Henrique Monteiro - Pronto! Também já estou indignado! Se o Governo tinha por missão criar a unidade nacional, conseguiu. A grande união aí está... contra ele.
A meu ver, Passos Coelho e Vítor Gaspar só tiveram um propósito — e não foi o melhor para o país, nem sequer o melhor para eles. Quiseram vingar-se! E, assim, desenharam um modo ardiloso (no sentido de velhaco) para contornar a célebre decisão do Tribunal Constitucional Mantiveram os cortes de subsídios aos pensionistas e arranjaram um esquema para a função pública. Devolveram-lhe um subsídio, para depois o tirar com o aumento de sete pontos (64%) da contribuição para a Segurança Social.
De modo a justificar a equidade, fizeram o mesmo aumento para os trabalhadores das empresas privadas. E desse modo tiveram folga para baixar a TSU das empresas 5,75 pontos e fazer a experiência da desvalorização fiscal, tão cara a parte da troika.
E assim se mexeu de forma inábil e brutal em algo que não era controverso. Os pagantes são os do costume e os outros (os que vivem do capital e dos rendimentos) terão umas medidas "em forma de assim..." A avaliar pelo fisco, este é o mais socialista dos governos; a avaliar pela redistribuição, o mais injusto — até o salário mínimo desceu!
O Governo achou que tinha um programa para cortar a despesa do Estado que o TC estragou. Ao mantê-lo, não falando com ninguém, guiado pela pura vingança, cometeu um erro político do qual não vai recuperar.
Uma palavra apenas para Manuela Ferreira Leite e para os cavaquistas: a vingança não é boa conselheira para Passos, mas também não é para eles.
Nem a vingança nem o ódio.
Tendo estado (como outros) nos governos dos últimos 20 anos, PS e PSD não podem esquecer a responsabilidade por terem feito a despesa subir oito vezes e a dívida duas... Os portugueses não o esquecem.
Já o Governo vai aprender rapidamente que, quem com ferros mata, com ferros morre.
Henrique Monteiro | Expresso | 15-09-2012
Comentários (4)
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Da visão putativa do camurso...
Passos Coelho e Vítor Gaspar não quiseram vingar-se.
Quiseram superar a sua própria frustração com a sua própria azelhice.
Acontece a qualquer um fazer disparate, ficar frustrado, e querer emendar. É saudável e desejável.
Aos menos inteligentes, menos estudiosos, menos intelectualmente honestos, menos cultos, mais arrogantes, mais teimosos, mais casmurros, mais analfaburros, mais camursos, acontece frequentemente que o emendo traz o mesmo grau de imbecilidade que já trazia a primeira proposta. Tais pessoas poderiam fazer qualquer coisa na vida, mas não governar a vida dos outros.
O acima dito é uma generalização sobre o comportamento humano e não um epíteto sobre PPC e VG. Mas que eles fizeram o que um camurso faria, isso fizeram.
Isso não faz deles camursos. Nós é que os podemos confundir com essa espécie. Mas em boa verdade: a culpa de fazermos tal confusão... seria nossa? A visão putativa do camurso (tal como a agressão em legítima defesa putativa) é, em certas circunstâncias, desculpável!
...
Porque ficámos no nosso cantinho?
A facilidade com que nos caem cima prende-se, em grande parte, com uma questão de perfil típico dos FP: algum acanhamento, uma certa inércia...
Isto de saltar para as ruas é deselegante...
E até faz frio ou calor ou pode chover...
Entretanto, ontem, comecei por pensar: realmente, não somos mesmo nada...
Afinal, 500 ou 600 mil pessoas - o que representam, designadamente em termos eleitorais?...
Foi preciso vir um mar de gente para ter expressão...
No entanto, se virmos bem, o nº de manifestantes presentes nas diversas localidades, no seu conjunto, não ultrapassará muito o nº de funcionários públicos existentes em Portugal...
Evidentemente, que agora a situação é distinta, pois, por trás destes há muitos outros votantes atingidos...
Mas há que notar aqui uma questão de atitude...
Nós poderíamos ter preenchido as grandes praças do país e não o fizemos...







