euros. Custava, mas pagava. Também não concordo, mas já dizia o outro, uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. Quem organiza o concurso é o governo e não os magistrados portanto não confunda os termos....
Calinas , 21 Maio 2012
It´s all about the money
Está bem de ver que o Governo quer dinheiro fácil num concurso habitualmente acedido por mais de dois milhares de candidatos. É tudo uma questão de coroas extra, quando há três/quatro anos não se pagava nada, o resto são balelas, como as mil e uma regalias de um comentarista acima....
expoliado , 21 Maio 2012
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Para as mil e uma regalias tenho a dizer: Isto Procurador e não juiz. Tens férias pagas. Tens a possibilidade de ter baixa, subsídio de renda, trabalhes muito ou pouco tens um ordenado certo ao final do mês. Se quiseres e fores mulher é bem melhor seres procuradora do que ser advogada, pois tens licença de maternidade. Se fores advogada e deixares um prazo tens de justificar ao cliente e quem sabe pagares tu a multa, se fores procuradora tudo se resolve...para além de n pagares folhas, telefone...quem paga é o Estado...
Carlos , 21 Maio 2012 | url
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Carlos, estou esclarecido sobre a mil e uma regalias!!!!!
Pimpinela , 22 Maio 2012
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"ordenado certo ao final do mês"
Como é que se pode apelidar de certo um ordenado que caiu 30% nos últimos 2 anos?
As advogadas já beneficiam de lic. de maternidade.
E as procuradoras, quando regressam ao trabalho, apanham com o monte de inquéritos não urgentes à sua espera.
Se fores procuradora e não cumprires prazos tens um processo disciplinar.
E trabalhas na localidade para onde te mandam, e não na que desejas.
Pimenta no... dos outros é refresco.
Era , 22 Maio 2012 | url
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Caro Carlos,

Era importante que desse uma vista de olhos ao Código do Trabalho e àquilo que por lá aparece consagrado. Está explicada a argumentação, muito triste, por certo.
expoliado , 22 Maio 2012
Força Carlos, em vez de invejar, junte-se a eles
Então Carlos, pelo que vejo, em nome dessas regalias inadmissíveis, por certo, figurará na lista de candidatos ao CEJ, agora resta saber se consegue entrar. É que para se ser magistrado é preciso algo mais do que mandar uma bocas, é preciso estudar muito e fazer muitos sacrifícios para aceder à profissão. Força, estou certo que conseguirá!
Apoio o Carlos , 22 Maio 2012
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Ahahahah...Tudo com a pimenta no nariz. Infelizmente não sou da área de Direito. Nem me vou candidatar ao Cej...Mas para as pessoas que se vão candidatar eu só tenho de dar força e dizer que apesar do corte dos 30% é sempre um ordenado elevado e com grandes regalias. As advogadas tendo licença de maternidade acham que tem metade das regalias que tem uma procuradora? Ao belo expoliado, não preciso ler o código do trabalho, a prática da vida diz-me que magistrado ou procurador é uma grande profissão ao pé da de Advogado. Isto, caso não estejam agarrados a uma sociedade de advogados ao poder e com bastantes ajustes directos...
Agora quem não concordar paciência. Conheço 3 pessoas que se vão candidatar ao cej e outras pessoas procuradoras que me disseram que não é pelo preço de 230 euros que vão ficar de fora. Agora estudem e lutem porque é das poucas profissões com bastantes regalias.
Uma resposta ainda para o Era...Andas no máximo 6 meses em outros tribunais, 90% ficam nas zonas escolhidas...escolhidas pelos candidatos...
Carlos , 22 Maio 2012 | url
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Só mais uma resposta à Pimpinela. Boa sorte caso vás a exame, bem sei que não deve ser fácil. Mas não desistas de o ir porque os que estão a comentar é porque não querem perder o lugarzinho de destaque.
Carlos , 22 Maio 2012 | url
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Olá a todos. Ainda não vi o que o comentador Carlos disse de mal. E sinceramente acho que é uma boa profissão. Sou Advogada, mas como tudo em dia, a vida não está fácil. Receber dos clientes é díficil, manter o escritório ainda pior. Vou tentar o Cej pela vertente profissional e com isso tentar ter um ordenado líquido ao fim do mês. Um ordenado isento de custos. Bem hajam a todos...
Só tem que me explicar a licença de maternidade nas advogadas pois na vida prática não é bem assim...Informem-se.
Andreia , 22 Maio 2012 | url
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É triste ver tanta mesquinhez e inveja.
Carlos, se tem assim tanta inveja, candidate-se e deixe-se de lamúrias.

