O vice-presidente da Associação Transparência Internacional, Paulo Morais, disse ontem na Universidade do Minho que a «política em Portugal transformou-se numa megacentral de negócios».
Para o dirigente da associação cívica, que falava à margem das I Jornadas do Mestrado em Crime, Diferença e Desigualdade, «são os atores que desenvolveram essa corrupção e os seus amigos e os seus sócios e os seus parceiros que estão hoje na atividade política», portanto, «não são eles que vão obviamente, combater a corrupção.
Na sua opinião, «nesse aspeto, estamos num beco sem saída, porque, com a política portuguesa transformada numa mega central de negócios, não são estes negociantes que vão acabar com o seu próprio ganha pão de grande volume». «Com esta gente não vamos a lado nenhum», sustentou. Aos jornalistas, Paulo Morais realçou que, sem um combate efetivo à corrupção, dificilmente o país irá desenvolver-se, uma vez que «há uma correlação muito forte entre o que é corrupção e o que é o desenvolvimento dos mais diversos países». Assim, sustentou, «em Portugal, ou se começa a combater a corrupção, ou não teremos desenvolvimento.»
Na sua opinião, a corrupção é a causa da crise em que está mergulhado Portugal. Segundo defendeu, a crise tem duas facetas que são, por um lado, a dívida pública e, por outro, a dívida privada. «A dívida pública foi o acumular de casos e casos de corrupção ao longo de 20 anos, que levaram depois a esta dívida que temos e a défices anuais. Portanto, foi a corrupção que nos trouxe até aqui. E, mesmo ao nível da dívida privada, cerca de 70 por cento, no início da crise, resultava de especulação imobiliária, ou seja, de corrupção», disse. Assim, atirou, «é combatendo a corrupção que temos de combater a crise». Aliás, Paulo Morais fez questão de sublinhar que em Portugal há mesmo corrupção, dando como exemplo o caso dos submarinos, que está provada pelos tribunais alemães.
Nesta iniciativa participou também José Mouraz Lopes, presidente da Associação Nacional de Juizes, que considerou que a criminalidade económico-financeira tem complexidades, especificidades, e é, sobretudo um tipo de criminalidade que tem de ser tratada de forma diferenciada.
Outra intervenção foi a José Campos Braz, ex-diretor nacional adjunto da Polícia Judiciária, que apontou como principais ameaças a criminalidade violente peri-urbana, os tráficos, a criminalidade informática, os terrorismos e a criminalidade económica.
José Carlos Ferreira | Diário do Minho | 10-11-2012
Comentários (9)
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Corrupção e criminalidade económica...a destruirem o País...
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E no M.P. há muitas g***s a mandar, elas que me desculpem, mas o momento é para quem testículos, é preciso muita testosterona.
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o problema é que com este m.p. é impossível prender o colarinho branco dos partidos, dos bancos e das construtoras.
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elucidativa de uma prática de "terror" são os processos disciplinares que chovem sobre os Magistrados do M.º P.º dos quais uma pequena parte vai estando acessível nos sites que publicam e tornam públicas as decisões jurisidicionais dos casos em que existe recurso dessas decisões disciplinares. sem prejuízo do avisado critério que algumas decisões disciplinares revelam e, até, de alguma compreensão, existem outras decisões que desvelam uma supreendente violência. e o Direito Disciplinar (assim como, noutra vertente o das Contraordenações) não tratam de bagatelas penais ou para-penais.
MP o quê?
na vida acusado pelo MP. Deu-me uma daquelas inacreditáveis solturas intestinais!
!!!!!!!!!
Após alguns milhares de euros gastos ao Estado lá ficou toda a cretinice em águas de bacalhau!
INACREDITÁVEL!
Aquela senhora do MP deveria ter sido obrigada a pagar tudo do seu pocket!
A meritissima juiza mal disfarçava a sua incredulidadevperante tal acusação!~
Eventualmente ainda iremos encontrar tipos do MP dispostos a a acusar de bruxaria , magia negra e outras bacoradas do mesmo tipo !!!!
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Meios de investigação mais eficazes, penas mais pesadas e perda de bens a favor do estado. No entanto, há muita gente que não o quer porque tem medo e quer continuar a fazer das suas funções públicas um ambiente para negociatas privadas. Vejam-se os exemplos que Paulo Morais tantas vezes tem dado de deputados que participam em decisões políticas em que as empresas para quem eles trabalham são interessadas direta ou indiretamente.
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Sei que os políticos o ignoram, que os jornalistas idem - podiam fazer mais, como pegar nas informações fornecidas e investigar por si, mas isso não dá "caxas" bombásticas todos os dias, e o director financeiro anda sempre a telefonar p'rá direcção...
O Prof. Paulo Morais que não desanime. Os homens íntegros terão sempre muitos apoiantes.
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