Tiago Mesquita - A dívida do nosso país pode ter muitas causas. Endógenas e exógenas, micro e macroeconómicas, conjunturais ou estruturais. Há todavia um traço comum que, a meu ver, é a principal causa do estado a que chegámos, independentemente das dificuldades que todos os países enfrentam, da crise internacional e de tudo o resto que gostam de nos vender.
A causa de que falo é simples e nada tem de rebuscada: o nosso país tem sido governado por um grupo de pacóvios com tiques de parolo. Os novo-riquismo da política portuguesa é sem duvida o maior cancro da democracia partidária.
O dinheiro público, quando gasto de forma racional, não é contabilizável. A boa utilização destes recursos traduz-se em melhorias que, direta ou indiretamente, permitem à sociedade manter níveis de desenvolvimento elevado. E só com desenvolvimento o crescimento pode ser sustentável. E o pior é que isto nunca aconteceu neste país.
De que serve construir dezenas e dezenas de autoestradas se não temos dinheiro para nelas circular, nem tão pouco para as pagar ou sustentar? O maior centro comercial da europa? A maior ponte da europa? E ter alguma coisa à nossa medida, não pode ser? É coisa de pobre? De que serve gastarmos milhões em formação se não temos empregos? E aeroportos sem aviões? E dezenas de estádios de futebol às moscas? E escolas sem alunos? Submarinos ou cortes na saúde? Tanques ou reformas? E parcerias feitas para o Estado ser prejudicado? Privatizações em cima do joelho? E os dinheiro que jorrou da UE durante décadas, em que foi investido? Snack bares atrás do sol-posto? Jipes para passear nos montes alentejanos? Não querem gastar a próxima tranche da Troika em plasticina e paus de giz? Quem gastou o que não devia? Quem gastou o que não tinha? Quem gasta o que não tem? Que futuro pensavam estas alminhas iluminadas que iriamos ter? Imbecis.
A forma abusiva, parola, irresponsável, impune, pacóvia, descontrolada, despesista, acéfala e em muitos casos socialmente 'criminosa' como sucessivas gerações de governantes têm vindo a desbaratar o património de todos, os bens e o dinheiro que deveria ser alvo de uma gestão cuidada e rigorosa, é a principal causa do estado de falência em que estamos. O novo-riquismo, a falta de visão, a falta de formação, qualidade e competência dos políticos portugueses é a principal causa desta crise. A génese desta crise é política. Mas infelizmente a irresponsabilidade destas pessoas é directamente proporcional às responsabilidades exigidas pelos mesmos aos portugueses, com as quais são permanentemente confrontados, sem terem culpa alguma. Comemos e calamos.
Gastassem menos, parolos.
Tiago Mesquita | Blogues Expresso | 29-11-2012
Comentários (11)
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Certo, mas ....falta o cerne
Com esta estrutura, quando a economia voltar de novo a crescer, a riqueza voltará a ser apropriada pelos mesmos e o miséria e desigualdade grassará porque vigora um estado de vontade, de arbítrio onde impera e se encontra disseminada por toda a parte a tirania, isto é, o exercício de poder à margem do direito.
Por issoa única solução para este país passa pela constituição de um estado direito. Depois terá que haver uma opinião publica que ajuize e fiscalize o exercício do poder para que os mandatários não se transformem em mandantes e voltem a captura o estado para colocá-lo ao serviço de interesses de grupos e contra o interesse geral.
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De Finições... ou De Finitos?... ou De Finados?
A mais integra explicação para os dias que vivemos.
Infelizmente vem-me á memória a celebre máxima salazarista do "pobrezinhos mas honrados"!
Portugal sempre foi um país "remediado"! Uns imbecis cavaquistas, seguidos doutros imbecis rosáceos, começaram a contar os milhões de contos diários com que os europeus nos "abasteciam"!
Vai daí foi a mais completa desbunda!
A inconsciente CABRADA novo riquista pensava que isto era o Monte Carlo!
Aplausos para o artigo e para a selecção do Sr. Administrador!
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É certo que há os imbecis úteis.
Mas a maior parte dos políticos consegue pela via da política o que nunca conseguiria de outro modo.
Isto não é imdecilidade.
Fizeram isso tudo mas disfarçaram-se de Sta Teresa de Calecutá...


Dedicaram-se de alma e coração a salvar o planeta.Por conta do contribuinte obviamente.As escolas não são SEF, o SNS é "universal", a habitação um direito.Os nossos grandes pensadores querem voltar à época dos descobrimentos mas com o indigenato a pagar...
Segundo a rapaziada e de acordo com Deus o mundo ainda vai ser todo "português"...
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O que me irrita mais ainda, é o facto de nunca ter contribuído com um voto que seja para estes larápios (PS, PSD e CDS) governarem e ter que os gramar.
Isto é vira o disco e toca o mesmo, ora rouba o PS, ora rouba o PSD, ora rouba o PSD mais o CDS.
Enganos
Não são os que refilam e criticam que "VOTAM SEMPRE NOS MESMOS"!
São os ignaros, os de sempre, os "lusitâneas" deste país, ignorantes, incultos, acriticos e burróides que acham que um partido é como um clube de futebol!
Valha-lhes zeus!
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A mim também me irrita ter que pagar uma dívida para a qual não contribuí.
Também me irrita que algumas pessoas, no seu local de trabalho tenham denunciado abusos e despesas extras e tenham pago por se amedrontarem pelo futuro.
Faço parte dos que se irritaram e esperaram, não por 2012, mas pela catástrofe que está à porta e acabaram duplamente condenados.
Quando no meu País se amedronta o cidadão que fala verdade... o que esperam?
Parolos, Pacóvios e Imbecis!...
Nunca a profusa adjetivação fez tanto sentido!...
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Depois daquilo a que chegámos à conta de endividamento nos mercados, não deixo de sentir curiosidade em saber o porquê de esta PANDILHA andar a sugar-nos o sangue todo para se poder voltar rapidamente aos mercados. Ou seja, andamos a ser depenados para depois vir mais do mesmo.
Será que os meninos também se estão a preparar para embolsar para eles e para os amigos como fizeram os socretinos?
Palpita-me que sim (e não sei porquê, depois de escrevinhar estas linhas, veio-me à ideia o doutor da mula ruça do curso feito à custa das equivalências cujos apupos que levou numa ocasião em que queria botar faldura me fizeram rir a bandeiras despregadas).