As alegadas mil e uma regalias são apenas e tão só a diferença entre quem é profissional liberal e quem não é. Mas ninguém o obriga a ser profissional liberal. Os que trabalham por conta de outrem também não têm as "dezenas" (não são mil e uma) regalias dos profissionais liberais: não podem descontar IVA do que compram, mesmo para o exercício da profissão, não podem deduzir despesas com esses bens, com almoços, combustível, não podem adquirir num veículo a «leasing» sendo os encargos suportados pela vertente profissional, não estão sujeitos a horários de trabalho, tabelam os preços como querem, declaram o que querem no IRS (e por isso é que a maioria recebe abonos e subsídios pagos pelos impostos dos ditos com mil e uma regalias), etc., etc.. Se há advogados que não singram, paciência, são as regras do mercado, agora imputar que o contrário é ter mil e uma regalias, isso não passa da mediocridade do povo que ser sempre que os outros tenham sempre menos. É por isso que este país não passa da cepa torta, tantos há a puxar para baixo que quem vai aguentando chega um dia e cede.

Quanto ao que diz no seu último parágrafo é totalmente falso. Eu andei pelos Açores, pela Madeira, pelos Algarves, pelas Beiras e por Trás-os-Montes durante oito anos e só no ano passado consegui um lugar mais perto da minha residência, mas como auxliar e não como efectivo. E eu fui um dos primeiros do meu curso. Poderia ser o que diz há uns anos atrás, mas não o é seguramente agora.
Miguel , 22 Maio 2012
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Concordo e subscrevo o que o Carlos disse. O único que diz algo de jeito. Tenho 2 amigos procuradores, não quiseram seguir a carreira de Juiz mas sim de Procurador. Chegam ao tribunal às 9h30. Saiem ao meio-dia...não tem pressões de clientes. E levam para caam 2.700euros (Dito tudo por eles). Se acham que é mal ser procurador porque não vem ser empresários e investem num negócio próprio? Talvez seja melhor...
Francisco , 22 Maio 2012 | url
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Também concordo com a Andreia. Com o Carlos quase Tudo, mas a Andreia falou bem. Tem de me explicar melhor essa das regalias nas Advogadas. É que ultimamente nem oficiosas recebem, se não tiverem nas sociedades do poder pouco tem sorte cm Advogadas.
Luísa. , 22 Maio 2012 | url
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Carlos, travestido de Andreia -- o discurso é tão igual, tão igual, que escusava de travestir-se.
Mas olhe que o ordenado não é isento de custos. Isso é que está enganado(a). Bem enganado(a).
Os custos são muito mais do que possa pensar. Se o Carlos trasvestido de Andreia quiser concorrer ao Cej, primeiro convém definir o que quer ser (se juiz, se juíza, se procurador, se procuradora) e depois prepara-se para trabalhar 12 e mais horas por dia e ainda ter os medíocres Carlos e Andreias do mundo com a mesquinhez e baixeza que tanto caracteriza 90% do povo português, a desdenhar do que pensam que recebe mas que nunca receberá.
Quanto à licença de maternidade, aconselho-o a procurar um advogado ou advogada, porque penso que neste sítio não se presta consultoria jurídica. Se esse advogado ou advogada souber o mínimo de direito -- se se exige que saiba tanto como os magistrados, claro, esses hiper-privilegiados -- saberá explicar-lhe. Mas se não quiser gastar uns 10% do SMN numa consulta inútil, talvez uma ida à Segurança Social permita-lhe saber como gozar essa licença. Mas não se esqueça que primeiro tem que descontar, ok? É que isto de ter benefícios sociais à borla é só para quem não gosta de trabalhar. Felicidades.

