O bastonário da Ordem dos Advogados quer mais exigência nos exames a que os jovens advogados são sujeitos, de modo a evitar criar-se uma profissão de gangsters.
“A Ordem vendia cédulas profissionais a quem não estava preparado para exercer a advocacia. E nós já temos demasiados advogados na cadeia e muitos a fugir à justiça. Não queremos uma função de gangsters, mas uma profissão de homens e mulheres em quem se possa confiar”, afirma Marinho Pinto na Renascença.
No programa “Em Nome da Lei”, emitido todos os sábados entre as 12h00 e as 13h00, o bastonário acusa as universidades de serem responsáveis pela má formação dos alunos de Direito, justificando assim a razia que houve no último exame final da Ordem dos Advogados – uma percentagem de de chumbos.
“As universidades tratam os estudantes como clientes. Vendem-lhes os cursos, ninguém reprova. Ou é uma coisa residual”, afirma, não querendo “entrar na guerra” de apontar nomes.
“Há boas universidades privadas e há más universidades públicas e há boas universidades públicas e más privadas”, remata. As acusações do bastonário são contestadas pelo ex-responsável pelo curso de Direito da Universidade Católica, Luís Fábrica, que desafia Marinho Pinto a separar o trigo do joio: “Em Portugal há ensino do Direito de péssima qualidade e há ensino do Direito de excelente qualidade a nível mundial. O senhor bastonário devia ter a hombridade de fazer essa distinção”, pede o advogado, que logo recebe a resposta: “Mas eu não tenho feito essa distinção? Tenho dito sistematicamente que há boas e más, públicas e privadas. O que o senhor quer é que eu digo que a sua é boa e isso eu não digo!”.
Mas Marinho Pinto reconhece que a formação que a Ordem tem dado aos candidatos a advogados não tem sido a melhor e afirma mesmo que os magistrados do Ministério Público e os juízes chegam à profissão muito melhor preparados do que os advogados. Confrontado com o facto de isso ser um problema que não foi resolvido durante o seu mandato, Marinho Pinto responde que tem tido “todas as dificuldades”, inclusive “boicotes”.
Marinha Pimentel | Página 1 | 20-04-2012
Comentários (3)
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Não percebo como os exames, que versam matéria apenas jurídica, permitem distinguir os gangsters dos não gangsters.
Será que o segredo está nesta lógica:
Todo o burro em matéria de direito reprova no exame de estágio de advocacia.
Todo o gangster é burro em matéria de direito.
Logo, todo o gangster reprova no dito exame de estágio.
Quer dizer, à partida todo o gangsters é sem apelo nem agravo burro em matérias de direito.
E os que reprovam no dito exame correm o risco de ser tidos como gangsters.
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Mas parece que os "gangsters" que se têm visto na praça, não são propriamente os estagiários . Começo a pensar que o Sr. Bastonário não anda lá muito bem da cabeça, deve ser stress de tanto estudar.... E o que mais me estranha é que nenhum colega se manifeste, estranho! Até aqui revoltou-se porque a Srª Ministra da Justiça, pôs os advogados todos na mesma panela. e o que é que ele está a fazer á sua própria classe? Anda demasiado preocupado com os estagiários, porque será? Estranho mesmo.. deve ter uma pedra no sapato, tal como tem com os juizes. Deveria sim preocupar-se com a procuradoria ilicita, com os advogados que as alimentam, etc, etc. e deixar trabalhar quem quer trabalhar e a quem lhe assiste esse direito quer a nivel constitucional quer a nivel de direitos humanos. Se o advg. erra merece um procº disciplinar então terá todo o direito de se pronunciar, até aí não. Há uns anos atrás não era este o seu pensamento, mas porque será? Realmente entristece-me esse Sr., que já começa a cair no ridiculo. a figura da Ordem é semelhante ao ensino da matemática há uns tempos atrás. a culpa era sempre do aluno, mas que estranho, serão todos burros, analfabetos? até que se chegou á conclusão que o metodo era o incorrecto. Ora porque será que a Ordem não admite? Posso dizer que o meu patrono dá muito valor ao que faço, inclusive refere que ´se não fosse eu a ajudá-lo não teria hipótese alguma de aceitar determinados casos.... é sinal que não sou tão burro assim.
E digo com clareza, as formações na Ordem não me trazem nada de novo, nada. Pergunto o que me interessa a mim, as formações que constantemente me comunicam para fazer, e que tenho que pagar, o que não percebo, uma vez que já paguei ..., quem éstá a lucrar com isto, não é tambº um negócio, sinceramente....
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