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REVISTA DE 2012

Facturação aumenta na “Senhores do Fraque”

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A crise está a alastrar, afecta cada vez mais pessoas e empresas, mas não chega a todos. Há quem consiga passar entre os pingos da chuva e, até, ganhar com as dificuldades dos outros. A "Senhores do Fraque", empresa de crédito e cobrança, tem visto o volume de clientes "aumentar" nos últimos tempos, apesar do perfil da clientela ter mudado com a crise.

"Perdemos aquilo que tínhamos em grande quantidade, que eram os pequenos empresários, porque o tecido económico está deveras fragilizado, mas, em contrapartida, a nossa facturação não se ressentiu, porque aumentaram as questões nas empresas de média e grande dimensão. [No deve e no haver] O volume está a aumentar", diz à Renascença o presidente da empresa, Fernando Pereira Brites.

No entanto, se a crise não se nota, propriamente, na facturação da empresa, evidencia-se noutro plano: o da dificuldade de obter as cobranças.

"Para recuperar o mesmo valor que recuperávamos há dois ou três anos, os recursos e o tempo acabam por duplicar. De facto, está mais difícil, mas a maior parte dos casos é uma questão de haver compreensão e diálogo, facilitar os pagamentos e resolver os problemas", explica Fernando Brites.

Os clientes são, em geral, ex-devedores ou chegam através do site oficial da empresa. Depois de preenchido o formulário e de o caso ser aceite, a empresa "Senhores do Fraque" adquire as dívidas aos lesados e parte ao encontro dos devedores, explica o presidente, que é também advogado.

"Fazemos cobrança em nome próprio, de forma a que o cliente não tenha qualquer tipo de responsabilidade da nossa actuação. Actuamos no nosso próprio nome e em responsabilidade exclusiva", sublinha.

A "Senhores do Fraque" aceita dívidas que vão de mil euros,"porque abaixo disso não rentabiliza, nem para o cliente nem para nós" até "valores astronómicos". Depois, começa o trabalho no terreno: primeiro por carta, mas também por telefone.

"Temos que fazer a notificação, onde damos os nossos dados, por forma a iniciar o diálogo. Depois vamos falando com os devedores por telefone e, mercê da actual conjuntura, somos flexíveis no sentido de dar todo o espaço de manobra ao devedor, para que ele tenha oportunidade de resolver os seus problemas para regularizar os seus compromissos. Nós não tratamos mal as pessoas, temos uma relação de cordialidade até o devedor o permitir", explica.

Se estas primeiras abordagens à distância não forem suficientes para recuperar o dinheiro em falta, a empresa de créditos e cobranças passa a "uma abordagem personalizada".

"Tentamos não deixar espaço de manobra ao devedor para que protele, eternamente, as suas obrigações. É um acto imprescindível [estarmos identificados] porque, se não estivermos, torna-se difícil que o objectivo seja concretizado", acrescenta Fernando Brites.

O presidente da empresa diz que a "Senhores do Fraque", antes de avançar para a abordagem pessoal, compila "um conjunto de informação comercial que é acessível e depois confrontada no local", sem, no entanto, querer avançar pormenores à Renascença.

"Não vamos estar a pôr em causa o objectivo, que é recuperar o crédito, dificultando ao máximo a vida do devedor. Verificamos, à partida, alguma informação e, quando chegamos ao devedor, já sabemos com o que contamos e, mercê disso, disponibilizamos alguma flexibilidade para que ambas as partes se entendam e se resolvam os assuntos", esclarece Fernando Brites.

Depois, ao chegar junto do devedor, o funcionário da empresa analisa as condições e, por exemplo, se encontra "uma vivenda toda bem conservada em que o sujeito alega dificuldades financeiras, há qualquer coisa que não está a bater certo".

Numa altura em que a DECO tem recebido cada vez mais queixas sobre a crescente agressividade das empresas de recuperação de crédito, Fernando Brites dá conta do outro lado da moeda: "Ao contrário do que as pessoas supõem – de que são os cobradores os maus da fita – na realidade, muitas vezes, são os próprios cobradores que são vítimas dos devedores", refere.

O proprietário da "Senhores do Fraque" aponta outra face da moeda, "situações que não lembram a ninguém", como casos em que os devedores avançam com desculpas que as empresas de cobrança já conhecem, mas que são recorrentes. Por exemplo, alegar, após um divórcio, que é o cônjuge "que ficou responsável pelo pagamento do crédito" ou, até, garantirem "que já pagaram ou que já enviaram o cheque pelo correio". Há um sem fim de exemplo, "uma série de questões em que o português tem uma imaginação muito fértil", diz Fernando Brites.

Cartos Calaveiras | Renascença | 16-11-2012

Comentários (11)


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...
Se eu mandasse, mandava os solictadores de execução apanhar gambuzinos e contratava os senhores do fraque para os substituir...
Jesse James , 17 Novembro 2012
"Abordagens personalizadas"
Boa expressão!
Kill Bill , 17 Novembro 2012
...
Como é que é possível num país civilizado existir uma empresa destas?
Pela descrição do «presidente, que também é... advogado» cheira-me a métodos mafiosos.

«Fazemos cobrança em nome próprio, de forma a que o cliente não tenha qualquer tipo de responsabilidade da nossa actuação. Actuamos no nosso próprio nome e em responsabilidade exclusiva»

«Nós não tratamos mal as pessoas, temos uma relação de cordialidade até o devedor o permitir»

Então e depois, partem-lhe os dedos, queimam-nos com cigarros, batem-lhe com um taco de basebol para pagar e se não tiver dinheiro obrigam-no a roubar para o fazer?

