Dos candidatos à profissão de advogado que conseguiram passar no exame da Ordem, 33,2 por cento apenas conseguiu a nota mínima. Nas ilhas, ninguém passou.
Seis em cada dez candidatos chumbaram no exame da Ordem dos Advogados, que se realiza no fim do estágio de dois anos. Dos 886 inscritos para a prova derradeira, apenas 367 conseguiram nota positiva. E, desses, 122 entram na carreira com o mínimo possível: nota 10 na prova final.
Os resultados do exame nacional de avaliação e agregação, realizado no final de janeiro, são piores na Madeira e nos Açores, onde não houve qualquer nota positiva nos 20 candidatos, nem no exame nem na nota final.
Em Évora, apenas dois dos candidatos conseguiram ser admitidos. A situação é um pouco melhor em Faro, três aprovados em 20 inscritos.
Lisboa, Porto e Coimbra, que tinham o maior número de inscritos, aproximam-se da média final, menos de metade dos candidatos tiveram positiva e um terço deles não foi além do 10.
Ao Expresso, Marinho e Pinto lamenta que os candidatos estejam "tão ma l preparados" e culpa as universidades por "mercantilizarem o ensino do Direito".
"O que é mais extraordinário é que o próprio Estado não os aceita, por considerar que muitos deles não tem condições de ingressar no Centro de Estudos Judiciários"(CEJ) , acrescenta o bastonário da Ordem dos Advogados, sublinhando que o acesso ao CEJ não é permitido apenas com a licenciatura em Direito, sendo necessário o mestrado.
Ricardo Marques | Expresso | 09-04-2012
Comentários (18)
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Era bom que publicassem tal exame, e já agora fica o desafio aos advogados da nossa praça, para o resolvam. (caso Braga Parques).
E já agora uma pequena correcção às noticias, este exame foi feito para os estagiários que concluíram 2 anos de estágio, mas estão a esquecer de adiantar a noticia de que os "BOLONHESES! que o SR BOA tanto detesta, depois de cumpridos 36 meses de estágio ( e não dois anos), o Sr. BOA fê-los esperar, terminado o seu longo estagio de 36 meses, mais 8 MESES, para acederem ao exame, portanto, já lá vão, e faz em MAIO, 4 anos de estágio, pois estou a referir-me ao estágio de 2008!!!!!
Aqui como na OTOC
Com a entrada do exame, chegaram e houveram percentagens de chumbo acima dos 80%, com a entrada do SNC (Sistema de normalização contabilística) mais chumbos. Até que agora vão fazendo exames mais simples e outros de maior grau a seu belo prazer para passarem ou chumbarem consoante entendam....é assim na Ordem dos Advogados preparem-se e boa sorte no exame que escolhem. Cumprimentos de quem já passou pelo mesmo, não desistim e continuem sempre a lutar...
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Ponha-se o Bastonário a fazer o exame de acesso.
Matéria e anti-matéria.
Buuuum !
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Perecebe-se o silêncio dos Advogados. Esta notícia é mel para os seus ouvidos, pois assim o mercado continua mais amplo.
Pensava eu que a diferença e a selecção tinha origem na qualidade. Que ingénuo que sou.
Quando um Advogado com 23 anos de prática, diz que não era capaz de resolver o exame, percebe-se que o mesmo existe para eliminar a concorrência futura, não serve para mais nada.
100% de reprovações na Madeira e nos Açores? E o melhor resultado é no Porto, com 50% de candidatos aprovados? O erro não pode estar nos alunos, mas nos exames, mas também nesse estágio, onde nada foi ensinado.
Respeitsamente
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Porém, são os jovens que querem aceder à profissão (claro que isto só sucede depois da filha do jornaleiro ter acabado o estágio) que são alvos de tamanha torpeza!
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Ah pois é....
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Eu sou do tempo, como muitos aquí, em que o melhor aluno nas provas de algumas faculdades de direito era 13 a 14 valores e não escapava nada nas matérias leccionadas e constantes das provas, quer teóricas e práticas. Tudo era visto a pente fino, às vezes até demais.
Neste aspecto vão-me desculpar mas o BOA tem razão! O negócio economicista das universidade é assustador e vergonhoso e constata-se depois, quer no resultados das provas dos estágios da OA como nos examens de acesso ao CEJ e outros concursos que exigam a licenciatura ( ou mestrado pós-Bolonha) de direito.
Quanto ao número grande de chumbos, quase alguns a totalizar os 100%, realmente pode existir algum exagero na exigência das provas e nos modos de correcção. Concordo com muitos aqui, neste detalhe. No entanto, se os chumbos fossem nas provas de acesso ao CEJ (como costuma suceder ) estava tudo bem, como é na advocacia há que aturar de tudo e ser benevolentes. Francamente..