Agora para o Carlos travestido de Francisco, aconselho-o vivamente a procurar saber se esses procuradores são mesmo procuradores ou fala-baratos. Uma vida dessa talvez para os Procuradores do STJ ou de algumas Relações, mas jamais para um de Primeira Instância. E olhe que esses 2700 euros estão muito inflaccionados! Não me diga que o malvado do Estado esqueceu-se de lhes aplicar os cortes. Malandro.

--- Parágrafo eliminado ----

Sinceramente, é preciso ter muita pachorra para aturar esta gente de tripla ou quádrupla personalidade.
Francisco Mata-Políticos , 22 Maio 2012
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Caro Miguel ou Dr. Juíz. Isso é o seu caso, a maior parte fica na zona passado alguns meses. E se ficou em Açores e Madeira, é porque escolheu a zona de Lisboa como preferência. O que me parece é que o invejoso é você, que não quer perder os louros que tem. E com isso vem aqui desmorecer os que se tentam candidatar ao CEJ. Como lhe disse a minha área é outra que não o direito, mas como hoje na vida tem que se saber um pouco tudo...
O que não é o seu caso. O Senhor Juiz percebe muito pouco de contas, talvez seja por isso que as insolvências sejam decretadas facilmente.
Explico-lhe o seguinte e recomendo-o a estudar o CIRS.
Os Advogados se almoçarem fora não têm qq regalia, a mesma só entra para efeitos fiscais caso possuam contabilidade organizada. O Gasóleo é considerado a 50% e mesmo assim não se recomenda que se exagerem os valores. Quanto ao declarar o que se quer no IRS tem de me explicar essa...sinceramente não entendo. Os advogados declaram a somo total dos seus recibos que são tributados a uma elavada taxa de IRS. Quanto aos subsídios outra que tem que me explicar...pois não sei do que fala...

----Parágrafo Eliminado -----

Despeço-me e Boa Sorte...
Carlos , 22 Maio 2012 | url
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Que bela resposta do Carlos ao Miguel...ahahaha...Sr. Juiz...olhe que os Juízes deviam ser remunerados consoante os resultados que façam em Tribunal...
António , 22 Maio 2012 | url
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Quem dera, António, digo, Carlos. Estava rico, assim como 99% dos juízes, que trabalham 500% mais do que lhes seria exigível. Dizem que a contingência máxima num juízo cível deveria 700 processos. Para quem tramita mais de 3500, faça as contas.
Miguel , 22 Maio 2012
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Certo Dr. Juiz Miguel. Talvez tenha errado em algumas coisas no que lhe disse. O que no fundo quero dizer é que no meio de tanta miséria, tanta crise, acredito que quem se vai candidatar ao Cej pode mesmo ser uma boa oprtunidade de vida. Claro que com todas as virtudes e defeitos...
Cumprimentos uma x mais.
Carlos , 22 Maio 2012
Resposta ao Francisco Mata-Políticos
Só uma última resposta a V.Ex.a. Como aqui alguém já disse, sou profissional liberal, nos tempos conturbados de crise, digo que ser funcionário público nos dias de hoje é um luxo. Enfim concorde ou discorde. Agora não é requisição ter apenas um pseudónimo. Troco o nome consoante quero para responder democraticamente...Ou acha que me chamo Carlos? Ou António? Mas Antes Carlos ou António do que Francisco Mata-Políticos é por causa de si que o País está como está...Francisco mata-políticos...deves andar em manifestações sindicalistas em vez de trabalhares malandro.
Carlos , 22 Maio 2012 | url
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O actual paradigma judiciário é antiquado e corresponde a modelos de organização social há muito ultrapassados. As razões que estiveram na sua origem não correspondem, hoje, aos valores do Estado de Direito. Ele assenta basicamente numa concepção maximalista dos poderes e prerrogativas funcionais dos magistrados, nomeadamente, a independência, a irresponsabilidade, a inamovibilidade e no carácter vitalício da função. É inaceitável que num estado de direito se possam manter essas prerrogativas até ao limite do absurdo.
Esse paradigma resistiu, ao longo dos tempos, à várias mudanças políticas e sociais – passou pelo absolutismo, pelo liberalismo, pela monarquia constitucional, pela República e pelo Estado Novo, sem qualquer alteração significativa. Com a Revolução Democrática do 25 de Abril e subsequente instauração do Estado de Direito Democrático, as coisas pioraram já que os magistrados funcionalizaram-se e transformaram os imensos poderes e prerrogativas funcionais de que dispunham numa espécie de privilégios pessoais que, muitas vezes, ostentam de forma chocante, por mera jactância ou exibicionismo pessoal. Mas, pior do que tudo isso, foi a transformação da função soberana de administrar a justiça numa actividade profissional que se rege de acordo com os interesses dos respectivos «profissionais». Para melhor conseguirem esses objectivos, esses «profissionais» criaram sindicatos de classe como se fossem simples trabalhadores por conta de outrem. E a pior perversão resulta do facto de a administração da justiça em Portugal estar refém dos sindicatos das magistraturas, ou seja, dos interesses profissionais dos respectivos associados.
É, pois, urgente, alterar este estado de coisas, fazendo com que a administração da justiça seja colocada ao serviço dos seus destinatários (os cidadãos e a sociedade) e não dos interesses laborais, profissionais ou corporativos dos seus agentes.