Zé da Laurinda , 17 Novembro 2012
...
A impunidade é tanta que eles até já dão entrevistas sem esconder a identidade.

Onde andam a Ordem dos Advogados e o Ministério Público? À caça de gambuzinos?


Justice For All , 17 Novembro 2012
...
Mas que raio de comentários da treta... onde estão as provas dos dedos partidos, queimadas de cigarro e o raio que vos parta com o taco de basebol imputadas a esta empresa?

E onde existe sequer uma unica sentença que seja onde os cavalheiros tenham sido condenados por quaisquer actos de violência?

Cambada de cobardes que difamam, caluniam para manter os v. privilégios ao abrigo do anonimato... lançando o medo por entre quem n confia nos v. actos profissionais...

Então neste site é permitido semelhantes comentários sem qualquer sustentação em prova?

Vejam a transposição da directiva comunitária Bolkenstein onde só é consagrado como exclusivo apenas AS COBRANÇAS PÚBLICAS...

Viva a liberdade de circulação de serviços...

Pasmo é c a impunidade destas palermices de ignorantes!
Catarro , 17 Novembro 2012 | url
...
Ó Catarro não te excites, ninguém afirmou nada, é apenas uma pergunta de retórica, mas pela reação de v. Ex.ª... hum... se calhar....

Mas isso deve ser do catarro, é melhor deixar de furmar.smilies/smiley.gif
Zé da Laurinda , 17 Novembro 2012
Cof cof ! Catarro a mais...
Ainda me recordo do caso de uma familia falida e devedora que também era objecto de "abordagens personalizadas" a cuja senhora e mãe era sugerido frequentemente que se dedicasse "á vida" já que "tinha bom fisico" para isso. Não sei se usavam fraque, mas parece-me uma " SUGESTÃO CORDIAL"
não acha Catarro?
Dum Dum , 17 Novembro 2012
Oh Catarro,
vai um rebuçado de mentol?

Por acaso os fraques são acolchoados por dentro?
Convém andarem preparados!
Troika-tudo , 17 Novembro 2012
...
Se alguém tem conhecimento concreto de práticas ilícitas denuncie no DIAP... p isso é q supostamente o DIAP existe!

N faça insinuações, nem imputações de que n tem forma de as provar...só o descredibiliza!

Agora n confunda os SF com o Cobrador do Fraque/Homem do Fraque q fechou as portas em Portugal por causa de um processo crime que os SF lhes instaurou precisamente por praticas semelhantes às que aqui se registam... basta ver o site deles ohomemdofraque.com está offline ou a sede deles no Arco do Cego...

Até fecharam a conta nas páginas amarelas: http://www.pai.pt/q/business/a...e/Concelho de Lisboa/what/homem do fraque/?contentErrorLinkEnabled=true

São empresas distintas e a sua confusão só revela o desconhecimento do que se passa nas cobranças em Portugal...
Catarro , 23 Novembro 2012 | url
não se deixem enganar pelos
Um Prof. Universitário e personalidade com alguma credibilidade (?) pública é sócio gerente de uma empresa na área de ambiente, ficou a dever-me 3 anos de trabalho (24.000 €) relativos a um projeto que foi integralmente pago pelo cliente. Propositadamente deixou de gerir a empresa de forma produtiva, despediu toda a gente, vendeu todo o património da empresa pelo que não adiantava processá-lo, e agora só recebe créditos, mas pagar aos credores está quieto, tem mais de 15 ações de cobrança em tribunal. Por causa deste calote tive que pedir 20.000 € emprestados para cumprir os meus compromissos e ainda os estou a pagar. Desesperado e chocado com a gestão danosa que o Sr. Professor fez da empresa (tem outras onde continua a trabalhar...) recorri ao cobrador do fraque (http://----), mas posso dizer que são tão ou mais caloteiros que o Sr. Professor, pois paguei 2.100 € de "custas" e passado um ano nada fizeram para recuperar o meu dinheiro. Este "cobrador do fraque" que contratei é um sucedâneo da empresa original (http://----) e foi criada por um advogado (----) que deixou o cobrador do fraque original e montou esta empresa com o mesmo nome, mas que nada faz a não ser receber o dinheiros dos clientes. Para terem uma ideia, só passados 2 meses é que enviaram a 1ª carta ao devedor, e passados 6 meses de lhes ter pago, apenas tinham (supostamente) falado com o devedor 1 ou 2 vezes. Depois de reclamar disseram que iam tentar uma injunção, mas passados 3 meses, quando perguntei em que vara decorria esse processo de injunção, nunca responderam aos mails e cartas que enviei. Propus a rescisão amigável do contrato, com a devolução de 50% dos 2.100 € que adiantei, mas não se dignaram a responder, pelo que acabei por rescindir unilateralmente com a empresa do Dr. ----. Não se deixem enganar por esta empresa de cobranças.

---- =(Filtro 3.3.)
Miguel , 23 Novembro 2012 | url
...
De fato dava jeito contratar está gente ..A empresa onde trabalhei ---- deve-me dinheiro como a outros colegas... Dizem n haver dinheiro e a empresa está montada numa luxuosa moradia ... e o patrão anda de sls 320 ...

Anonimo , 14 Abril 2015

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