Eu, como muitos, sou a favor da integração do estágio da advocacia no CEJ, onde numa fase inicial de candidatura o candidato, com licenciatura ou mestrado pós-bolonha de direito, já escolhia a vertente a que se candidata: MP, magistratura judicial (juiz) ou advocacia e sujeitando-se ao mesmo grau de exigência nas provas de acesso.
Numa segunda fase de estágio seria mais direccionada para a vertente escolhida.
A receita de inscrição no CEJ iria aumentar, pois haveria muitos mais candidatos, mas dúvido que os chumbos baixassem, nas provas de acesso.
Nessa altura, gostaria de ver o argumento explicativo dos chumbos de muita gente...
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Só no infantário ou escola primária se encontram, em regra, estes comportamentos. A culpa é sempre do outro menino, aquele malvado.
É a falsa questão dos honorários e agora, outra vez dos exames para a ordem.
Entre, pelo menos, 1995 e 2005 venderam-se canudos e entraram para a ordem milhares de advogados sem preparação.
Dava jeito a todos. Professores universitários. Na escola pública onde davam “aulas” tirar uma nota 10 era um alivio na privada 14, 15,16… Em alguns casos as equipas, regente e assistente, eram as mesmas só as notas eram diferentes.
A ordem multiplicou-se em cursos, exames e formações quando deveria estar apenas para certificar competências e nada mais.
Os políticos assobiaram para o lado, toda a gente era Dr. e os senhores ganhavam pipas de dinheiro a dar pseudo aulas.
O CPAS agradecia. Era mais dinheiro a entrar.
De 2005 para a frente surge aquela. Aquela é a tal que não se deixa corromper, aldrabar ou influenciar. Chama-se realidade.
A realidade é que existiam mais advogados que os necessários e que eram comportados por um país como Portugal.
Vai de altera o estágio, acesso ao direito etc.
Quando existem dois cursos de estágio por ano e uma multiplicação de exames já não se fazem perguntas. Inventam-se.
Nesta mesma situação acrescentam-se disciplinas e complica-se a realização dos exames.
É justo para quem quer entrar na profissão? Não.
É justo para quem já esta na profissão? Não.
Se a ordem e o estado querem proteger a advocacia e os direitos dos cidadãos acabem com esta hipocrisia.
Façam um exame de acesso com cabeça tronco e membros.
Um estágio com duração razoável.
Se existem critérios para entrada tem de haver critérios para permanecer.
Acabem com a advocacia em part time.
Alterem as regras do apoio judiciário para evitar profissionais deste regime.
Apliquem-se critérios exigentes para a permanência na profissão.
Para se exercer a profissão de advogado, principalmente neste país e com os sistema que temos é preciso ter adquirido competências exercita-las com regularidade e a tempo inteiro e ter condições económicas que permitam a independência do advogado e o investimento na sua formação.
A ordem não pode limitar-se a querer dizer quem pode ou não ser advogado tem acima de tudo de dizer em que condições se pode exercer a advocacia.
A partir de aqui é a cada um, e à sua competência e sorte, que resta saber se obedece aos requisitos impostos e, a ordem, fiscalizar tais requisitos.
Pensar o contrário é a destruição da advocacia e dos direitos dos cidadãos.
Se é verdade que precisamos de juízes independentes não é menos verdade que precisamos de advogados igualmente independentes e capazes.
O BUSILIS
Salvo o devido respeito, o busilis parece também ser este:
Afinal, quem examina o examinador?!...
Dei aulas na Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa, nos fins do anos 70 e princípios dos anos 80.
Dei aulas aos Candidatos a Solicitadores, nos anos 80.
Frequentei o 1.º Curso de Formação de Formadores na Ordem dos Advogados.
Fui um dos três ou quatro Candidatos a Formadores que teve, no final do Curso, nota de Excelente.
O Coordenador do referido Curso (um Professos Catedtrático de prestígio e de renome mundial) apresentou, expontaneamente, o meu nome à Direcção da OA, adiantando que eu reunia todas as condições para ser Formador na Ordem dos Advogados.
Estava disposto e disponível para dar formação aos meus futuros Colegas GRATUITAMENTE.
Até hoje - e já vai mais de uma dezena de anos - nunca ninguém da OA me convidou.
Acrescento:
Completei o curso dos liceus com média final de 18 valores.
Completei o curso de Direito, na Clássica, com média final de 14 valores.
Sou advogado há mais de 30 anos.
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O País precisa de advogados.
Se a Ordem não faz exames e provas com um mínimo de credibilidade, mais cedo ou mais tarde os exames de ingresso na advocacia deixarão de ser atribuição sua.
Cada vez mais gente, advogados incluídos, se pergunta afinal para que serve a Ordem dos Advogados.
