Advogados entram na profissão com nota 10

Dos candidatos à profissão de advogado que conseguiram passar no exame da Ordem, 33,2 por cento apenas conseguiu a nota mínima. Nas ilhas, ninguém passou.

Seis em cada dez candidatos chumbaram no exame da Ordem dos Advogados, que se realiza no fim do estágio de dois anos. Dos 886 inscritos para a prova derradeira, apenas 367 conseguiram nota positiva. E, desses, 122 entram na carreira com o mínimo possível: nota 10 na prova final.

Os resultados do exame nacional de avaliação e agregação, realizado no final de janeiro, são piores na Madeira e nos Açores, onde não houve qualquer nota positiva nos 20 candidatos, nem no exame nem na nota final.

Em Évora, apenas dois dos candidatos conseguiram ser admitidos. A situação é um pouco melhor em Faro, três aprovados em 20 inscritos. 

Lisboa, Porto e Coimbra, que tinham o maior número de inscritos, aproximam-se da média final, menos de metade dos candidatos tiveram positiva e um terço deles não foi além do 10. 

Ao Expresso, Marinho e Pinto lamenta que os candidatos estejam "tão ma l preparados" e culpa as universidades por "mercantilizarem o ensino do Direito".

"O que é mais extraordinário é que o próprio Estado não os aceita, por considerar que muitos deles não tem condições de ingressar no Centro de Estudos Judiciários"(CEJ) , acrescenta o bastonário da Ordem dos Advogados, sublinhando que o acesso ao CEJ não é permitido apenas com a licenciatura em Direito, sendo necessário o mestrado.

Ricardo Marques | Expresso | 09-04-2012