O Perfil dos Magistrados
Muitos dos nossos magistrados revelam um perfil totalmente inadequado às respectivas funções. Por isso é necessário criar condições para que possam deixar a magistratura, sem rupturas traumáticas, a fim de exercer outras funções públicas, acabando-se com o recurso sistemático à aposentação/jubilação como forma de resolver situações óbvias de inadaptação ou de falta de perfil psicológico para o exercício das funções de magistrado.

A Formação dos Magistrados
O Centro de Estudos Judiciários falhou a sua principal finalidade que é a de formação de magistrados para um Estado de Direito Democrático. Em vez de magistrados têm sido, em muitos casos, formadas sucessivas castas de majestades que andaram e andam pelos tribunais a exibir poder e arrogância, sem respeito por ninguém, muito menos pelos cidadãos em nome de quem administram a justiça.
O CEJ não é um centro de formação de magistrados mas sim um centro de reprodução de magistrados.
Propõe-se, por isso, a extinção do CEJ e a sua substituição por um organismo com cultura republicana que forme igualmente outros profissionais do direito, forenses ou não, que combata a cultura de poder e de arrogância que agora existe, e que transmita aos futuros magistrados um forte sentimento de responsabilidade democrática e de respeito pela pessoa humana.
Igualmente que nenhum magistrado possa exercer as funções de Juiz antes de completar 35 anos de idade e que a respectiva formação tenha uma dimensão multidisciplinar que privilegie a capacidade e a humildade para entender o ser humano e a complexidade da vida social (nos seus múltiplos conflitos e contradições) e não a mera transmissão de conhecimentos ou de tecnicidade jurídica.
Na preparação dos futuros magistrados deverá ter-se especial cuidado em evitar a transmissão aos formandos dos vícios e defeitos da profissão. Estes são, em regra, degenerescências que resultam da cristalização ao longo dos anos e décadas de práticas profissionais deformadas e desligadas dos valores do Estado de Direito, pelo que não devem ser adquiridas logo em sede de formação, como infelizmente tem acontecido.
O panorama actualmente existente atinge, em algumas situações, paradoxos chocantes. Alguns magistrados ostentam sinais exteriores de modernidade, mas actuam segundo os mais retrógrados paradigmas judiciários. São capazes de ir para o tribunal de T-Shirt e jeans mas despacham processos e tomam decisões como se fossem uma mistura de L. Béria e T. Torquemada.
Frederico , 22 Maio 2012
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Isto de explicar a advogadas o direito... das advogadas já diz algo sobre a nossa advocacia.
Pela parte que me toca, já tive um julgamento adiado por 6 meses com esse fundamento.