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Só que o problema dos recentes exames é muito mais grave. Eu mesmo o vi e achei (refiro-me a penal) como muitos colegas de profissão não só absurdo como profundamente desonesto. Mais profundamente mal escrito, quase inteligivel. Tendo-me sido perguntado para responder à "coisa" mantive-me em silêncio por muitos longos minutos só para tentar perceber o que se pedia. Provavelmente sou eu que sou burro. A minha auto-estima lá se manteve porque burros como eu havia mais lá pelo escritório.
Portanto, uma coisa é haver faculdades mais ou menos recomendáveis, que as há, alunos mais ou menos vocacionados ou apaixonados pelo Direito, que os há, outra coisa é apresentarem-lhes um teste impossivel e que notoriamente é uma traição. Estou certo que pessoas de são critério e com mediana formação moral compreenderão ao que me refiro.
Para uma pessoa como o Bastonário da OA que frequentemente alardeia e vitupera sobre quase tudo o que mexe (incapaz porém de aceitar contraditório no que às suas interjeições respeita, o que não deixa de ser essa mesma caracteristica contraditória) talvez fosse bom fazer uma introspecção quanto àquele texto.
Face ao litigio catacumbesco que vem desenvolvendo com os nossos pretendentes à profissão, conseguiu, certamente sem qualquer intenção deliberada, os efeitos que não lograram as instituições democráticas a exemplo do Tribunal Constitucional.
Talvez fosse bom portanto que instituições vigilantes como o é o Ministério Público se preocupassem se a legalidade democrática está a ser cumprida na Ordem dos Advogados. Como mais cego é aquele que não quer ver, eu tenderia a pensar que não.
Tristeza
O que me entristece é o que vejo nos comentários aqui existentes, admitindo que estes, na sua maioria, são elaborados por juristas.
Falam sem qualquer distinção, como um concorrente do Preço Certo ou um empregado de limpeza das Tardes da Júlia. É por lá que ouvem as demagogias do Bastonário, e é aqui que as cantam, quais papagaios. Esperava, sinceramente, que os comentários tecidos no "nosso" âmbito (jurídico) fossem precedidos de algum estudo sobre a matéria, algum conhecimento de causa e factos.
Entristece-me ler, neste site, comentários como "Ide lá comprar os vossos mestrados bolonheiros e tentai novamente." ou outros idênticos no conteúdo, mas menos sucintos.
Será muito pedir a um jurista que se insurja contra algo ou que apoie alguém, que saiba do que está a falar?
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Queixinhas
O senhor advogado com prática de 23 anos que vai berrar para os jornais para ter um bocadinho de atenção e mediatismo provavelmente necessitaria de ser reavaliado. Aliás, há muito tempo que a OA devia ter imposto aos advogados em prática há mais de 20 ou 30 anos um reexame. Não sei pelo que espera a Ordem dos Advogados. Até os condutores com mais de 50 anos estão sujeitos a reavaliação das condições de exercício da qualidade de condutor, porque não haverão os advogados estar?
Os senhores candidatos a estagiários de advocacia talvez devessem dedicar mais tempo a estudar Direito e eventualmente comprar uns manuais de processo executivo (que foi suprimido em muitas licenciaturas, senão em todas) e menos à copofonia. Nos tribunais, que se saiba, não costuma haver Queima das Fitas anualmente, por isso a experiência com álcool é absolutamente desnecessária.
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Caro António,
Não foi chamado pela OA porque o "critério" para se ser formador não implicava, com devida transparência, rigor e igualdade, nada do que refere... Isso só foi mudado no triénio passado, com implementação de concursos para admissão de formadores.
Acesso indirecto
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Já no meu tempo a uns 11 anos atrás, a taxa de reprovação nos examens de estágio da OA era bem elevada: 80%, 70% (Lisboa, Porto, Coimbra, etc)
Havia até, se alguns bem se lembram ou para lembrar os mais esquecidos, quem fizesse a primeira fase de estágio e seus examens na distrital onde a taxa de reprovação era estatíticamente menor, com medo das grandes chumbos que havia na altura. E isto foi muito antes do actual Bastónario que muito se "ataca" aquí.
No meu caso, sujeitei-me a fazer os examens em Coimbra. Hoje sou advogada a muitos anos, licenciei-me, pela Universidade de Coimbra, cinco anos, tirei mestrado (refiro isto antes que me confundam injustamente e descriminatóriamente com os que beneficiaram do processo de bolonha).
Não pretendo com o meu comentário tirar partido por ninguem, nem pelo actual BOA nem outro bastonário anterior, mas acho exagerado sim, os critérios de correcção como também o espanto que aqui fazem quanto as taxas de reprovações como se nunca tivessem existido antes.
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