Quanto ao regime contributivo, cada um sabe de si.
Era , 22 Maio 2012 | url
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Infelizmente pelo que tenho observado e tal (não aqui, mas já desde a faculdade e tal) é que se quer simplesmente ser juiz / procurador/advogado para simplesmente se ganhar dinheiro e prestigio.

Vocação, sentido, postura, valores, é zerinho. Claro que há excepções, mas é isso excepções.
Os advogados têm inveja, os Juízes acham-se poderosos e tal... é assim aqui a vidita.

Medicina e tal também se concorre para dinheiro, não porque se tem vocação ou se gosta...

Pois lá está - o Coelho tb disse isso das más escolhas, da culpa e tal que as pessoas têm a esclher "coisas" que n dao dinheiro!
Sao estes os valores aqui na terriha.
Ccv , 22 Maio 2012
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Ó Carlos arranje trabalho! O Senhor sabe lá o que é a vida...e vem agora aqui multiplicar-se em comentários sem comentário
expoliado , 22 Maio 2012
Resposta ao Carlos, António, Francisco, Andreia e Luísa
Carlos, ou lá qual seja o seu nome, eu não tenho problema nenhum quanto à sua bipolaridade, tripolaridade ou tetrapolaridade. É um problema seu. O que não tem nada de democrático é um pseudónimo dar loas aos outros pseudónimos. Em democracia, um voto é um voto, uma opinião é uma opinião. Eu assino como "Francisco Mata-Políticos", porque Francisco é o meu nome e detesto políticos e todos os lambe-botas deles que levaram este país à destruição. Podia adoptar como pseudónomo "Francisco Mata-Moscas" ou "Francisco Mata-Parasitas" que o resultado seria o mesmo.

Agora, eu não costumo andar por manifestações, nem sou sequer "sindicalizado": os 16 euros por mês fazem-me muita falta, devido aos cortes que os políticos seus amigos me impuseram, violando o contrato que outorguei com o Estado. Mas também não gosto de cercear os direitos dos outros. Se querem manifestar-se ou sindicalizar-se, estão no seu legítimo direito e essa liberdade de expressão e de associação deve ser sempre preservada. Defender o contrário e abominar quem simplesmente se limita a exercer um direito, é querer o regresso da ditadura. Se é que já não estamos nela há sete anos, como eu penso que estamos.

Desejo-lhe muitas felicidades como profissional liberal. Eu também já o fui e portanto sei muito bem como a contabilidade era feita pelo técnico de contas, o que podia deduzir e o que não podia e o que apesar de contra as instruções do técnico de contas eu sempre emitia recibo, apesar de saber que 99% dos colegas advogados não o faziam. Portanto, eu já estive desse lado durante bastantes anos e sei como as coisas se fazem. Se quando concorri à magistratura me tivessem dito que passados dez anos iria ter um corte de 30% no vencimento, pode crer que jamais concorreria. Mas agora que aqui estou, com as expectativas frustradas, não é lícito dizerem-me para se eu estou mal, para sair. O problema é que o contrato que fiz foi violado e, portanto, pelo direito e pela democracia, o que está correcto é o contrato ser cumprido e não dizer ao que foi confiscado para ainda dar graças a quem o espoliou.
Francisco Mata-Politicos , 22 Maio 2012
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O primeiro parágrafo escrito pelo Frederico diz tudo. Ser juiz independente, irresponsável (no sentido de não poder ser demandado pelas suas decisões, como acontece em todos os países do mundo e nao no sentido de não responder ou não poder vir a ser responsabilidade civil, disciplinar ou penalmente, caso aplicável) e inamovível, é coisa do passado. Os juízes querem-se obedientes, subservientes, saltimbancos e escravos do poder político, das negociatas e dos interesses das maçonarias, dos grupos económicos e dos advogados. Juízes independentes e que salvaguardem os direitos, liberdades e garantias dos cidadãos, esses medíocres que deviam agradecer por respirar, nem pensar! Juiz é para ser formatado, obediente e agradecer o sol de cada dia até ao momento em que o poder político, económico ou maçónico estale os dedos e o atire para debaixo da ponte, ora essa. Boa, Frederico, está no bom caminho: ainda chega a primeiro-ministro, força!
R.O.S. , 22 Maio 2012
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Caro R.O.S, gostei da sua visão e concordo em parte consigo. Quanto aos juízes que por aqui andam, a lenga lenga é a mesma. Sentem-se virgens ofendidas contra comentários menos abonatórios a seu favor. Quanto ao Juiz Francisco e pela ilação que tomo, o Francisco anda revoltado porque lhe cortaram 30% do vencimento. É assim a vida colega. Eu sou Juiz e não tenho essa visão, pois se a nós nos cortaram 30% o que não dizer dos desgraçados de muitos que por aí andam.
Se está mal, volte para a profissão liberal...

Andrade , 22 Maio 2012 | url
...
Carlos, não vale a pena travestir-se de "colega" Andrade.
V. é tanto Juiz como eu sou astronauta.
Sem prejuízo, no caso hipotético, meramente académico, note-se, de contra todas as regras do universo e arredores, a sua bipolaridade lhe permitir ser durante uns minutos juiz, como não se importa dos cortes, agradeço indique-me o seu e-mail para eu lhe indicar o meu NIB e transferir para a minha conta os 30% que não lhe fazem falta. Profundamente agradecido pela sua graciosidade.
Ó Carlos, digo Andreia, digo Francisco, digo Luísa, digo Andrade, não acha que já chega de tanto paleio furado? É que daqui não leva nada, pois testemunhas mentirosas e advogados que deturpam a verdade, são aos 90% e são facilmente topados. Ossos do ofício.
Francisco Mata-Politicos , 22 Maio 2012
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Exmos. Comentadores:
A maioria dos últimos comentários não tem qualquer relação directa com o item publicado.
Nesta conformidade, não se admitirá a publicação de qualquer outro comentário que não tenha por objecto a matéria do artigo publicado e para salvaguarda da necessária elevação. Agradeço a compreensão.
Administrador InVerbis , 22 Maio 2012
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Por mais que queira perceber não consigo!! Para concorrer é necessário pagar 230 Euros!!!???? Isto é constitucionalmente admíssivel, face aos inumeros contratos públicos que abriram, nomeadamente, o concurso para a IT??? Não consigo perceber! Juro que não! Na inspecção tributária, éramos milhares; independentemente da zona do país, os exames foram realizados em Lisboa, no PARQUE DAS NAÇÕES, e tudo de borla. Apenas levávamos, a nossa força de vontade, muito estudo e muita fé em Deus!!! Não paguei um centavo; e ainda bem, porque na altura estava desempregado e não poderia desembolsar umas centenas de euros, para concorrer, visto que as deslocações e muita bibliografia que tive de comprar para estudar para o exame, não me iriam permitir desembolsar centenas de euros, por um concurso público!!! Entrei, nos IT, e graças a Deus, foi tudo tão bem organizado, sem o atropelos, com muitas pessoas a monitorizar os exames e nada disto aconteceu!!! Agora fico chocada, com colegas que infelizmente, não conseguiram entrar na IT, e continuam desempregados e pretendem aceder á magistratura, porque precisam urgentemente de um emprego... e depara-se-lhes este critério de inicio de concurso!!! Sinto uma revolta enorme e uma grande injustiça o que estão a fazer a pessoas, que precisam desesperadamente de arranjar um emprego, porque nos tempos que correm aceder á magistratura, é mais uma hipótese de arranjar emprego e não apenas de alcançar o " sonho das nossas vidas" . Boa sorte a todos e envergonha-me o que estão a fazer, pois estão a violar o princípio da Igualdade e não sei porquê, nem como, ainda não veio ninguem insurgir-se contra isto!!! smilies/angry.gifsmilies/angry.gifsmilies/angry.gif
veterano , 23 Maio 2012
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"porque precisam urgentemente de um emprego"

grandes magistrados que vamos ter!
Ccv , 24 Maio 2012

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